O aguardado título Castlevania Belmont’s Curse marca um retorno significativo para a venerável franquia de caça-vampiros, que, após anos de hiato em jogos originais, busca revitalizar sua essência. Lançado nesta quinta-feira, dia 15 de outubro, o game está disponível para PC, PlayStation 5, Nintendo Switch e Xbox Series X|S, com uma classificação indicativa de 16 anos e preço de R$ 169,90. O desenvolvimento ficou a cargo da parceria entre Konami e o estúdio francês Evil Empire, prometendo uma experiência que honra o legado e introduz inovações.
Desde 2014, quando “Lords of Shadow 2” foi lançado, a série Castlevania não recebia um jogo original de grande porte. Naquele período, a franquia, outrora aclamada, viu sua marca ser utilizada em outras mídias, como máquinas de pachinko – um tipo de cassino popular no Japão – e um game online que, posteriormente, foi descontinuado. Essa fase, marcada pela ausência do criador Koji Igarashi, deixou os fãs com a esperança de um retorno à glória dos títulos clássicos, que foram revividos em diversas coletâneas para GameBoy Advance e Nintendo DS.
Castlevania Belmont’s Curse: A Saga se Renova com Sucesso
Agora, sob a direção da Evil Empire, o novo “Belmont’s Curse” demonstra que o coração pulsante de Castlevania ainda se mantém, embora com uma abordagem que dialoga com o cenário atual dos jogos. A desenvolvedora, já conhecida por suas expansões para o aclamado “Dead Cells”, assume a responsabilidade de entregar uma experiência que, no mínimo, cumpre o básico de um bom título da série, confirmando que a Konami ainda tem planos ambiciosos para este universo.
O Retorno da Caçadora de Vampiros: História e Personagens
Em “Castlevania Belmont’s Curse”, os jogadores são imersos na pele de Rose Belmont, uma jovem caçadora de vampiros e filha de Trevor Belmont, figura central de “Castlevania 3”, e da feiticeira Sypha Belnades. A narrativa tem início em 1499, quando Rose e seu pai viajam a Paris após um enigmático pedido de socorro do arcebispo local. Rapidamente, a dupla descobre que a cidade está assolada pelo terror, e o chamado não passa de uma elaborada armadilha orquestrada para ressuscitar o temível Drácula.
O principal motor da jornada de Rose é sua busca por vingança. Drácula havia amaldiçoado o sangue de sua mãe, Sypha, e, consequentemente, o dela mesma. Antes de sua morte, Sypha deixou para a filha um misterioso baralho de tarô, cujos segredos Rose começa a desvendar ao longo da aventura. A trama, conhecida por seus exageros e linhas temporais complexas em outros jogos da franquia, adota uma abordagem mais concisa e eficaz em “Belmont’s Curse”, visando introduzir os personagens a novos públicos sem negligenciar os fãs de longa data, que encontrarão diversas referências e conexões.
O enredo habilmente tece elos com figuras memoráveis da saga, incluindo Leon Belmont, de “Lament of Innocence”, e Alucard, do reverenciado “Symphony of the Night” e personagem de destaque na série animada da Netflix. Outros vilões icônicos como a Morte e a Medusa fazem aparições, juntamente com adversários mais obscuros, como Carmilla e Isaac, que foram repaginados com um visual demoníaco e sensual, remetendo ao estilo artístico do jogo “Hades”. Surpreendentemente, a narrativa também abre espaço para figuras históricas como Joana D’Arc, o Rei Artur e Leonor da Aquitânia, adicionando camadas inesperadas à trama.
Mecânicas de Combate e Exploração Inovadoras
A jogabilidade de “Belmont’s Curse” se estabelece como um tradicional jogo de plataforma exploratório em 2D, com um visual tridimensional que se destaca. O estilo “cel shading” confere às figuras uma estética que transita entre uma iluminura e um desenho animado, enquanto a trilha sonora de Danny Asadi combina elementos medievais e futuristas, com coros, cravo e batidas eletrônicas intensas, criando uma atmosfera imersiva e única. A exploração dos labirintos do castelo de Drácula, característica central da franquia, é um dos pontos altos do jogo.
Após derrotar os chefes, Rose os aprisiona em cartas de tarô equipáveis, que concedem a ela uma gama de poderes, como a clássica cruz-bumerangue, feitiços de fogo e habilidades de teletransporte. Esses poderes consomem pontos da barra de magia e são perfeitamente integrados ao sistema de combate fluido do jogo. O grande diferencial, no entanto, reside na utilização do chicote não apenas como arma, mas também como uma ferramenta de travessia. Rose pode usar o chicote para se pendurar em ganchos e balançar por paredes e tetos, adicionando uma camada de verticalidade e agilidade à exploração.
Embora essa habilidade do chicote funcione bem na maior parte do tempo, algumas seções de plataforma exigem precisão, e os controles podem, ocasionalmente, parecer lentos, gerando certa frustração. Contudo, a mecânica se integra de forma mais eficaz aos combates, permitindo que Rose se agarre aos inimigos e voe em sua direção, adicionando um dinamismo que remete à fluidez de “Dead Cells”. Essa abordagem difere dos protagonistas mais “travadões” habituais da série, mas, após algumas horas, as batalhas podem se tornar repetitivas devido à diversidade limitada de oponentes e aos ciclos de porradaria e cura, onde é possível beber até três poções de vida.

Imagem: www1.folha.uol.com.br
Ambição e Design de Níveis
A jornada de Rose a leva por diversos cenários, desde as ruas e catacumbas de Paris até os cemitérios e a imponente Catedral de Notre-Dame, antes de finalmente adentrar as torres do castelo de Drácula. Cada região exibe uma personalidade distinta e abriga segredos que são gradualmente revelados à medida que Rose conquista novas habilidades, como uma esquiva aérea, pulo duplo e uma aura que permite atravessar paredes e defletir ataques. Essa progressão de habilidades incentiva a revisitar áreas anteriores, uma característica clássica do gênero metroidvania.
Após um início mais linear, “Castlevania Belmont’s Curse” libera o jogador para explorar o mundo com maior liberdade. Essa abertura, embora bem-vinda, pode levar a becos sem saída, exigindo que o jogador retorne por caminhos extensos e, por vezes, pouco inspirados. Embora os fãs do gênero estejam habituados a esse tipo de design, a impressão de imperfeições no mapa pode surgir, especialmente quando a navegação se torna um fardo. No entanto, quando o jogo engrena, a jornada é recompensadora, oferecendo um senso de progressão similar ao de “Symphony of the Night”.
A personagem Rose brilha ao subir de nível, e a vasta variedade de armas – sete categorias, incluindo espadas, lanças e manoplas – juntamente com os acessórios que modificam seus status de ataque, defesa e vida, permite que cada jogador personalize sua abordagem. A Konami, desenvolvedora de longa data no cenário dos videogames, trouxe de volta uma de suas sagas mais prestigiadas. A evolução da indústria de jogos, com estúdios como a Evil Empire, mostra a capacidade de revitalizar clássicos, como pode ser observado em artigos sobre o desenvolvimento de games modernos e sua interação com franquias estabelecidas.
É importante notar que muitos dos itens e armas mais interessantes só são acessíveis nas fases finais do jogo, o que limita a oportunidade de testá-los sem ter que refazer longos trechos. Felizmente, “Belmont’s Curse” se distancia da onda de jogos de alta dificuldade inspirados em “Dark Souls”, que muitas vezes priorizam a punição em vez da diversão. Aqui, a filosofia é permitir que o jogador se levante e siga em frente após a morte, focando na acessibilidade e na jornada. A Evil Empire, de fato, conseguiu trazer Castlevania de volta à vida, mas, como o artigo original sugere, talvez não à vanguarda da inovação no cenário atual dos videogames.
Confira também: Investir em Imóveis na Região dos Lagos
Em síntese, “Castlevania Belmont’s Curse” é um lançamento que, apesar de não redefinir o gênero, entrega uma experiência sólida e divertida, capaz de agradar tanto os veteranos da série quanto os novos jogadores. Com uma trama envolvente, mecânicas de combate e exploração refinadas e um estilo visual marcante, o jogo é uma celebração da rica história de Castlevania. Para continuar acompanhando as últimas novidades e análises do mundo dos jogos, clique aqui e explore nossa editoria de Análises.
Crédito da imagem: Arte de Katsuya Terada para o game ‘Castlevania: Belmont’s Curse’ – Divulgação







