As taxas DI apresentaram um comportamento dividido na última sexta-feira, dia 2 de outubro, com os vencimentos de curto prazo registrando declínio, enquanto os de longo prazo observaram valorização. Esta sessão, que antecedeu o primeiro turno das eleições no Brasil, foi marcada por uma combinação de fatores, incluindo dados econômicos dos Estados Unidos mais fracos que o esperado e uma acentuada cautela por parte dos investidores frente ao pleito presidencial iminente.
No fechamento do pregão, a taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 foi cotada a 13,495%. Este valor representa uma queda de 7 pontos-base em comparação com o ajuste anterior, que havia sido de 13,565%. Em contraste, na ponta mais distante da curva a termo, a taxa do DI com vencimento em janeiro de 2035 encerrou o dia em 14,145%, evidenciando um aumento de 3 pontos-base em relação aos 14,112% registrados na sessão prévia.
Taxas DI Variam Ante Eleições e Dados EUA; Curto Cai, Longo Sobe
A dinâmica dos juros futuros é um termômetro essencial para as expectativas do mercado em relação à inflação e à política monetária. A abertura do pregão já indicava uma pressão de baixa sobre as taxas de DI, influenciada pela divulgação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre a produção industrial. O relatório apontou uma retração de 0,6% em agosto na comparação mensal e uma queda de 1,2% frente a agosto de 2025. Esses números frustraram as projeções de economistas consultados pela Reuters, que esperavam avanços de 0,1% no mês e 0,4% no ano, respectivamente.
O cenário de queda foi ainda mais acentuado com a divulgação do relatório de empregos payroll dos Estados Unidos. Os dados mostraram a criação de apenas 29 mil novas vagas de trabalho em setembro, um número significativamente abaixo das 90 mil projetadas por especialistas em pesquisa da Reuters. Além disso, a taxa de desemprego norte-americana ficou em 4,2%, superando a expectativa de 4,1%. Tais resultados sinalizaram um enfraquecimento do mercado de trabalho dos EUA, o que geralmente tem implicações globais para os ativos de risco e as curvas de juros.
Em resposta a esses indicadores do payroll, os rendimentos dos Treasuries, títulos do tesouro americano considerados referência global, sofreram uma forte queda no início da sessão. Essa desvalorização dos títulos dos EUA reverberou diretamente no mercado brasileiro, exercendo uma pressão adicional de baixa sobre as taxas de juros futuras domésticas. Investidores tendem a buscar ativos mais seguros em momentos de incerteza econômica, e o mercado de títulos governamentais reflete essa demanda.
Contudo, a trajetória das taxas de DI não se manteve unidirecional. Houve uma recuperação notável à medida que a sessão avançava, impulsionada pelo posicionamento estratégico dos investidores em antecipação ao primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras, que ocorreria no domingo. A incerteza política é um fator preponderante no mercado financeiro, e a possibilidade de resultados inesperados leva a movimentos de ajuste nas carteiras.
Profissionais do mercado financeiro, em conversas com a Reuters, destacaram que, além da ausência de um consenso sobre o vencedor da disputa presidencial, o noticiário político da noite de quinta-feira contribuiu para a volatilidade. Informações desfavoráveis ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), figura que é percebida como preferencial por parte do mercado da Faria Lima, contribuíram para a cautela. A Faria Lima, conhecida como o centro financeiro de São Paulo, geralmente prefere candidatos com agendas econômicas mais liberais e de responsabilidade fiscal.
Neste contexto, a pesquisa Datafolha, divulgada na véspera, trouxe um panorama eleitoral que gerou reações. No cenário de um eventual segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apareceu com 48% das intenções de voto, contra 45% de Flávio Bolsonaro. Embora os dois candidatos seguissem tecnicamente empatados, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, Lula ampliou sua vantagem numérica para três pontos, dado que no levantamento anterior ele tinha 47% e o senador somava 45%.

Imagem: infomoney.com.br
Para o primeiro turno, a mesma pesquisa Datafolha indicava Lula com 42% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 38%. O terceiro colocado era Augusto Cury (Avante), com 4%. Paralelamente, a desistência de Flávio Bolsonaro de participar do debate da TV Globo na noite de quinta-feira, evento que já não contaria com a presença de Lula, levou ao cancelamento do confronto. Enquanto Lula concedia entrevista ao podcast Flow, Flávio optou por uma transmissão ao vivo própria, eventos que mantiveram o cenário político em destaque.
No mercado financeiro, o ex-presidente Lula ainda é visto com certa desconfiança por uma parcela considerável dos agentes, que nutrem preocupações quanto à sustentabilidade das contas públicas e ao controle da inflação sob sua gestão. Dessa forma, qualquer notícia que não seja favorável a Flávio Bolsonaro, como a ampliação da vantagem numérica de Lula nas pesquisas, tende a gerar um viés de alta para a curva de juros brasileira, refletindo as expectativas de maior risco fiscal.
Durante o período da tarde, as taxas de curto prazo voltaram a apresentar recuo, reforçando o movimento inicial, enquanto as de longo prazo mantiveram-se em patamares elevados. Essa dicotomia persistiu em meio à expectativa e à prudência dos investidores antes da crucial votação de domingo. Para análises aprofundadas sobre as tendências econômicas globais e seus reflexos, consulte as últimas notícias e relatórios de mercados globais.
No cenário internacional, após o dissipar do impacto inicial do relatório payroll, os rendimentos dos Treasuries norte-americanos retomaram a trajetória de alta, dando continuidade a um movimento recente de elevação dos prêmios na curva de juros dos EUA. Por volta das 16h35, o rendimento do Treasury de dez anos, que serve como um balizador global para inúmeras decisões de investimento, registrava uma ascensão de 5 pontos-base, atingindo 5,281%.
Confira também: Investir em Imóveis na Região dos Lagos
Em suma, a sessão que antecedeu o primeiro turno das eleições presidenciais no Brasil foi um reflexo da complexidade do mercado financeiro, onde dados econômicos internacionais e o cenário político doméstico se entrelaçam para moldar as expectativas sobre as taxas de juros. Acompanhar essas flutuações é fundamental para entender a dinâmica econômica do país. Continue explorando as análises e notícias detalhadas em nossa editoria de Economia.
Crédito da imagem: Reuters







