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BTG e J&F pediram ‘carta conforto’ para ativos do Banco Master

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A controvertida carta conforto, um documento que busca mitigar riscos jurídicos em operações financeiras, foi o foco de um pedido do BTG Pactual ao Banco Central (BC) em outubro de 2025, visando a aquisição de novos ativos do Banco Master. A revelação foi feita pelo diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, em depoimento à Polícia Federal. O modelo da solicitação seguia o mesmo padrão já empregado pelo grupo J&F na compra da Korv Seguradora, destacando uma prática que visava oferecer segurança jurídica diante de cenários complexos no mercado financeiro.

Segundo o testemunho de Aquino, obtido pela Folha no contexto de uma investigação em curso no Supremo Tribunal Federal (STF), a intenção do BTG era evitar que as transações fossem questionadas futuramente como fraude à liquidação, uma preocupação justificada pela iminente crise que atingia o Banco Master. A instituição bancária de Daniel Vorcaro acabou sendo liquidada no mês subsequente à solicitação, coincidentemente no mesmo dia em que o ex-banqueiro foi detido pela primeira vez pela Polícia Federal, marcando um período de grande instabilidade.

BTG e J&F pediram ‘carta conforto’ para ativos do Banco Master

Naquele período crítico, o então diretor de Fiscalização do BC, Paulo Sérgio Souza, que posteriormente se tornou alvo de investigação por um suposto auxílio ao Master, consultou a área técnica da autarquia. A consulta visava avaliar a viabilidade de emitir um documento ao BTG nos mesmos termos da carta já concedida à J&F, indicando a busca por um precedente para a operação. O cenário de deterioração financeira do Banco Master era evidente, com Daniel Vorcaro empenhado em desfazer-se de ativos para tentar reequilibrar a situação. Tanto o conglomerado J&F quanto o BTG Pactual demonstraram interesse na aquisição de partes do grupo em dificuldades.

A J&F, controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, concretizou a compra da seguradora do Banco Master por meio de sua plataforma PicPay. Por sua vez, o BTG Pactual adquiriu diversos ativos em operações que, segundo as informações prestadas por Ailton de Aquino em seu depoimento, já somavam aproximadamente R$ 1 bilhão até o momento. A operação mencionada por Aquino em outubro de 2025 representaria a segunda transação do BTG envolvendo ativos do Master, evidenciando o interesse contínuo em partes da instituição em crise.

A busca pela “carta conforto” refletia a preocupação do BTG em garantir a segurança jurídica de suas aquisições. O temor central era que, em caso de uma eventual liquidação do Banco Master, as compras pudessem ser contestadas pelos responsáveis pela massa liquidada, gerando incertezas e potenciais perdas. Esse tipo de documento, conforme esclarecido no depoimento, não funcionava como uma autorização formal para a compra dos ativos, mas sim como um mecanismo para reduzir o risco de que a operação fosse posteriormente classificada como irregular após a entrada em liquidação da instituição financeira.

Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central anunciou oficialmente a liquidação extrajudicial do Master, paralisando todas as atividades da instituição e submetendo ao regime de liquidação os negócios que ainda se encontravam sob seu controle. A crise do Master já estava sob o acompanhamento atento do BC há vários meses. Antes da liquidação, o banco havia tentado uma fusão com o BRB, o banco estatal de Brasília, mas essa operação foi barrada pelo Banco Central, pois dependia de sua autorização prévia, que não foi concedida.

Daniel Vorcaro, que estava à frente do conglomerado, tornou-se o principal alvo das investigações da Polícia Federal após a liquidação. O empresário foi preso e é investigado sob suspeita de ter orquestrado a venda de carteiras de crédito supostamente falsas ao BRB. As apurações também visam esclarecer possíveis desvios de recursos do Banco Master para contas pessoais e familiares de Vorcaro, um esquema que teria deixado descoberto o pagamento de mais de R$ 50 bilhões em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) emitidos no mercado financeiro.

BTG e J&F pediram ‘carta conforto’ para ativos do Banco Master - Imagem do artigo original

Imagem: www1.folha.uol.com.br

A situação financeira do Banco Master se agravou substancialmente no período em que a instituição buscava desesperadamente alternativas para captar recursos e diminuir sua exposição a determinados ativos de risco. Foi nesse contexto de urgência e busca por liquidez que surgiram os interessados na aquisição de partes do conglomerado, conforme detalhado no depoimento do diretor Ailton de Aquino. A intervenção e a posterior liquidação do Banco Master exemplificam a complexidade da supervisão bancária e a importância de salvaguardas regulatórias para a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional, um papel fundamental desempenhado pelo Banco Central do Brasil.

Procurados na manhã de quinta-feira (13) para comentar as revelações, o BTG Pactual informou que não se manifestaria. A assessoria da J&F, contatada por e-mail e WhatsApp, também não respondeu aos questionamentos. O Banco Central, por sua vez, procurado por telefone e e-mail, optou por não emitir comentários sobre o assunto, mantendo o silêncio das partes envolvidas na investigação.

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A saga da “carta conforto” e a liquidação do Banco Master sublinham os desafios regulatórios e as implicações jurídicas em um mercado financeiro dinâmico. Para aprofundar seu conhecimento sobre o setor e acompanhar mais análises sobre o mercado financeiro e temas correlatos, continue explorando nossa editoria de Economia.

Crédito da imagem: Raphael Ribeiro – 24.abr.26/Divulgação Banco Central

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