A cooperação energética entre Estados Unidos e Taiwan avança com a confirmação de um acordo para a compra de gás natural liquefeito (GNL) proveniente de um projeto no Alasca. Este passo significativo consolida os laços energéticos entre a ilha tecnológica asiática e seu principal aliado na segurança regional, estabelecendo um compromisso de longo prazo para o suprimento de GNL.
O presidente americano, Donald Trump, anunciou em um comício no Alasca que Taiwan formalizou a aquisição de 30% do gás que será extraído do futuro gasoduto pelos próximos 20 anos. Segundo Trump, sem detalhar as condições, este compromisso assegura o sucesso do empreendimento. O Ministério da Economia de Taiwan, por sua vez, divulgou um comunicado confirmando a intenção de participação no projeto, com um investimento estimado em até US$ 4,4 bilhões.
Acordo GNL Alasca: EUA e Taiwan Reforçam Cooperação
O plano atual de Taiwan prevê a aquisição de 6 milhões de toneladas de gás anualmente, a partir do momento em que o projeto entrar em operação, o que está programado para acontecer até 2032. As autoridades taiwanesas, no entanto, enfatizaram que os detalhes específicos, incluindo participações acionárias e outras cláusulas contratuais, ainda estão em fase de negociação e precisam ser finalizados. Taipei destacou a vantagem estratégica da localização geográfica, que permitirá o transporte direto do GNL para Taiwan por meio de rotas no Pacífico, otimizando a logística e ajudando a mitigar riscos no fornecimento.
A busca por segurança energética é uma prioridade crucial para Taiwan, cuja economia, fortemente orientada para a tecnologia, depende em grande parte de petróleo e gás importados do Oriente Médio. Essa vulnerabilidade foi acentuada por eventos recentes, como as perturbações decorrentes de conflitos envolvendo Estados Unidos e Irã. Além disso, a crescente pressão marítima exercida pela China, que para muitos analistas poderia evoluir para uma tentativa de bloqueio, adiciona uma camada de urgência à diversificação de suas fontes de energia.
A China considera Taiwan parte de seu território, uma posição veementemente rejeitada pelo governo eleito em Taipei. O Ministério das Relações Exteriores chinês manifestou críticas ao plano de GNL, reforçando que as relações externas de Taiwan devem aderir ao princípio de “uma só China”. Mao Ning, porta-voz chinês, declarou que as tentativas do Partido Democrático Progressista (PDP) de buscar a “independência de Taiwan” sob pretextos econômicos e comerciais não terão êxito. O relacionamento entre a administração Trump e Taiwan tem sido alvo de contínuos ataques da China, especialmente diante de uma proposta de venda de armas dos EUA no valor de US$ 14 bilhões, que permanece em impasse devido às advertências de Pequim.
Historicamente, a gigante taiwanesa do setor de petróleo, a CPC, controlada pelo governo, já havia demonstrado interesse. Em 2025, a empresa assinou uma carta de intenções com a Alaska Gasline Development Corp. (AGDC) para a colaboração no desenvolvimento e na futura compra de gás natural liquefeito. A Coreia do Sul também surge como um potencial parceiro asiático no empreendimento do Alasca, embora tensões recentes entre Seul e Washington tenham surgido em relação à descrição dos compromissos de investimento.
O Ministério da Economia de Taiwan reiterou que o projeto de longo prazo no Alasca é fundamental para promover a diversificação do suprimento de energia, “fortalecendo ainda mais a resiliência energética do nosso país e aprofundando a cooperação entre Taiwan e os Estados Unidos”. O transporte de gás diretamente do Alasca para Taiwan oferece a vantagem de evitar pontos de estrangulamento marítimos críticos, como o Estreito de Ormuz, próximo ao Irã, e o Estreito de Malaca, no Sudeste Asiático. Contudo, essa rota alternativa implica custos de desenvolvimento consideráveis.

Imagem: Reprodução via valor.globo.com
Em um memorando enviado a clientes no início do ano, a consultoria BowerGroupAsia apontou que a CPC de Taiwan mantém uma postura “cautelosa em relação ao investimento”, dada a magnitude do capital exigido e a incerteza quanto aos termos comerciais finais. De acordo com Tsaiying Lu, especialista em energia do Instituto de Pesquisa para a Democracia, Sociedade e Tecnologias Emergentes (DSET), um renomado centro de estudos taiwanês, Taiwan busca elevar a proporção de suas importações de gás natural dos Estados Unidos dos atuais aproximadamente 10% para 25% até o ano de 2029. O projeto no Alasca tem o potencial de impulsionar essa participação para até 30%.
Lu descreve o potencial acordo como “o maior contrato individual de aquisição até o momento” para Taiwan. Além do volume substancial, o arranjo contribuiria significativamente para a diversificação das rotas de transporte de GNL dos Estados Unidos para a ilha. Os principais desafios para a concretização do projeto incluem o elevado volume de investimentos de capital necessários, bem como a construção e manutenção da infraestrutura e dos gasodutos essenciais. Apesar dessas complexidades, a especialista acrescentou que a Coreia do Sul e o Japão também estão explorando planos de investimento que contemplam essas instalações. Isso sugere que os riscos financeiros e operacionais provavelmente seriam compartilhados entre os parceiros envolvidos, embora a participação de Seul e Tóquio ainda não tenha sido oficialmente confirmada.
A cooperação no projeto de GNL no Alasca não apenas reforça a segurança energética de Taiwan ao diversificar suas fontes e rotas de suprimento, mas também aprofunda os laços estratégicos com os Estados Unidos, em um cenário geopolítico cada vez mais complexo. Os desafios de investimento e infraestrutura são significativos, porém o potencial de benefícios para a resiliência energética de Taiwan e para a estabilidade regional é imenso. Para informações adicionais sobre o mercado de gás natural e exportações americanas, consulte dados da Administração de Informações de Energia dos EUA (EIA).
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