A Oposição Argentina Cobra Milei por Fuga de Flávio Bolsonaro, impulsionando diversas ações desde a última terça-feira, 27 de outubro, para que o governo de Javier Milei forneça explicações sobre o possível envolvimento na saída do senador brasileiro. Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência que foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva no domingo anterior, 25 de outubro, teve sua passagem pelo país vizinho e subsequente viagem aos Estados Unidos marcada por circunstâncias ainda não totalmente esclarecidas.
O senador brasileiro chegou aos Estados Unidos na manhã de quarta-feira, 28 de outubro. Antes disso, sua trajetória incluiu passagens pela Argentina e Equador. Relatos indicam que ele ingressou no território argentino às 23h52 de terça-feira, utilizando um passaporte italiano. Cerca de 30 minutos depois, à 0h22, partiu de Porto Iguaçu em um jato particular, fazendo uma escala em Guayaquil, Equador, antes de pousar em Miami às 10h23.
Oposição Argentina Cobra Milei por Fuga de Flávio Bolsonaro
A imprensa local identificou um total de seis iniciativas parlamentares e legais, que variam de pedidos de informações e convocações de ministros a uma denúncia criminal direta. As acusações visam Javier Milei, o chanceler Pablo Quirno, a ministra de Segurança Alejandra Monteoliva e Santiago Caputo, estrategista político e figura de confiança do presidente ultraliberal. Segundo reportagens argentinas, Caputo teria estado em Porto Iguaçu para auxiliar Flávio Bolsonaro e sua família na viagem.
Diante da crescente demanda por esclarecimentos, Germán Martínez, líder do União pela Pátria, bloco que detém 92 das 257 cadeiras na Câmara dos Deputados e representa a maior bancada de oposição, divulgou uma carta no final da noite de quarta-feira. No documento, em nome de seu bloco e de outras legendas, a oposição formaliza o pedido de informações detalhadas sobre o caso.
O comunicado de Martínez vai além, exigindo que o governo de Milei responda prontamente aos questionamentos dos legisladores, envie o chefe de gabinete, o chanceler e a ministra de Segurança para depor na Câmara dos Deputados. Adicionalmente, o bloco pede que o governo argentino reconheça publicamente a vitória eleitoral de Lula no Brasil, algo que, até o momento da publicação original, a Argentina era o único país da América Latina a não ter feito.
O suposto envolvimento de Javier Milei na fuga de Flávio Bolsonaro tem implicações políticas significativas. Horas após sua chegada aos EUA, Flávio divulgou uma carta agradecendo ao aliado argentino pela “coragem, justiça e senso de legalidade”. Este episódio ocorre a menos de um ano das próximas eleições presidenciais na Argentina, nas quais Milei planeja buscar a reeleição para um novo mandato de quatro anos.
O deputado Esteban Paulón, do Partido Socialista, criticou a suposta inação das autoridades. “A Polícia Federal, a Polícia de Segurança Aeroportuária e a Direção Nacional de Migrações não aplicaram nenhum tipo de controle preventivo da entrada no país e da posterior saída de uma pessoa que, como todos sabemos publicamente desde a tarde de segunda-feira, estava impedida de sair do Brasil e teve seu passaporte retido”, declarou Paulón.
Paulón é o autor de duas das iniciativas apresentadas. A primeira busca informações cruciais, como os registros de entrada e saída de Flávio Bolsonaro na Argentina entre o domingo anterior e a quarta-feira, bem como detalhes sobre a movimentação da aeronave utilizada. O avião, operado pela empresa Baires Fly S.A., é citada em uma investigação sobre lavagem de dinheiro, envolvendo contratos públicos de insumos médicos na Argentina. Este escândalo, ocorrido no ano anterior, resultou na queda de Diego Spagnuolo, ex-diretor da Andis (Agência Nacional de Pessoas com Deficiência) e figura próxima a Milei.
A segunda iniciativa de Paulón é uma denúncia criminal contra Milei, Quirno, Alejandra Monteoliva e Santiago Caputo. A acusação é de suposto encobrimento agravado, um crime previsto no Código Penal argentino que consiste em “ajudar alguém a eludir as investigações da autoridade ou a subtrair-se à ação desta”.

Imagem: www1.folha.uol.com.br
Embora a denúncia penal possa não prosperar judicialmente, sua apresentação, juntamente com as outras propostas da oposição, contribui para um desgaste da imagem do presidente argentino. Milei já enfrenta altos índices de rejeição. Uma análise de 11 pesquisas, divulgada pelo jornal Clarín, indicou que 57% dos argentinos desaprovam seu governo, e 57,2% têm uma imagem negativa do presidente. Para mais detalhes sobre o cenário político argentino, você pode consultar informações em fontes confiáveis como o El País Brasil sobre política argentina.
Myriam Bregman, dirigente do PTS (Partido dos Trabalhadores Socialistas), ressaltou a contradição percebida na atuação do governo. “Acho que isso causou um impacto muito grande em todo o espectro de oposição a Milei. Existe uma contradição flagrante entre o discurso que eles pregam e as suas ações. É um governo que vive falando em políticas de segurança linha-dura e na ideia de que ‘quem faz, paga’, mas, quando se trata de aliados, eles os protegem”, afirmou a deputada, que se destaca em pesquisas de opinião.
Bregman protocolou um pedido para que o Executivo forneça, em até uma semana, todos os detalhes da entrada, trânsito e saída de Flávio Bolsonaro e sua família da Argentina. A solicitação inclui esclarecimentos sobre quais funcionários tinham conhecimento prévio da viagem do senador e a confirmação da presença de Santiago Caputo no aeroporto de Porto Iguaçu.
A postura de Milei em relação às autoridades brasileiras já havia gerado controvérsia. No final de julho, durante o lançamento da campanha de Flávio Bolsonaro em São Paulo, os ataques do ultraliberal a autoridades do Brasil foram reprovados por 70,5% dos argentinos no início de agosto, segundo pesquisa da consultoria Zuban Córdoba. Este episódio marcou o início da mais recente crise nas relações entre Milei e Lula.
“É muito difícil tentar apresentar o povo brasileiro e o povo argentino como inimigos, quando até nas coisas do cotidiano como as férias ou a paixão pelo futebol percebe-se que são povos muito irmanados”, concluiu Myriam Bregman.
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Em suma, a oposição argentina está mobilizada para exigir transparência e responsabilidade do governo Milei diante dos fatos envolvendo a passagem de Flávio Bolsonaro pelo país. A pressão política e as iniciativas legais destacam as tensões internas e externas que a administração ultraliberal enfrenta. Para continuar acompanhando as últimas notícias sobre política na América Latina e no Brasil, explore a editoria de Política em nosso portal.
Crédito da Imagem: Francisco Loureiro – 30.abr.2024/AFP







