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Venda de Energia de Veículos Elétricos: Mitsubishi e Nissan lançam serviços

Economia

As montadoras Mitsubishi e Nissan planejam iniciar, até o ano de 2030, serviços inovadores de venda de energia de veículos elétricos para a rede elétrica. Essa iniciativa permitirá que proprietários de carros elétricos comercializem o excedente energético de suas baterias, um movimento significativo para a popularização do conceito de Veículo para a Rede (V2G – Vehicle-to-Grid) e para a integração dos VEs ao sistema de distribuição de energia.

No ano anterior, a Mitsubishi Motors já havia conduzido um projeto-piloto de V2G, que se estendeu até março. O experimento envolveu aproximadamente doze veículos elétricos localizados na região metropolitana de Tóquio. Os participantes do estudo puderam gerenciar remotamente o carregamento e a descarga de energia de seus automóveis por meio de um sistema dedicado, com os valores obtidos pela comercialização do excedente energético variando conforme os preços do mercado de eletricidade.

Venda de Energia de Veículos Elétricos: Mitsubishi e Nissan lançam serviços

A volatilidade dos preços da eletricidade no mercado japonês, conforme dados da Bolsa de Energia Elétrica do Japão (JEPX), demonstra o potencial de ganhos para os usuários. Por exemplo, em um dia de maio, o preço máximo da energia alcançou 30 ienes (equivalente a 19 centavos de dólar) por quilowatt-hora às 18h30, enquanto o valor mínimo foi de 0,7 iene por kWh ao meio-dia. Considerando que um minicarro kei como o Mitsubishi eK X EV possui uma bateria com capacidade de 20 kWh, o lucro diário na tarifa máxima poderia chegar a 600 ienes, superando 10.000 ienes por mês. A disseminação dessas transações V2G tem o potencial de reduzir significativamente os custos operacionais dos veículos elétricos, tornando-os mais acessíveis e atrativos para os consumidores.

Os testes realizados pela Mitsubishi em 2023 demonstraram a viabilidade de otimizar o carregamento e a injeção de energia na rede ao longo do dia, aproveitando as flutuações de preços. Kimio Yatabe, chefe do departamento de estratégia de negócios de mobilidade da Mitsubishi, revelou que “os resultados foram melhores do que o esperado para veículos não utilizados para deslocamento diário”, indicando um grande potencial para carros que passam boa parte do tempo estacionados. Em 2024, a Mitsubishi já implementou um serviço que permite agendar o carregamento de VEs em períodos de menor demanda, quando as tarifas são mais baixas. A expansão desse programa para incluir a injeção de eletricidade na rede em horários de pico está prevista para entrar em operação a partir de 2030.

Através desses novos serviços, a Mitsubishi visa não apenas fortalecer as vendas de seus veículos elétricos e híbridos plug-in, que são pilares de sua estratégia de mercado, mas também explorar novas fontes de receita, como taxas de acesso a dados veiculares. O setor automotivo começou a olhar com maior seriedade para a utilização de veículos elétricos em serviços energéticos por volta de 2020. Esse interesse foi impulsionado pelo crescente excedente de eletricidade gerado por usinas solares em dias ensolarados, resultando em um aumento considerável de dias com preços de energia abaixo de 1 iene por kWh na JEPX. Para mais informações sobre a integração de energias renováveis na rede, você pode consultar relatórios especializados da Agência Internacional de Energia (IEA), que abordam as tendências e desafios globais.

A crescente popularidade dos veículos elétricos e híbridos plug-in também contribui para o avanço dos serviços V2G. A Associação Japonesa de Concessionárias de Automóveis (JAAA) reportou que, no ano passado, esses veículos representaram 3,2% das vendas anuais de carros de passeio, um aumento de 1,4 ponto percentual em comparação com 2021. Além disso, empresas como Suzuki e a chinesa BYD planejam lançar novos minicarros kei elétricos este ano, intensificando a presença de VEs no mercado.

Seguindo uma trajetória similar à Mitsubishi, a Nissan também está se preparando para introduzir um serviço de comercialização de energia de veículos elétricos. A montadora planeja permitir que seus usuários vendam o excedente de eletricidade de seus VEs e sistemas de armazenamento de energia residenciais diretamente para empresas de distribuição de energia. A expectativa é que esse mercado esteja operacional a partir de 2030 ou em um período posterior.

Para facilitar essa transação, a Nissan começará a vender carregadores bidirecionais a partir de 2028, com a promessa de um “custo muito baixo”, segundo Shunichi Inamijima, executivo responsável pela tecnologia de powertrain e veículos elétricos da empresa. Atualmente, esses carregadores, que conectam o veículo à residência, têm um custo aproximado de 1,5 milhão de ienes (cerca de US$ 9.400). Com sua vasta experiência, iniciada em 2010 com o lançamento do Leaf, um dos primeiros VEs produzidos em massa, a Nissan possui um profundo conhecimento do uso das baterias pelos consumidores. Ao alavancar os dados acumulados sobre o uso dos veículos, a empresa visa construir uma infraestrutura que garanta a gestão eficiente da eletricidade, evitando desperdícios ou consumo excessivo.

Venda de Energia de Veículos Elétricos: Mitsubishi e Nissan lançam serviços - Imagem do artigo original

Imagem: Reprodução Nikkei Asia via valor.globo.com

Outras grandes fabricantes, como Toyota e Honda, também estão desenvolvendo sua expertise em serviços de energia baseados em veículos elétricos. A Toyota, por exemplo, está conduzindo testes de demonstração de veículos conectados à rede elétrica nos estados americanos de Maryland e Texas. No cenário global, a Tesla se destaca como líder na oferta de serviços que utilizam o armazenamento de energia em baterias de VEs, com um sistema implementado no Texas e na Califórnia que permite aos proprietários do modelo Cybertruck comprar e vender eletricidade através da conexão à rede elétrica.

Apesar do grande potencial, a plena implementação dos serviços V2G no Japão ainda enfrenta desafios significativos. A regulamentação do setor ainda não está totalmente definida, e há preocupações relacionadas à revenda de veículos elétricos, que historicamente apresentam uma desvalorização mais rápida. Dados da plataforma japonesa Ucarpac revelam que um eK X com cinco anos de uso, por exemplo, teria um valor de revenda de 41% do preço de um novo a gasolina, mas apenas 25% para a versão elétrica. A degradação das baterias de íon-lítio, que se acentua com a frequência de carga e descarga, é outro ponto de atenção, exigindo o desenvolvimento de tecnologias que aumentem a durabilidade das baterias para viabilizar a comercialização de energia.

Embora os veículos familiares sejam utilizados apenas por uma fração do dia, o que sugere um vasto espaço para o crescimento dos serviços de V2G, prever os horários de uso de cada família pode ser complexo. Akihiro Matsumoto, gerente da Deloitte Tohmatsu, sugere que “a implementação ocorrerá inicialmente entre as empresas, onde é mais fácil prever os horários de uso dos veículos”, indicando um caminho mais claro para a adoção inicial da tecnologia em frotas corporativas.

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Em suma, a iniciativa da Mitsubishi e da Nissan de lançar serviços de venda de energia de veículos elétricos até 2030 representa um avanço significativo para a mobilidade sustentável e a gestão inteligente de energia. Embora desafios regulatórios e tecnológicos persistam, o potencial de redução de custos para os consumidores e a otimização do uso de recursos energéticos sinalizam um futuro promissor para o V2G. Continue acompanhando as últimas notícias sobre inovação e economia em nossa editoria para ficar por dentro das transformações do mercado. Para saber mais sobre como a tecnologia está moldando o futuro, explore nosso conteúdo sobre Inovações em Veículos Sustentáveis.

Crédito da Imagem: Divulgação/Mitsubishi

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