No coração da zona norte de São Paulo, o palco da Freguesia do Ó na Virada Cultural foi o cenário para uma apresentação memorável de Arlindinho. Após um sábado marcado pela chuva, o domingo despontou com um clima ensolarado, ideal para a celebração do samba. Pontualmente ao meio-dia, o sambista carioca Arlindinho subiu ao palco, presenteando o público com um repertório diversificado que homenageou grandes nomes e a rica cultura do samba.
A performance de Arlindinho na Virada Cultural mesclou sucessos consagrados de seu pai, o icônico Arlindo Cruz, com vibrantes sambas-enredo de renomadas escolas do Rio de Janeiro e de São Paulo. O artista também incluiu composições próprias e clássicos atemporais do grupo Fundo de Quintal, garantindo uma atmosfera de pura celebração e nostalgia. Famílias inteiras e entusiastas das escolas de samba compareceram para prestigiar o espetáculo, que ressoou com a memória afetiva de muitos presentes.
Arlindinho na Virada Cultural: Show reverencia Arlindo Cruz
Durante o show, Arlindinho fez questão de compartilhar lembranças significativas de suas passagens pela zona norte paulistana ao lado de Arlindo Cruz. “Meu pai sempre falava: É terra de sambista, é terra de malandragem aqui de São Paulo, de partido alto”, recordou o cantor, enfatizando a relevância histórica da região para o samba. Ele expressou seu carinho pela Freguesia do Ó, afirmando ter “uma lembrança muito boa no meu coração” e que a “memória afetiva é muito bacana”. Essa conexão pessoal adicionou uma camada extra de emoção à sua performance.
O cantor também dedicou um momento para enaltecer a inclusão das escolas de samba na programação da Virada Cultural, destacando o papel fundamental dessas agremiações na preservação e difusão da cultura brasileira. “Escola é onde a gente aprende. É onde se ensina o samba e a cultura”, declarou Arlindinho, ressaltando o valor educacional e comunitário das escolas de samba.
Uma parcela significativa do repertório foi dedicada aos potentes sambas-enredo que marcaram a história do Carnaval. Arlindinho entoou o clássico “É Hoje”, da União da Ilha do Governador, lançado em 1982, além de apresentar o samba-enredo de 2026 da Unidos de Vila Isabel, do qual ele é um dos compositores, demonstrando sua influência ativa no cenário atual do samba. A plateia respondeu com entusiasmo, acompanhando os refrões conhecidos.
Em um gesto de respeito e homenagem às tradicionais escolas paulistas, o artista emendou refrões de sambas da Vai-Vai, Rosas de Ouro e Mocidade Alegre. A atual campeã do Carnaval de São Paulo, a Mocidade Alegre, foi simbolicamente representada pela sua presidente, Solange Cruz Bichara, de 60 anos, que atuou como mestre de cerimônias no palco da zona norte. Solange, uma figura de destaque no Carnaval paulistano, também se manifestou sobre a crescente valorização das escolas de samba.
A presidente da Mocidade Alegre celebrou a expansão da presença das agremiações carnavalescas no evento. “Demorou, mas as escolas estão hoje passando por todas as praças da Virada. As quadras também estão abertas, recebendo o público”, afirmou Solange Cruz Bichara, pontuando a importância de iniciativas como a Virada Cultural para amplificar o alcance e o reconhecimento das escolas de samba em São Paulo. Essa integração permite que mais pessoas tenham contato com a riqueza cultural dessas instituições, que são pilares do Carnaval e da cultura popular brasileira.
Para além do evento, Arlindinho compartilhou seus planos para o Carnaval de 2027. Ele revelou que integra a parceria responsável por compor, sob encomenda, o samba-enredo do Império de Casa Verde, uma escola de samba localizada na zona norte da capital paulista. Além desse projeto, o artista ambiciona disputar a escolha do samba da Dragões da Real, que prestará tributo ao saudoso sambista Reinaldo (1954-2019), uma figura de grande relevância em sua trajetória artística e pessoal.

Imagem: www1.folha.uol.com.br
Arlindinho expressou a profunda admiração por Reinaldo, destacando a influência do sambista em sua vida. “Foi o cara que me trouxe para São Paulo de fato. Eu ficava na casa dele, de favor. Ele me levava para os shows. Acho que vale a homenagem”, declarou, emocionando-se ao relembrar a generosidade e o apoio que recebeu. A homenagem a Reinaldo na Dragões da Real se configura, portanto, como um tributo pessoal e artístico de grande significado.
Apesar de sua intensa agenda dedicada ao samba e ao Carnaval, o cantor mencionou estar com o tempo apertado devido a outro compromisso de peso: as gravações da cinebiografia de Zeca Pagodinho. No filme, Arlindinho tem a honra de interpretar ninguém menos que seu pai, Arlindo Cruz, um papel que certamente exigirá dedicação e sensibilidade para capturar a essência do ícone do samba.
Na plateia que acompanhou o show de Arlindinho na Virada Cultural, predominavam moradores de bairros vizinhos à Freguesia do Ó. Entre eles estava Tânia Pereira, de 46 anos, entregadora e coordenadora da ala das baianas da Rosas de Ouro, que se deslocou da Brasilândia especificamente para assistir à apresentação. A vendedora Edmara Cruz, de 53 anos, que reside nas proximidades do palco, aproveitou a conveniência para prestigiar o sambista carioca.
A atmosfera de segurança e acolhimento foi um ponto elogiado pelos presentes. Edmara Cruz ressaltou a tranquilidade do local: “A gente se sente à vontade, sem medo de trazer filhos, pais, mães, idosos. Aqui é o mais tranquilo”, comentou, evidenciando o ambiente familiar e seguro que a Virada Cultural proporcionou na Freguesia do Ó. Para mais detalhes sobre a Virada Cultural, você pode consultar o site da Prefeitura de São Paulo.
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A apresentação de Arlindinho na Virada Cultural reforçou a importância do samba como elemento unificador e celebrador da cultura brasileira. Com um repertório que honrou o legado de seu pai e o universo das escolas de samba, o artista carioca garantiu um domingo memorável para o público da Freguesia do Ó. Continue acompanhando nossa editoria de Celebridade para ficar por dentro das últimas notícias e eventos culturais.
Crédito da imagem: Zanone Fraissat/Folhapress







