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Debêntures de Infra: Rendimento Maior Vira Aposta Pós-Eleição

Economia

O cenário de investimentos em renda fixa vivenciou uma notável reviravolta para as debêntures de infraestrutura. Esses títulos, que nos últimos dois anos se destacaram pela atratividade de sua isenção de Imposto de Renda, apresentaram uma queda nos juros na semana seguinte ao primeiro turno das eleições presidenciais. Tal movimento acompanhou as taxas das Notas do Tesouro Nacional Série B (NTN-Bs), atreladas ao IPCA com juros semestrais. Contudo, o que capturou a atenção de gestores e analistas foi o aumento do *spread*, a diferença entre os papéis privados e os títulos governamentais, que se tornou mais expressivo.

Para aqueles que já possuíam títulos mais antigos, a valorização imediata pela marcação a mercado trouxe ganhos. Além disso, especialistas identificam uma oportunidade singular para novos investidores que buscam adquirir esses papéis ou aplicar em fundos de infraestrutura, os quais também usufruem da mesma isenção tributária. Conforme dados da Vitrify, plataforma especializada em crédito privado, a taxa média de 213 debêntures incentivadas corrigidas pelo IPCA recuou de 8,64% em 2 de outubro para 8,08% em 8 de outubro, uma redução de 0,56 ponto percentual. No mesmo período, as taxas das NTN-Bs registraram uma queda mais acentuada, de 0,75 ponto, o que elevou o *spread* médio em relação aos títulos do Tesouro de prazos equivalentes de 1,08 para 1,27 ponto percentual. A vantagem para o investidor é ainda mais significativa quando se considera que as debêntures de infraestrutura são isentas de Imposto de Renda.

Debêntures de Infra: Rendimento Maior Vira Aposta Pós-Eleição

Historicamente, as debêntures incentivadas já demonstravam um prêmio mais elevado em setembro, após um período desafiador marcado por uma redução nos *spreads*, preocupações com renegociações de dívidas de grandes companhias e solicitações de recuperação extrajudicial. Dados da Vitrify indicam que o *spread* mediano – uma medida menos suscetível a influências de papéis de maior risco do que a média – iniciou o ano em patamar negativo, com -0,22 ponto percentual em janeiro, posicionando-se abaixo dos juros da NTN-B.

Com a diminuição do interesse dos investidores, os fundos de infraestrutura registraram resgates, e o mercado observou poucas emissões de novos títulos. Esse cenário contribuiu para que o *spread* mediano voltasse ao campo positivo em setembro, atingindo 0,15 ponto acima da NTN-B. Simultaneamente, na faixa de maior risco, o *spread* ascendeu de 1,57 para 2,95 pontos no mesmo intervalo. Outro levantamento, conduzido com uma metodologia distinta pela IDEX Analytics, da Leto Capital, reforça essa tendência. Na semana anterior, o índice IDEX Infra registrou um *spread* médio de 1,19 ponto percentual para as debêntures de infraestrutura, superando, pela primeira vez desde 2021, o *spread* das demais debêntures, que foi de 1,14 ponto, conforme detalhado por Antônio Pedro Teixeira, sócio e gestor de portfólios da Leto Capital. Isso significa que, mesmo contando com a isenção fiscal, as debêntures de infraestrutura passaram a oferecer um prêmio superior em comparação a outros tipos de debêntures. Teixeira sublinha que essa vantagem é ainda mais acentuada, pois os índices não incorporam a isenção de imposto sobre o rendimento.

A Panamby Capital, em relatório recente, afirmou que as taxas de juros desses títulos já apresentavam um patamar atrativo mesmo antes do agravamento recente, e agora, chamam ainda mais a atenção do mercado. A gestora complementa que, apesar de um ambiente técnico desfavorável no curto prazo, o nível das taxas para os títulos isentos de IR é convidativo, indicando um bom ponto de entrada para investidores. Ricardo Ara, gestor da Legacy Capital, atribui a alta dos *spreads* e a virtual paralisação das emissões primárias nos últimos meses a fatores interligados. Ele projeta que o ano pode encerrar com menos de R$ 100 bilhões em emissões primárias de debêntures de infraestrutura, representando uma queda de mais de 50% em comparação com os anos de 2025 e 2024. Até o mês de agosto, os dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) indicavam a emissão de R$ 72,8 bilhões em debêntures incentivadas, um volume 25% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior. Somente em agosto, o montante alcançou R$ 170 milhões.

Ara explica que o principal fator que impulsionou essa dinâmica foi o volume de resgates em fundos de infraestrutura, que tradicionalmente figuravam entre os maiores adquirentes desses ativos. Esses fundos captaram R$ 9,6 bilhões no acumulado do ano até agosto, um contraste significativo com os R$ 68 bilhões captados no mesmo período de 2025. Ademais, registraram resgates contínuos de abril a julho, culminando em uma saída líquida de R$ 19,1 bilhões nesse intervalo, de acordo com a Anbima. A baixa rentabilidade, somada a incidentes como renegociações de dívida e recuperações extrajudiciais, também contribuiu para afastar os investidores. O Índice de Debêntures Anbima IPCA de Infraestrutura acumulou uma alta de 8,07% no ano até 8 de outubro, enquanto o CDI, no mesmo período, avançou 10,84%, mesmo com o salto de 3,75% em outubro, impulsionado pela surpresa no resultado eleitoral.

Um segundo fator relevante, apontado por Ara, reside no fato de que muitas empresas anteciparam suas necessidades de emissão no ano anterior. Essa estratégia visava evitar o período eleitoral e capitalizar sobre os *spreads* mais baixos disponíveis. Empresas que não possuíam tradição em infraestrutura, como usinas de açúcar e etanol, conseguiram acessar o mercado em 2025, o que, consequentemente, diminuiu a oferta de novos títulos neste ano, conforme ressaltado pelo gestor. Mais recentemente, o cenário internacional, caracterizado por uma forte elevação das taxas de juros nos Estados Unidos, exerceu pressão adicional. Na amostra acompanhada pela Legacy Capital, os *spreads* sobre a NTN-B aumentaram entre 0,10 e 0,15 ponto percentual em setembro, passando de 0,50 ponto para uma faixa de 0,60 a 0,65 ponto, os maiores níveis desde 2024. Após o primeiro turno eleitoral, Ara estima que o *spread* atual se situa em 0,90 ponto acima da NTN-B.

Debêntures de Infra: Rendimento Maior Vira Aposta Pós-Eleição - Imagem do artigo original

Imagem: infomoney.com.br

O gestor da Legacy Capital demonstra otimismo, esperando que os *spreads* se estabilizem com a definição do quadro eleitoral e a emergência de um cenário mais favorável para as empresas, impulsionado por juros mais baixos e maior previsibilidade econômica. Adicionalmente, após a recente e significativa abertura dos *spreads*, os níveis das debêntures incentivadas de alguns emissores superam os das emissões não incentivadas, um fator que deve atrair um volume maior de compras. Em um contexto de declínio das taxas de juros, Ara considera extremamente atraentes os fundos de infraestrutura que mantêm sua remuneração atrelada ao IPCA em vez do CDI. Esses fundos, segundo ele, têm a capacidade de capturar o ganho de capital proveniente da marcação a mercado de títulos mais antigos, sem a incidência de impostos.

Ara também enfatiza a existência de um mercado secundário robusto para debêntures, com um volume diário de negociações que gira em torno de R$ 2 bilhões, sendo metade desse montante destinada a títulos de infraestrutura. Esse dinamismo do mercado assegura liquidez tanto para o investidor individual quanto para os fundos, evitando oscilações mais acentuadas nos *spreads*. Os dados da Anbima mostram a captação líquida dos fundos de infraestrutura nos últimos anos: R$ 7,967 bilhões em 2022, R$ 13,838 bilhões em 2023, R$ 116,803 bilhões em 2024, R$ 116,951 bilhões em 2025, e R$ 9,623 bilhões até agosto de 2026. Fernando Biral, sócio sênior da MAPA Capital, observa que os investidores em debêntures de infraestrutura estão cada vez mais rigorosos e adotam premissas mais conservadoras, dadas as complexidades e desafios enfrentados pelos setores de energia, saneamento e rodovias. Há uma preocupação crescente em validar modelos financeiros e verificar a demanda em projetos de rodovias, além de acompanhar de perto a execução das obras e cláusulas de desempenho, como restrições à distribuição de dividendos em casos de endividamento excessivo. Biral esclarece que o mercado não está fechado, em parte pela presença de investidores cativos, mas observa um aumento no rigor e uma reprecificação das taxas. Ele lembra que, no final do ano anterior, as debêntures de infraestrutura chegavam a remunerar menos que as NTN-Bs e, atualmente, oferecem até 0,80 ponto percentual acima nos papéis de menor risco, somando-se a isso a isenção de Imposto de Renda. Para um título com prazo de 10 ou 15 anos, este ganho é considerado expressivo. Além do benefício de um ganho relativo superior, analistas alertam para os possíveis impactos de uma futura tributação sobre esses ativos, um tema que gera discussões entre os gestores do setor.

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Em suma, as debêntures de infraestrutura emergiram como um destaque no cenário financeiro pós-eleição, impulsionadas pelo aumento do *spread* e pela atratividade da isenção de Imposto de Renda. Apesar de desafios recentes, o mercado observa uma reprecificação favorável e um novo ponto de entrada para investidores. Para aprofundar seu conhecimento sobre o mercado financeiro e as tendências econômicas que impactam seus investimentos, continue explorando nossa editoria de Economia.

Crédito da imagem: Divulgação

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