A controvérsia envolvendo a senadora paraguaia Celeste Amarilla e o atacante francês Kylian Mbappé escalou rapidamente após um ataque racista proferido pela parlamentar em redes sociais. Embora Amarilla tenha se retratado de suas palavras iniciais na última terça-feira (7), ela reiterou sua posição de defesa aos jogadores paraguaios na Copa do Mundo e passou a exigir uma retratação do astro do futebol, que a havia descrito como uma “mulher desprezível”.
O incidente teve início na segunda-feira (6), quando a senadora, figura da oposição no Congresso do Paraguai, publicou um extenso e controverso texto na plataforma X (antigo Twitter). Na postagem, ela descreveu Mbappé com termos altamente ofensivos, referindo-se a ele como um “camaronês colonizado, fingindo com esforço ser francês”, além de classificá-lo como “ressentido, novo rico, arrogante e feio” e um “bruto que não havia aprendido a escrever”. Tais declarações geraram imediata repercussão e condenação internacional.
Senadora Paraguaia Ataca Mbappé e Exige Retratação Pública
Em resposta às acusações, o capitão da seleção francesa, Kylian Mbappé, emitiu um comunicado veemente. Ele qualificou a senadora como uma “mulher desprezível e indigna de seu cargo”, argumentando que suas declarações não representavam o Paraguai, país que, segundo ele, demonstrou “suor, paixão e honra” ao longo de toda a competição. A troca de farpas elevou o tom da discussão, transformando o debate inicial sobre futebol em um incidente de proporções diplomáticas.
Horas após a publicação original e a resposta de Mbappé, a senadora Amarilla removeu sua postagem ofensiva. Em seu lugar, ela divulgou uma carta aberta ao jogador, na qual o acusava de ter demonstrado uma “conduta arrogante e desdenhosa” em relação aos atletas paraguaios durante a partida das oitavas de final da Copa do Mundo. O confronto, realizado no sábado anterior, culminou na vitória da equipe europeia por 1 a 0, eliminando o Paraguai da competição.
Na carta, Amarilla expressou um arrependimento parcial por sua linguagem, afirmando: “Me arrependi de ter te tratado mal com os mesmos insultos que recebo, porque também sou desprezada por ser morena e latina – nos chamam de sudacas – me arrependi e apaguei a postagem.” Contudo, essa retratação veio acompanhada de uma exigência: “Agora exijo que você também se retrate comigo e me peça desculpas. Também não vou tolerar a sua violência”, declarou a senadora, invertendo a responsabilidade por parte da escalada verbal.
Em uma coletiva de imprensa concedida na terça-feira, a senadora Celeste Amarilla reforçou sua posição de não pedir desculpas a ninguém por ter defendido os jogadores de sua nação. “Eu me retratei, agora é a vez dele se retratar comigo”, declarou. A parlamentar ainda lançou um aviso direto ao jogador francês: “Não se meta com os paraguaios, Mbappé; aqui já prendemos o Ronaldinho”, em uma clara alusão ao famoso craque brasileiro que passou um mês detido e outros quatro em prisão domiciliar no Paraguai em 2020, por porte de documento falso. Ela encerrou sua fala com um desafio: “E não me subestime.”
O incidente ganhou repercussão internacional e levou a Federação Francesa de Futebol (FFF) a elevar a questão a um patamar legal. Na segunda-feira, a FFF anunciou sua intenção de apresentar uma denúncia criminal contra Celeste Amarilla, classificando os comentários da senadora como “absolutamente abomináveis e inaceitáveis”. A federação demonstrou seu compromisso em combater o racismo e a xenofobia no esporte, buscando responsabilizar legalmente os autores de tais ataques.

Imagem: infomoney.com.br
Diante da ameaça de processo por parte da FFF, Amarilla se defendeu, questionando a legitimidade da entidade para agir contra ela. “Eles não têm legitimidade para me processar. O único que pode me processar é o Mbappé, e eu a ele. Podem fazer o que quiserem”, afirmou a senadora, reiterando sua percepção de que a disputa é pessoal entre ela e o jogador. Ela também mencionou experiências passadas: “Já percorri toda a Europa, já fui discriminada na Europa por ser negra”, contextualizando sua própria vivência com preconceito.
A polêmica gerou condenação em diversas esferas governamentais. O governo paraguaio, por meio de declarações oficiais, lamentou profundamente as declarações de Celeste Amarilla. O presidente do Congresso, Basilio Núñez, também expressou sua rejeição aos comentários da senadora, distanciando a instituição de sua postura. Além disso, o governo francês condenou publicamente os ataques e informou que o presidente do Paraguai havia entrado em contato com o presidente francês para repudiar as declarações, buscando mitigar o impacto diplomático do episódio e reafirmar os laços entre os dois países. Casos de discriminação no futebol, como o sofrido por Vini Jr., demonstram a seriedade e a recorrência desses problemas, exigindo ações concretas e repudiando toda forma de preconceito, como amplamente noticiado e debatido pela imprensa mundial.
A comunidade internacional e os órgãos reguladores do esporte frequentemente reiteram que atitudes discriminatórias são incompatíveis com os valores do futebol e da sociedade. A repercussão do caso da senadora paraguaia e Mbappé serve como um lembrete contundente da necessidade de se combater o racismo e a intolerância em todas as suas manifestações, dentro e fora dos campos.
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Em suma, a disputa entre a senadora Celeste Amarilla e Kylian Mbappé transcendeu as redes sociais e o futebol, envolvendo governos e federações em um debate sobre racismo, diplomacia e a conduta de figuras públicas. Para acompanhar mais notícias sobre esporte, política e personalidades, continue navegando em nossa editoria de Esporte.
Crédito da imagem: Agência Brasil







