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Caiado e Kassab: PSD formaliza chapa presidencial no domingo

Economia

O Partido Social Democrático (PSD) se prepara para um evento crucial neste domingo (26) em São Paulo: a convenção nacional que oficializará a candidatura do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, à Presidência da República. A estratégia do partido inclui uma chapa “puro-sangue”, com o próprio presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, assumindo a posição de vice. Essa configuração é vista por dirigentes do PSD como um fator facilitador na construção de alianças políticas ao longo da campanha. A experiência de Kassab na articulação, seu trânsito entre diferentes forças partidárias e sua capacidade de formação de maioria no Congresso Nacional são atributos considerados centrais para o sucesso da empreitada eleitoral.

A expectativa é que a composição da chapa, unindo a força política de Caiado com a habilidade de Kassab, fortaleça a imagem do partido e sua capacidade de negociação em um cenário eleitoral complexo. A presença do presidente da legenda como vice-candidato reflete um movimento estratégico para consolidar a base interna do PSD e projetar uma candidatura robusta para a disputa presidencial, mirando especificamente a porção do eleitorado de direita.

Caiado e Kassab: PSD formaliza chapa presidencial no domingo

Além da chapa presidencial, o PSD também deverá confirmar seu apoio à chapa do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, para o Senado. Os nomes em questão são o do secretário da Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite (PP), e do presidente da Assembleia Legislativa paulista, André do Prado (PL), que concorrem às duas vagas em jogo no estado. Conforme apurado pelo Valor, a estratégia delineada prevê que parlamentares do PSD solicitam votos tanto para Caiado quanto para Tarcísio durante a convenção. O objetivo é criar uma associação entre a candidatura presidencial do PSD e o governador paulista, mesmo com Tarcísio tendo manifestado publicamente seu apoio ao pré-candidato do PL, o senador Flávio Bolsonaro (RJ), principal adversário de Caiado na corrida pelo eleitorado de direita.

Contrariando as expectativas iniciais, o governador Tarcísio de Freitas não deverá comparecer à convenção, uma decisão tomada para evitar possíveis atritos com Flávio Bolsonaro. Outro fator que contribuiu para sua ausência foi o incômodo gerado em seu grupo pela divulgação, por Kassab, de um convite que apresentava fotos dos dois pré-candidatos – Caiado e Tarcísio – e reiterava o apoio do PSD tanto à reeleição de Tarcísio quanto à candidatura presidencial de Caiado. Essa iniciativa poderia provocar desconforto na base bolsonarista de apoio ao governador de São Paulo, o que foi considerado na decisão de Tarcísio de não participar do evento.

Entre as personalidades políticas confirmadas para a convenção estão o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), além dos senadores Vanderlan Cardoso (PSD-GO) e Carlos Viana (PSD-MG). O deputado federal Hugo Leal (PSD-RJ) e outras lideranças políticas também deverão marcar presença. A participação de governadores e parlamentares é percebida pela equipe de campanha como um importante termômetro do engajamento da legenda na candidatura de Ronaldo Caiado. Essa avaliação é crucial, considerando que o PSD abriga diversas alas com inclinações políticas distintas, algumas flertando tanto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto com Flávio Bolsonaro, o que impacta diretamente a formação dos palanques estaduais de Caiado.

Diante desse panorama, o ex-governador de Goiás tem buscado apoio de partidos como o União Brasil e o Partido Progressistas (PP), embora ambas as siglas tenham sinalizado uma posição de neutralidade no primeiro turno das eleições. Em declarações à imprensa, o presidenciável do PSD reiterou que pretende procurar amigos e pessoas que o conhecem dentro dessas legendas para angariar suporte. Segundo informações apuradas pelo Valor, Caiado também intensificará sua agenda nas próximas semanas, participando de convenções estaduais do PSD. Ele foi convidado para eventos em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, além de uma convenção no Distrito Federal, programada para os próximos dias. Recentemente, na véspera do evento nacional, em 25 de maio, o pré-candidato já havia participado da convenção estadual do PSD no Paraná, demonstrando seu foco na consolidação de sua candidatura.

Nas últimas semanas, a tônica da campanha de Caiado passou por uma notável mudança. Inicialmente, o foco das críticas estava direcionado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No entanto, sua estratégia evoluiu para uma crítica mais acentuada a Flávio Bolsonaro, influenciada pela sucessão de crises enfrentadas pelo adversário e pela intensa disputa pelo eleitorado de direita. O ex-governador de Goiás tem argumentado que as pesquisas indicam que Flávio seria derrotado pelo presidente Lula em um eventual segundo turno, sugerindo que, por essa razão, o senador seria o adversário preferido do petista. “O Lula trata o Flávio como peru de Natal, trata ele bem no primeiro turno para servir no segundo turno. É essa a realidade”, afirmou Caiado em entrevista à imprensa em Santo Ângelo (RS), reiterando sua percepção sobre a dinâmica eleitoral.

Caiado também utilizou suas redes sociais para criticar Flávio Bolsonaro após a reunião do senador com diplomatas, ocorrida em 21 de maio. Na plataforma X (antigo Twitter), ele declarou que o encontro deveria ter sido aproveitado para fortalecer a imagem do Brasil no exterior, ampliar mercados e atrair investimentos, e não para questionar a lisura do sistema eleitoral brasileiro. “Havia 42 embaixadores numa sala: dava para vender soja, abrir mercado para a indústria e atrair investimentos. Escolheram falar de urna eletrônica!”, escreveu o ex-governador, evidenciando sua visão sobre as prioridades diplomáticas. A função das convenções partidárias e do registro de candidaturas é fundamental para a democracia brasileira, como detalhado pelo Congresso Nacional em matéria sobre o tema.

Na última quinta-feira, 23 de maio, Caiado comparou a reaproximação entre Flávio Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro a um episódio do programa de televisão “Casos de Família”. Embora sem citar diretamente os dois, o ex-governador de Goiás afirmou nas redes sociais que, enquanto “uma família que conhecemos” resolve questões internas, ele está concentrado em um projeto de futuro para tirar o país “das garras do PT”. Essa retórica busca posicioná-lo como uma alternativa focada em propostas concretas para o Brasil, em contraste com o que ele sugere ser disputas personalistas.

Os dados da pesquisa Datafolha divulgada em 24 de maio revelam o cenário atual da corrida presidencial: Caiado aparece com 4% dos votos válidos no primeiro turno, atrás de Lula (45%) e Flávio Bolsonaro (36%), e em empate técnico com Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), ambos com 3%. Esses números evidenciam o desafio de Caiado em solidificar sua posição em um campo de direita disputado, ao mesmo tempo em que aposta na articulação de Gilberto Kassab para angariar o apoio necessário e expandir sua base eleitoral.

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A formalização da chapa Ronaldo Caiado e Gilberto Kassab pelo PSD marca um passo decisivo na corrida presidencial de 2026. Com uma estratégia focada na articulação política e na disputa pelo eleitorado de direita, o partido busca consolidar sua posição em um cenário complexo e competitivo. Para aprofundar seu conhecimento sobre o panorama político brasileiro e as próximas eleições, explore mais artigos em nossa editoria de Política.

Crédito da imagem: Edilson Dantas/30-3-2026

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Imagem: Edilson Dantas via valor.globo.com

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