A Inglaterra garantiu o terceiro lugar na Copa do Mundo em um confronto eletrizante contra a França, finalizado com um placar de 6 a 4 na cidade de Miami, Estados Unidos. Este duelo épico, que marcou o penúltimo jogo do torneio em 18 de julho de 2026, não apenas coroou os ingleses com a medalha de bronze, mas também testemunhou um feito histórico de Kylian Mbappé, que se tornou o maior artilheiro de todas as Copas.
A partida foi marcada por uma enxurrada de gols e reviravoltas, proporcionando entretenimento de alta qualidade aos torcedores presentes na Flórida. O resultado de 6 a 4 estabeleceu um novo recorde para disputas de terceiro lugar em Mundiais, superando o placar de 6 a 3 entre França e Alemanha na Copa de 1958, realizada na Suécia. O confronto consolidou-se como um dos jogos mais memoráveis e de maior pontuação na história do evento.
Inglaterra Conquista 3º Lugar e Mbappé Bate Recorde
Individualmente, o dia foi especialmente significativo para Kylian Mbappé, estrela da seleção francesa. Com os dois gols anotados neste embate, o atacante elevou sua contagem pessoal para dez tentos nesta edição da Copa, isolando-se na artilharia do torneio. Além disso, ele transcendeu um marco histórico ao alcançar 22 gols em suas três participações em Copas do Mundo, superando Lionel Messi, que detinha 21. Messi terá a oportunidade de tentar reassumir o posto na final de domingo, 19 de julho, contra a Espanha, em Nova Jersey, Estados Unidos, com início às 16h (horário de Brasília).
O início da partida foi surpreendente para os ingleses, que demonstraram grande ímpeto desde o apito inicial. A seleção comandada por Thomas Tuchel abriu uma vantagem de 4 a 0 ainda no primeiro tempo, levantando a expectativa de que pudessem igualar ou superar a maior goleada em uma disputa de terceiro lugar, o triunfo da Suécia sobre a Bulgária por 7 a 0, na Copa de 1994, também sediada nos Estados Unidos. No entanto, a etapa final transformou-se em um espetáculo à parte, com seis gols incríveis e uma quase reação francesa, que manteve o público em Miami de pé, culminando no 6 a 4 final.
Alterações Táticas e Impacto nos Elencos
Tradicionalmente, a disputa pelo terceiro lugar na Copa do Mundo é vista como um confronto com atmosfera mais amistosa do que decisiva, permitindo que os treinadores testem novas formações e deem minutos a jogadores que tiveram menos oportunidades. Tanto a Inglaterra quanto a França adotaram essa abordagem, realizando sete mudanças em suas escalações em comparação com as semifinais.
Pelo lado francês, o técnico Didier Deschamps promoveu uma única alteração por questão física na defesa, com Maxence Lacroix substituindo o contundido Willian Saliba. Dos atletas que iniciaram na derrota para a Espanha, apenas o goleiro Mike Maignan, o volante Adrien Rabiot, o meia Michael Olise e, claro, Kylian Mbappé, que buscava a artilharia da Copa, permaneceram em campo desde o início.
Na seleção inglesa, Thomas Tuchel manteve o zagueiro Marc Guehi, o lateral-direito Djed Spence, o volante Declan Rice e o meia Morgan Rogers como únicos titulares em relação à equipe que perdeu para a Argentina nas semifinais. Um retorno notável foi o do zagueiro Jarell Quansah, que cumpriu uma suspensão de dois jogos após ser expulso contra o México nas oitavas de final, reassumindo sua posição no lugar de John Stones.
Primeiro Tempo Avassalador da Inglaterra
A equipe inglesa demonstrou muito mais ímpeto e aproveitou melhor a oportunidade de exibir seu futebol, construindo uma goleada confortável já na primeira etapa. O placar foi inaugurado logo aos dois minutos de jogo. Após um erro de passe fácil do atacante francês Desiré Doué no meio-campo, Declan Rice conduziu a bola sem ser pressionado e finalizou com precisão da entrada da área, no canto esquerdo de Mike Maignan, abrindo o marcador para a Inglaterra.
Os Bleus, apelido da seleção francesa, tentaram reagir aos dez minutos, com uma finalização do meia Rayan Cherki, aproveitando uma sobra após desarme de Guehi em Mbappé, mas o goleiro Dean Henderson, substituto de Jordan Pickford, realizou uma defesa crucial. A resposta inglesa veio no lance seguinte, quando um gol do atacante Bukayo Saka foi anulado por impedimento, mas a superioridade inglesa já era evidente.
Aos 17 minutos, a Inglaterra ampliou sua vantagem. Após cobrança de escanteio de Rice pela esquerda, Ezri Konsa, de cabeça, acertou novamente o canto esquerdo do goleiro francês. A bola ainda tocou a trave antes de balançar as redes, marcando o segundo gol inglês. Mbappé, pela França, tentava criar jogadas, mas foi a Inglaterra quem marcou novamente. Aos 19 minutos, Marcus Rashford foi lançado em um contra-ataque pela esquerda. O atacante invadiu a área com liberdade e chutou em cima de Maignan. No rebote, a bola sobrou para Saka, cujo chute explodiu em Lacroix. Na sequência, Rashford conseguiu tirar do goleiro francês e rolar para Saka, que finalmente mandou para o gol, fazendo 3 a 0.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
O camisa 7 inglês, Bukayo Saka, balançaria as redes mais uma vez antes do intervalo. Aos 45 minutos, Saka recebeu um passe de Eberechi Eze nas costas da defesa e chutou no canto esquerdo de Maignan, transformando o placar em uma goleada de 4 a 0 para a Inglaterra ao final do primeiro tempo.
A Reação Francesa e o Recorde Histórico de Mbappé
Diante do placar adverso, Didier Deschamps realizou quatro alterações no intervalo, incluindo a entrada de Dayot Upamecano no lugar de Ibrahima Konate. Foi justamente a partir de um desarme do zagueiro francês na intermediária ofensiva, logo aos dois minutos do segundo tempo, que Michael Olise aproveitou e lançou Mbappé nas costas de Konsa. O camisa 10 chutou cruzado, recolocando a França na partida com seu primeiro gol.
Pouco depois, coube a outra novidade francesa para a segunda etapa diminuir ainda mais a diferença. Seis minutos mais tarde, Mbappé lançou o atacante Bradley Barcola, que surpreendeu a marcação de Quansah e finalizou com precisão para vencer Henderson, fazendo o segundo gol da França. A Inglaterra, em choque, viu-se acuada pela pressão dos Bleus. Olise, Upamecano e o atacante Ousmané Dembélé, outro titular que entrou na volta do intervalo, tiveram boas oportunidades para marcar.
Aos 20 minutos, foi Dembélé quem iniciou a jogada do terceiro gol francês. Ele avançou pela esquerda e tocou para Olise, que inteligentemente deixou a bola passar para Mbappé. O camisa 10 tabelou com o companheiro e mandou para as redes, marcando seu décimo gol nesta Copa e o 22º em sua história nos Mundiais, consolidando seu recorde. Apesar da pressão francesa, Olise pecou na finalização dentro da área aos 29 minutos, após jogada de Malo Gusto pela esquerda. Aos 36, ele desperdiçou outra grande chance por excesso de individualismo, depois de uma boa trama com Dembélé e Mbappé. Por outro lado, um minuto antes, o meia inglês Jude Bellingham, que acabara de entrar, também demonstrou preciosismo ao demorar para chutar e finalizar em cima de Maignan.
Emoção até o Fim e o Gol Decisivo
Como uma aparente punição para Olise pelas chances perdidas, aos 39 minutos, Djed Spence foi derrubado por Gusto na área. Bukayo Saka cobrou a penalidade máxima com frieza e marcou o seu terceiro gol na partida, o quinto da Inglaterra, trazendo um aparente alívio para a equipe. No entanto, o “pandemônio” foi reinstalado aos 50 minutos dos acréscimos, quando Dembélé recebeu de Upamecano pela esquerda, invadiu a área, levou para a perna esquerda e fez o quarto gol da França, deixando o placar em 5 a 4. Quando parecia que o empate era iminente, no último lance do jogo, Jude Bellingham resolveu a vida da Inglaterra com um golaço. O meia driblou Maxence Lacroix, enganou Dayot Upamecano e chutou entre as pernas do zagueiro para definir o placar final de 6 a 4 em Miami.
A conquista do 3º lugar na Copa do Mundo pela Inglaterra, em um dos jogos mais espetaculares da história do torneio, e o feito inédito de Kylian Mbappé como o maior artilheiro da história dos Mundiais, são destaques que ecoarão por muito tempo. Para entender a dimensão desses recordes, é fundamental revisitar a lista completa dos maiores artilheiros da história dos Mundiais.
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Crédito da imagem: Reuters/Jose Hernandez/Proibida reprodução







