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Lucro Recorrente da Porto Cai 14% no 3º Tri para R$ 713 Mi

Economia

A Porto, conglomerado de serviços financeiros e de seguros, divulgou seus resultados para o terceiro trimestre do ano, revelando um lucro líquido de R$ 839 milhões, o que representa um crescimento marginal de 1% em comparação com o mesmo período do ano anterior. No entanto, ao analisar o lucro em termos recorrentes, a companhia apresentou uma retração significativa de 14%, totalizando R$ 713 milhões. Esse desempenho impactou o Retorno sobre o Capital Próprio Médio (ROAE), que recuou 5,4 pontos percentuais, estabelecendo-se em 17,6%.

Diversos fatores contribuíram para a diminuição do lucro recorrente, incluindo a deterioração do resultado financeiro, um aumento substancial nas perdas de crédito na vertical Porto Bank e o crescimento da sinistralidade no segmento de saúde. Esses elementos combinados exerceram pressão sobre a rentabilidade da empresa, apesar de um cenário de expansão em outras áreas.

Lucro Recorrente da Porto Cai 14% no 3º Tri para R$ 713 Mi

O resultado financeiro da Porto sofreu uma queda de 19%, totalizando R$ 309 milhões. Essa performance foi majoritariamente afetada pelo baixo índice de carrego do IPCA no trimestre, que teve um efeito direto sobre os títulos marcados na curva. Adicionalmente, o desempenho da alocação em renda variável ficou aquém do índice IBOV, conforme explica a administração do grupo. A receita proveniente da carteira de aplicações financeiras, excluindo previdência e ALM e gerida pela tesouraria, alcançou R$ 355 milhões, o que corresponde a 63% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI).

Com exceção da vertical Porto Serviço, que demonstrou robustez com um crescimento de 34% no lucro, atingindo R$ 52 milhões, as demais divisões da companhia registraram queda no lucro líquido. A Porto Seguro teve uma retração de 2%, para R$ 443 milhões. No Porto Bank, o resultado foi 13% inferior, chegando a R$ 171 milhões. Já a Porto Saúde experimentou uma queda mais acentuada, de 34%, com lucro de R$ 84 milhões.

Em contraste com a queda do lucro, as receitas da Porto apresentaram um crescimento consolidado de 10%, totalizando R$ 11 bilhões, com avanço em todas as divisões operacionais. No setor de seguros, que representa a maior fatia dos resultados da empresa, as receitas e prêmios somaram R$ 6,2 bilhões, um incremento de 9% na comparação anual. Esse crescimento foi impulsionado principalmente pela expansão de 10% no segmento de automóveis, que adicionou 264 mil veículos à sua frota segurada, alcançando um total de 6,5 milhões de automóveis. O seguro patrimonial também avançou 9%, enquanto o segmento de vida registrou um aumento de 2%.

Paulo Kakinoff, diretor-presidente da Porto, esclareceu que a disparidade entre o crescimento da receita e o do lucro se deve ao fato de que a formação do lucro depende dos prêmios retidos, e não dos prêmios emitidos, que geram um efeito imediato na receita. Ele explicou a jornalistas que “o que nós estamos vendo no terceiro trimestre [no lucro] é o reflexo de um mercado mais adverso de vendas que tivemos no final do ano passado, em contraste com o ritmo que estamos vendo atualmente, que é significativamente superior”.

Desafios no Porto Bank e Impacto no Crédito

O ciclo de crédito mais desafiador continuou a impactar os resultados do Porto Bank, uma das verticais mais afetadas. As perdas de crédito registraram um aumento de 48%, totalizando R$ 843 milhões. Esse crescimento reflete não apenas a conjuntura econômica, mas também uma postura mais conservadora na gestão de risco da companhia, que resultou em maiores provisões para devedores duvidosos.

A administração da Porto afirma que as iniciativas implementadas para aprimorar a qualidade da carteira de crédito já começam a apresentar indicadores mais saudáveis. No entanto, a empresa mantém cautela em relação ao cenário macroeconômico vigente. Domingos Falavina, diretor de relações com investidores, observou uma melhora na formação da inadimplência, mas ressaltou que a inadimplência superior a 90 dias permanece pressionada e em crescimento.

As recentes mudanças nas premissas macroeconômicas, especialmente a curva de juros que subiu substancialmente nas últimas semanas, influenciaram a decisão da companhia de reduzir seu guidance para 2026. “Isso, atrelado a uma postura da Porto mais conservadora, nos motivou a fazer uma revisão de provisão para o ano de 2026 com o intuito de trabalhar em 2027 com índices de cobertura ainda mais robustos para fazer frente ao cenário macroeconômico”, afirmou Falavina, evidenciando a prudência da gestão diante do cenário. Para entender melhor o impacto das taxas de juros no cenário econômico brasileiro, acesse as análises do Valor Econômico.

Porto Saúde: Sinistralidade em Destaque

Na vertical de saúde, a receita cresceu 12%, atingindo R$ 2,5 bilhões, acompanhando o aumento do número de beneficiários em saúde e odonto ao longo do período. Contudo, o índice de sinistralidade apresentou um aumento de 4,7 pontos percentuais, chegando a 82%. Desse aumento, dois terços foram atribuídos a rupturas na cadeia de atendimento oncológico, decorrentes de dificuldades operacionais enfrentadas pela Oncoclínicas, que prestava serviços à companhia. Além disso, um comportamento atípico na sazonalidade entre o segundo e o terceiro trimestre também contribuiu para o aumento da sinistralidade.

Celso Damadi, diretor financeiro da Porto, detalhou que a sinistralidade foi “maior principalmente no mês de julho, quando tivemos uma incidência de internações eletivas atípica para o trimestre”. Esse pico inesperado de internações eletivas, somado aos problemas na cadeia oncológica, gerou um impacto significativo nos custos da Porto Saúde.

Por fim, a Porto Serviço registrou R$ 660 milhões em receita, um aumento de 9%. Esse resultado positivo foi impulsionado pelo crescimento proveniente de parcerias estratégicas e também de colaborações internas da própria Porto, demonstrando a diversificação e a eficácia das alianças comerciais da vertical.

Revisão de Projeções para 2026

Diante dos desafios enfrentados no terceiro trimestre e das mudanças no cenário macroeconômico, a administração da Porto decidiu ajustar suas projeções para o ano. As expectativas de um resultado financeiro menor e de maiores perdas de crédito na vertical Porto Bank motivaram a revisão. A companhia também reduziu a expectativa para os prêmios na Porto Saúde.

Espera-se agora que as perdas de crédito no Porto Bank fiquem entre R$ 3,4 bilhões e R$ 3,8 bilhões no ano, um aumento em relação ao intervalo anterior de R$ 3,1 bilhões a R$ 3,5 bilhões. A receita total da vertical Porto Bank está projetada entre R$ 7,5 bilhões e R$ 7,9 bilhões, abaixo do intervalo anterior de R$ 7,7 bilhões a R$ 8,1 bilhões. Na Porto Saúde, a expectativa é que os prêmios ganhos cresçam entre 12% e 16%, uma redução em comparação com a previsão anterior de 14% a 22% ante 2025. O resultado financeiro do grupo deve situar-se entre R$ 1,1 bilhão e R$ 1,5 bilhão, abaixo da expectativa anterior, que era de R$ 1,4 bilhão a R$ 1,8 bilhão. A taxa efetiva esperada também foi ajustada, passando de 23% a 27% para 17% a 21%.

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A Porto encerra o terceiro trimestre com um crescimento notável na receita, mas com o lucro recorrente impactado por desafios financeiros, aumento das perdas de crédito e sinistralidade na saúde. As projeções para os próximos anos refletem uma postura mais cautelosa diante do cenário macroeconômico. Para se manter atualizado sobre as análises e notícias do mercado financeiro e de seguros, continue acompanhando nossa editoria de Economia.

Crédito da imagem: Divulgação

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Imagem: Divulgação via valor.globo.com

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