A recente colisão de dois jatos da Marinha dos Estados Unidos durante um show aéreo em Idaho reacendeu o debate sobre os Custos Exibições Jatos Marinha EUA e os riscos associados à utilização de aeronaves militares multimilionárias e suas tripulações em apresentações para fins de entretenimento. Este incidente, ocorrido no último fim de semana, trouxe à tona questionamentos recorrentes sobre a justificativa para tais investimentos e potenciais perigos.
O acidente em questão envolveu dois jatos EA-18 Growler da Marinha, aeronaves especializadas em guerra eletrônica, baseadas na plataforma do renomado caça F/A-18. A colisão aconteceu no domingo, dia 17, durante o evento Gunfighter Skies Air Show, sediado na Mountain Home Air Force Base. Essas aeronaves pertenciam ao Electronic Attack Squadron 129, com base em Whidbey Island, Washington, e eram pilotadas por integrantes do Growler Airshow Team.
Marinha dos EUA: Colisão de Jatos Questiona Custos de Exibições
Após o impacto aéreo, os quatro tripulantes a bordo dos jatos conseguiram ejetar com êxito. Segundo comunicado oficial da Marinha, apenas um dos pilotos necessitou de atendimento hospitalar, recebendo tratamento para ferimentos que não representavam risco de morte. A ocorrência gerou repercussão imediata e levantou discussões acerca da segurança e do dispêndio de recursos em relatórios do Departamento de Defesa dos EUA. Em maio, equipes de resgate já haviam sido mobilizadas para um incidente similar durante o show aéreo Gunfighter Skies na Base Aérea de Mountain Home, em Idaho, onde um locutor confirmou ao público o resgate dos quatro pilotos.
Investimento Multimilionário em Jatos Militares
Os custos associados aos Growlers são significativos. Conforme uma ficha técnica da Marinha de 2021, cada jato EA-18 Growler tem um valor estimado de US$ 68 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 340 milhões. Contudo, é importante notar que os custos de reposição seriam substancialmente mais altos, considerando que a produção desses modelos de jatos EA-18 já foi encerrada, embora a Boeing ainda fabrique F/A-18s.
Além do custo de aquisição, os gastos operacionais dos jatos da família F/A-18 também são expressivos. Dados de um comunicado de imprensa da Boeing de 2022 indicam que os custos de operação giram em torno de US$ 20 mil por hora, o que se traduz em aproximadamente R$ 100 mil. Diante desses valores exorbitantes, a questão central permanece: qual a justificativa para arriscar equipamentos de tal valor e a vida de tripulantes altamente treinados em apresentações de entretenimento?
O Propósito dos Shows Aéreos Militares
O Growler Airshow Team é apenas uma das muitas equipes de demonstração que integram as Forças Armadas dos EUA. Essas unidades realizam manobras aéreas ousadas em diversos shows ao longo do ano. As mais célebres são os Blue Angels da Marinha e os Thunderbirds da Força Aérea, que há décadas encantam plateias em dezenas de eventos anuais com suas aeronaves caracteristicamente pintadas.
Os orçamentos detalhados de cada equipe de voo não são divulgados publicamente. Apesar de várias solicitações da CNN, o Pentágono não forneceu os valores específicos de gastos. No entanto, uma análise de custo-benefício realizada em 2012 por três oficiais da Marinha, enquanto frequentavam a escola de pós-graduação na Califórnia, estimou o orçamento dos Blue Angels em aproximadamente US$ 98,6 milhões. Esse montante cobria despesas com pessoal, viagens, manutenção de aeronaves e equipamentos, além dos custos operacionais e de suporte.
Análise de Custo-Benefício e Retorno sobre o Investimento
O estudo de 2012 revelou um desequilíbrio significativo na relação custo-benefício da equipe Blue Angels da Marinha. Com um investimento anual superior a US$ 98 milhões, a Marinha obteve menos de US$ 1 milhão em benefícios de recrutamento. Os oficiais concluíram que isso representava um retorno sobre o investimento (ROI) negativo de 99% especificamente na captação de novos membros.
Considerando-se o “boa vontade” gerado pelos shows – que inclui benefícios econômicos para as comunidades anfitriãs –, a relação custo-benefício melhorou, mas ainda resultou em um ROI negativo de 41%. A conclusão do estudo foi clara: os custos superavam os benefícios. Em 2024, o Congresso solicitou ao Pentágono a realização de um novo estudo de custo-benefício, mas até o momento, as Forças Armadas não tornaram públicos os dados.
A Importância das Equipes de Demonstração Menores
As dezenas de milhões de dólares gastos com os Blue Angels e os Thunderbirds representam apenas uma fração do alcance comunitário do Pentágono. John Venable, pesquisador sênior residente do Mitchell Institute for Aerospace Studies e ex-piloto de caça da Força Aérea dos EUA, explicou que as duas equipes combinadas conseguem cobrir apenas cerca de 70 dos 325 a 350 shows aéreos anuais na América do Norte. É nesse ponto que unidades de demonstração menores, como a equipe Growler, se tornam cruciais.
“Tanto a Força Aérea quanto a Marinha valorizam muito os locais menores que não conseguem receber um grande time de jatos, e é por isso que times como o EA-18G Growler Demonstration Team existem”, afirmou Venable. Ele acrescentou que os serviços criaram pequenas equipes de demonstração que, mediante solicitação, podem atender a essas comunidades, oferecendo a oportunidade de presenciar voos militares que, de outra forma, não seriam possíveis. Venable concluiu que, embora os Thunderbirds estivessem programados para o show em Mountain Home, as Forças Armadas ocasionalmente adicionam equipes de demonstração menores, como os Growlers, quando a agenda permite.
Os Perigos Inerentes aos Shows Aéreos
Seja com equipes de demonstração em tempo integral ou unidades menores como os Growlers, os voos em shows aéreos são inerentemente arriscados. As aeronaves realizam voos em formação, próximas umas das outras e a baixas altitudes, viajando a centenas de quilômetros por hora. Histórico de acidentes fatais servem como um lembrete sombrio desses perigos.
Entre os incidentes mais notórios estão o “Diamond Crash” de 1982 no Arizona, que resultou na morte de quatro pilotos dos Thunderbirds durante um voo de treinamento. Em 1994, um bombardeiro B-52 caiu durante um treinamento para um air show em Washington, com a investigação apontando manobras perigosas e inadequadas para uma aeronave de oito motores. Mais recentemente, em 2018, um major da Força Aérea perdeu a vida em uma sessão de treinamento, e em 2016, um piloto dos Blue Angels faleceu em um acidente antes de uma apresentação no Tennessee.
Benefícios para Relações Públicas e Recrutamento
Apesar dos perigos e dos dados financeiros apresentados no estudo de 2012, os militares continuam a considerar as demonstrações como um risco que vale a pena. John Venable ressaltou que “a maioria (das pessoas) não consegue ver ou subestima muito os benefícios para as relações públicas e o recrutamento, mas ambos são consideráveis”. Os shows aéreos têm a capacidade de atrair dezenas, ou até centenas de milhares de espectadores em um único fim de semana.
Esse engajamento massivo, segundo Venable, pode criar um “tecido conectivo” entre a comunidade civil e as forças armadas, além de gerar reconhecimento pelo trabalho realizado pelos militares. “O verdadeiro propósito de um show aéreo militar é dar às pessoas uma noção da precisão e do profissionalismo dos militares a pessoas que, de outra forma, não teriam a oportunidade de vê-los e, em alguns poucos especiais, despertar o desejo de servir”, concluiu.
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A discussão sobre os custos e benefícios das exibições aéreas militares, impulsionada por acidentes como a recente colisão de jatos da Marinha dos EUA, continua a ser um tema relevante. Enquanto os custos são altos e os riscos evidentes, as Forças Armadas defendem o valor dessas demonstrações para o recrutamento e a conexão com a sociedade. Continue acompanhando nossa editoria de Política para mais análises sobre orçamentos de defesa e operações militares.
Crédito da Imagem: Henk Zuurbier/AP via CNN Newsource






