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Acordo com Irã ‘Acabou’, Afirma Trump Após Ataques

Economia

O acordo com Irã, que previa um cessar-fogo de sessenta dias na região, foi declarado como “acabado” pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quarta-feira. A afirmação ocorre após uma série de novos confrontos entre Teerã e Washington, que intensificaram as hostilidades desde a noite anterior, levando ao fim das esperanças de uma resolução pacífica iminente.

Questionado sobre o memorando de entendimento firmado entre os dois países, antes de participar de uma cúpula da OTAN na Turquia, o líder norte-americano foi categórico. Sua resposta, que pegou a imprensa de surpresa, sinalizou um endurecimento da postura dos EUA em relação ao regime iraniano e às negociações futuras.

Acordo com Irã ‘Acabou’, Afirma Trump Após Ataques

“É uma pergunta muito interessante. No que me diz respeito, acabou. Não quero mais negociar com eles”, declarou Trump a jornalistas em Ancara, reiterando sua aversão a prosseguir com qualquer tipo de diálogo. O presidente ainda complementou com críticas contundentes: “Eles são escória. São pessoas doentes. São liderados por pessoas doentes. Negociar com eles é apenas perda de tempo”, disse, fechando as portas para futuras tratativas e colocando em xeque qualquer possibilidade de um novo acordo com Irã. A tensão entre as nações, que já estava elevada, atingiu um novo patamar, com reflexos imediatos nos mercados globais.

Conflito Escalado e Impacto Global

A recente escalada militar, que impulsionou os preços do petróleo no cenário internacional, viu o Irã anunciar ataques a instalações militares dos Estados Unidos localizadas no Bahrein e no Kuwait. Essas ações iranianas vieram em resposta aos bombardeios americanos contra alvos iranianos, que, por sua vez, haviam sido deflagrados após ataques a navios-tanque no estratégico Estreito de Ormuz. Tais incidentes enfraqueceram ainda mais o frágil cessar-fogo e praticamente anularam as chances de converter o memorando de entendimento, assinado em 17 de junho, em um tratado de paz definitivo para encerrar a guerra. Este conflito teve início com ataques aéreos coordenados entre os EUA e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro.

Embora Donald Trump já tenha, em outras ocasiões, moderado suas ameaças contra Teerã, suas declarações mais recentes provocaram uma reação imediata nos mercados. Os preços do petróleo dispararam consideravelmente, e as bolsas de valores registraram quedas. A retomada das hostilidades também acentuou as preocupações com a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, uma rota marítima de vital importância para o abastecimento global de petróleo. Dados de navegação indicaram que pelo menos quatro navios-tanque de petróleo e gás reverteram sua rota, optando por não tentar atravessar a hidrovia sob tais condições de risco. Os contratos futuros do Brent, por exemplo, avançaram mais de 5% no início da quarta-feira, atingindo valores acima de US$ 78 por barril – a maior alta diária desde o final de maio. Apesar de este valor ainda estar distante dos picos superiores a US$ 120 registrados durante o auge dos confrontos, o aumento foi suficiente para reintroduzir riscos inflacionários no mercado de renda fixa, agravado pela redução dos estoques globais de petróleo acumulada ao longo de meses de conflito.

Troca de Acusações e Respostas Internacionais

A Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) informou nesta quarta-feira ter atingido instalações militares americanas no Bahrein e no Kuwait. Além disso, as forças iranianas alegaram ter derrubado um drone americano modelo MQ-9 que tentava interferir na operação. Mais cedo, os Estados Unidos já haviam lançado novos ataques militares e revogado uma licença que permitia ao Irã comercializar petróleo, como retaliação aos ataques contra três navios-tanque no Estreito de Ormuz.

O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) confirmou que mais de 60 pequenas embarcações utilizadas pela Guarda Revolucionária estavam entre os alvos atingidos. Segundo os militares americanos, a operação visava impor um alto custo ao Irã pelos ataques à navegação, os quais foram caracterizados como uma violação do cessar-fogo. “A agressão injustificada das forças iranianas representa uma violação clara e perigosa do cessar-fogo e compromete a liberdade de navegação”, declarou o Centcom em comunicado oficial. O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, por sua vez, afirmou a jornalistas antes da cúpula da aliança que os novos ataques dos EUA contra o Irã eram “absolutamente necessários”. Mais tarde, a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, publicou no X: “As trocas de ataques entre os EUA e o Irã complicam ainda mais as já delicadas negociações para encerrar a guerra. Os ataques iranianos contra Bahrein e Kuwait são inaceitáveis.”

Acordo com Irã ‘Acabou’, Afirma Trump Após Ataques - Imagem do artigo original

Imagem: Yves Herman via valor.globo.com

Do lado iraniano, o Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, principal comando militar conjunto do Irã, condenou os ataques americanos, classificando-os como um “ato flagrante de agressão”. O comando ameaçou uma “resposta devastadora” e alertou que Teerã não permitirá qualquer interferência americana na administração do Estreito de Ormuz. Um dos principais negociadores iranianos, o presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, acusou os EUA de violarem o acordo de cessar-fogo. Ele citou não apenas os novos ataques militares americanos, mas também a retomada das sanções ao petróleo iraniano, violações dos “ajustes” iranianos no Estreito de Ormuz e ataques israelenses contra o Líbano. “A era da intimidação e da extorsão acabou”, escreveu Qalibaf no X, reiterando a posição de que “nós não nos curvamos”. A imprensa estatal iraniana havia noticiado anteriormente explosões em importantes polos petrolíferos do país, como na Ilha de Kharg, na Ilha de Qeshm e nas cidades portuárias de Sirik e Bandar Abbas, no sul do país. A emissora iraniana Press TV especificou que várias explosões foram ouvidas no sul da Ilha de Kharg, uma ilha que não foi mencionada pelo Centcom, mas que é crucial, pois por ela o Irã exporta 90% de seu petróleo bruto. Uma autoridade americana, falando à Reuters, detalhou que os ataques dos EUA visaram sistemas de defesa aérea iranianos, sistemas de vigilância costeira, mísseis superfície-ar, mísseis de cruzeiro antinavio e locais de lançamento de drones, garantindo que nenhuma morte de civis foi registrada no Irã, conforme informações de autoridades americanas. Para mais informações sobre a complexidade da política externa americana, pode-se consultar o Council on Foreign Relations, uma fonte respeitada em análise de relações internacionais.

O Estreito de Ormuz e Implicações Econômicas

O controle estratégico do Estreito de Ormuz confere a Teerã um poder de barganha significativo, permitindo-lhe, na prática, infligir danos econômicos substanciais à maior potência militar do mundo. Analistas de política internacional sugerem que o Irã utiliza os ataques a embarcações como uma forma de demonstrar sua capacidade de pressão, especialmente enquanto negocia um acordo de paz de longo prazo com os Estados Unidos.

No âmbito do acordo provisório entre Washington e Teerã, o Departamento do Tesouro dos EUA havia emitido, em 22 de junho, uma licença geral que autorizava a venda de petróleo bruto e de produtos petroquímicos e derivados de origem iraniana, com validade até 21 de agosto. Ao revogar essa licença na terça-feira, o governo americano concedeu ao Irã um prazo até 17 de julho para finalizar quaisquer transações em andamento. O Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou a decisão, classificando-a como uma violação do acordo provisório que visava encerrar o conflito, e afirmou que Washington será responsabilizado pelas consequências. O ministério iraniano acrescentou que o país adotará todas as medidas que considerar necessárias para proteger seus interesses e sua segurança nacional em face das novas sanções e da declaração de Donald Trump sobre o acordo com Irã.

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A declaração do presidente Trump sobre o fim do acordo com o Irã, em meio a uma escalada de ataques e acusações mútuas, representa um ponto crítico nas relações entre as duas nações. As implicações são vastas, desde a instabilidade no Oriente Médio até o impacto nos mercados globais de petróleo e títulos. A revogação da licença para venda de petróleo iraniano e as fortes palavras de ambos os lados sinalizam um período de incerteza e confrontos contínuos. Para acompanhar os desdobramentos dessa e de outras notícias importantes, continue navegando em nossa editoria de Política.

Crédito da imagem: Valor One

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