O debate sobre a comunicação com colaboradores e seus desafios contemporâneos marcou o início do 5º Fórum Empresas que Melhor se Comunicam com Colaboradores. Iniciado nesta segunda-feira, 15 de abril, o evento, que se estenderá até terça-feira, 16 de abril, reúne especialistas e profissionais da área para uma profunda reflexão sobre o papel vital da comunicação corporativa em um ambiente caracterizado por excesso de informações, desconfiança generalizada e contínuas transformações. A iniciativa busca ir além da simples transmissão de dados, propondo caminhos para que a comunicação se torne uma ferramenta estratégica e não apenas um “ruído” constante, como destacado pelos organizadores.
Com acesso gratuito, o fórum permite acompanhamento ao vivo através das redes sociais da Melhor RH. Para aqueles que não puderem participar em tempo real, todas as discussões e painéis serão gravados e disponibilizados no canal oficial da Melhor RH no YouTube, garantindo que o conhecimento gerado seja acessível a um público amplo e diversificado.
A abertura oficial do evento foi conduzida por Márcio Cardial, diretor do Cecom – Centro de Estudos da Comunicação e publisher das plataformas Negócios da Comunicação e Melhor RH. Em sua fala, Cardial enfatizou o cenário paradoxal da comunicação interna atual, onde a abundância de ferramentas e conteúdos não se traduz automaticamente em maior alinhamento ou engajamento. Ele ressaltou que, apesar de as empresas produzirem mais conteúdo e utilizarem mais canais do que nunca, os desafios relacionados à confiança, à cultura organizacional e à conversão de mensagens em entendimento efetivo persistem. Diante deste contexto, o 5º Fórum Empresas que Melhor se Comunicam com Colaboradores se estabelece como um espaço crucial para valorizar experiências bem-sucedidas, expandir repertórios e fortalecer a comunicação com colaboradores como um pilar estratégico para a cultura, o engajamento e, consequentemente, os resultados empresariais.
5º Fórum Discute Comunicação com Colaboradores e Desafios Atuais
Infotoxicação e a Gestão da Informação
O primeiro dia do fórum foi marcado por seis painéis temáticos, com o inicial abordando “O silêncio é de ouro – Na era da ansiedade corporativa, falar menos pode ser a melhor estratégia”. Este debate aprofundou-se no conceito de infotoxicação, o excesso de informações que afeta negativamente a comunicação interna nas organizações. Participaram Marcelo Cosentino, gerente sênior de Comunicação na Edenred; Juliana Annunciato, gerente de Comunicação Interna na Natura; e Daniel Sena, gerente executivo de Comunicação, Cultura e Employer Branding no Mercado Livre.
Daniel Sena, do Mercado Livre, iniciou a discussão enfatizando que nem todos os colaboradores estarão cientes de tudo simultaneamente, e a comunicação não conseguirá abordar todos os temas. A estratégia adotada por sua empresa consiste em compreender os propósitos de cada projeto e sua conexão com os objetivos corporativos, permitindo a definição de segmentação, público-alvo, *timing* e canal adequados. Marcelo Cosentino, da Edenred, complementou a visão, salientando a importância de a comunicação entender seu papel no processo, evitando a aceitação indiscriminada de todas as demandas de divulgação e focando no que é realmente importante. Juliana Annunciato, da Natura, destacou que a Comunicação Interna atua para garantir a qualidade da experiência comunicacional dos colaboradores, com o objetivo de fortalecer a compreensão da cultura e das estratégias da empresa, além de fomentar o encantamento pela marca e pelo negócio. Ela reforçou a necessidade de filtrar as solicitações das áreas.
Transparência e Liderança no Ambiente Corporativo
O painel seguinte, “Transparência em cena – Como quebrar o padrão do teatro corporativo que ninguém mais compra”, reuniu Caio Ferracina, coordenador sênior de Comunicação Interna e Marca Empregadora na Latam Airlines Brasil; Carina Almeida, sócia-fundadora da Textual Comunicação; e Filipe Xavier, *head* de Comunicação, ESG e Branding na GE Healthcare. Filipe Xavier discorreu sobre a influência do comportamento humano nas comunicações, argumentando que a transparência é fundamental para diferentes públicos e que não existe uma separação real entre os ambientes virtual e offline. Ele enfatizou o apoio aos líderes como multiplicadores de informações internas.
Caio Ferracina, da Latam, relembrou o processo de transformação cultural da empresa durante a pandemia, destacando um forte viés de transparência para acionistas, passageiros, funcionários e a sociedade em geral, inclusive durante a maior crise do setor aéreo. Para ele, essa crise gerou oportunidades, e a palavra de ordem atual é “propósito”. Carina Almeida abordou o tema da liderança em tempos de incerteza, salientando que comunicar com transparência transmite cuidado, um valor essencial atualmente. Ela frisou a importância de mensagens bem elaboradas para públicos distintos, sempre alinhadas às atitudes e valores das lideranças.
Engajamento e Performance: Uma Relação Complementar
Na sequência, o painel “Sem indireta – Comunicação interna pode cobrar performance ou só engajar?” contou com a participação de Lígia Rocca, sócia-diretora na Involv; Denise Pragana, gerente de Comunicação Interna do Grupo Trama Reputale; e Mariana Augusto, Gerente Sênior de Comunicação na Arcos Dourados. Denise Pragana iniciou afirmando que não há dicotomia entre engajamento e performance, considerando-os complementares, com o engajamento sendo o caminho para a performance. Como professora universitária, ela explicou que engajamento é um estado psicológico que gera comportamento, caracterizado por energia, envolvimento e absorção, e que o protagonismo é crucial para que isso ocorra.
Mariana Augusto, da Arcos Dourados, observou que, embora as campanhas de comunicação interna no passado fossem mais ligadas a celebrações, sempre estiveram conectadas a resultados e engajamento. Atualmente, a comunicação assertiva exige compreensão das prioridades da empresa e da conexão do trabalho individual com esses objetivos. Ela citou um estudo da Gallup de 2023, que revelou que apenas 20% dos trabalhadores globais estavam engajados, resultando em uma perda estimada de 10 trilhões de dólares em produtividade. Lígia Rocca finalizou a discussão enfatizando a relevância dos rituais recorrentes para que o colaborador se sinta parte do processo. Para ela, a comunicação se torna estratégia quando o colaborador compreende o que está acontecendo, sua importância e as mudanças que isso acarreta para si.
O Descontrole das Narrativas na Comunicação Interna
O painel “No controle da narrativa – Informalidade, grupos paralelos e a perda da estratégia na rotina” reuniu Daniela Bertoncini Simões, consultora de Comunicação Interna e Responsabilidade Social na Boehringer Ingelheim; Gabriela Teixeira, especialista em Branding, Comunicação e Inovação no Banco Mercantil; e Adevani Rotter, fundadora e presidente da Ação Integrada. Adevani Rotter contextualizou o tema didaticamente, descrevendo a evolução da comunicação de 1.0 (mão única) a 4.0 (curadoria das narrativas). Na fase 4.0, que representa 8% das empresas, a área de comunicação migra de controladora e produtora para curadora das narrativas, reconhecendo o descontrole da narrativa como realidade.

Imagem: melhorrh.com.br
Daniela Bertoncini Simões concordou com a classificação, exemplificando que, em sua empresa, a comunicação incentiva o protagonismo dos colaboradores em diversos canais. Ela mencionou o lançamento de uma rede social interna que gera engajamento e o redirecionamento das newsletters para temas de interesse dos colaboradores, aumentando a taxa de abertura. Gabriela Teixeira, do Banco Mercantil, compartilhou experiência similar, com curadoria de conteúdo e newsletters segmentadas. Ela avaliou que o receio da comunicação em perder o controle prejudica a implementação de processos mais modernos, descentralizados e participativos, em linha com os debates do Fórum. Afinal, a informalidade já existia antes.
Comunicação Empática e Conversas Difíceis
O penúltimo painel abordou “Comunicar é preciso – Liderar também é saber ter conversas difíceis”, com Claudia Góes, diretora de Comunicação na Microsoft Brasil; Leonardo Wollinger, diretor de Criação e Conteúdo na Clima Comunicação; e Lucila Cestariolo, diretora regional de Comunicação e Relações Governamentais na Alcoa. Lucila Cestariolo enfatizou que a comunicação interna eficiente deve atender aos desafios do negócio, estando diretamente conectada à estratégia da organização e aos desafios locais, mantendo uma voz única em nível nacional, mesmo em empresas dispersas geograficamente.
Leonardo Wollinger complementou, destacando que a liderança se manifesta em momentos desconfortáveis, como na mediação de conflitos e no fornecimento de *feedbacks*. A comunicação empática, segundo ele, tornou-se tão estratégica quanto qualquer outra habilidade de liderança. Claudia Góes exemplificou com a Microsoft, que, há 12 anos, com a mudança de CEO, adotou uma nova visão cultural: de “empresa que sabe tudo” para “cultura de aprende tudo”. Isso implica que todos os colaboradores estão em constante aprendizado e reaprendizado, exigindo que os líderes deem o exemplo e promovam segurança psicológica para errar e evoluir.
A Liberdade de Expressão dos Colaboradores e seus Riscos
O evento encerrou com o painel “Riscos da liberdade – Colaboradores têm se expressado mais e impactado marca, clima e *compliance*”, com Pâmera Ferreira, gerente de Pesquisa e Inteligência em Comunicação Corporativa na P3K; Claudia Cezaro Zanuso, sócia-diretora na Duecom Comunicação Corporativa; Julia Nassur, coordenadora de Comunicação Interna na Wilson Sons; e Maíra Moreira, analista de Comunicação da ArcelorMittal. Claudia Cezaro Zanuso argumentou que a liberdade em si não é um risco, mas sim a sua negligência ou a falta de um processo comunicacional que a contemple. Ela citou pesquisa indicando que 50% dos colaboradores já publicam mensagens, fotos e vídeos em suas redes sociais sobre a empresa, muitas vezes sem preparação prévia.
Julia Nassur, da Wilson Sons, mencionou que sua empresa, com um grande público operacional e limitado acesso a canais digitais, viu colaboradores compartilharem informações sobre a marca com orgulho em suas redes. A solução foi a criação de um manual de boas práticas. Ela também destacou que, embora a Inteligência Artificial possa ser usada pelos colaboradores, deve estar alinhada às políticas de marca da empresa. Pâmera Ferreira compartilhou a experiência de democratizar a comunicação interna, valorizando o orgulho de pertencer dos colaboradores e incorporando isso aos canais internos. Maíra Moreira, da ArcelorMittal, relatou o sucesso de um aplicativo interno, um *hub* de conteúdo e serviços acessado mensalmente por 5 mil colaboradores, com 30 mil visualizações. O *feed* aberto permite que qualquer um poste, defendendo a abertura e o empoderamento, com a comunicação sempre monitorando o conteúdo. A efetividade da comunicação corporativa, segundo os especialistas, está diretamente ligada à capacidade da organização de gerenciar essa nova dinâmica de liberdade e participação.
A discussão sobre a eficácia da comunicação corporativa em um cenário de constantes mudanças, excesso de informações e crescente demanda por transparência demonstra a relevância de eventos como o 5º Fórum Empresas que Melhor se Comunicam com Colaboradores. Os insights e as estratégias compartilhadas pelos especialistas reforçam que a comunicação interna é uma alavanca fundamental para o sucesso e a sustentabilidade organizacional. Para aprofundar seu conhecimento em estratégias de comunicação corporativa eficazes, você pode consultar estudos e artigos relevantes, como este sobre como construir uma estratégia de comunicação corporativa.
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Este fórum de destaque oferece um panorama completo dos desafios e oportunidades na interação entre empresas e seus funcionários, essencial para qualquer profissional de RH e comunicação. Para continuar explorando temas cruciais sobre o mundo corporativo e análises aprofundadas, convidamos você a navegar por outras matérias em nossa editoria de Economia.
Crédito da Imagem: Portal Melhor RH







