A estimativa de que Terremoto Venezuela: 58,8 mil prédios danificados por abalo é o cenário revelado por uma análise aprofundada de imagens de satélite da Nasa, conduzida por pesquisadores da Universidade Estadual de Oregon, nos Estados Unidos. Esta avaliação preliminar aponta para uma escala considerável de destruição nas áreas impactadas pelos recentes eventos sísmicos no país sul-americano.
Os geógrafos Corey Scher e Jamon Van Den Hoek foram os responsáveis por interpretar os complexos dados oriundos do mapa divulgado pela Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (Nasa) dos EUA. As informações foram coletadas pelo satélite Sentinel-1, que registrou imagens tanto antes quanto depois dos terremotos na Venezuela, permitindo uma comparação detalhada da superfície.
Terremoto Venezuela: 58,8 mil prédios danificados por abalo
Os dados levantados pela equipe de Scher e Van Den Hoek indicam que, em locais como a cidade de La Guaira, diversos pontos marcados em vermelho no mapa correspondem a edificações com uma alta probabilidade de 75% de terem sofrido algum tipo de dano estrutural em consequência dos tremores da última semana.
A metodologia empregada no estudo consistiu na comparação rigorosa de cada imagem captada após os terremotos da última quarta-feira (24) com um conjunto de imagens de referência do mesmo satélite Sentinel-1, adquiridas ao longo do ano de 2025. A união estratégica dessas duas séries de imagens possibilitou a criação de um mapa de danos abrangente e visualmente detalhado. Conforme os pesquisadores, a detecção de danos se baseia na observação de mudanças abruptas na superfície de um edifício pós-terremoto, em comparação com sua condição prévia, um método consagrado e semelhante ao utilizado para mapear a devastação em zonas de conflito. Um edifício é classificado como danificado quando pelo menos 50% de sua área de implantação apresenta perda de coerência nos dados do mapa. É crucial salientar que este é um produto inicial, elaborado poucos dias após os abalos, e que, portanto, permanece não validado, aguardando confirmação por inspeções em solo.
As áreas com maior concentração de detecções de danos estão alinhadas com as regiões onde o tremor foi mais intenso, notadamente a costa central venezuelana e o densamente populoso corredor da capital Caracas. Este padrão de distribuição da destruição corrobora diretamente com a intensidade e o epicentro dos terremotos, reforçando a validade das análises de sensoriamento remoto. Esta metodologia, amplamente utilizada na avaliação de desastres, é fundamental para o monitoramento e a resposta a eventos sísmicos globais, conforme destacado por instituições como o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) em seus estudos sobre terremotos.
Paralelamente à pesquisa por satélite, o governo da Venezuela divulgou, até o último domingo (28), um balanço oficial que contabiliza o colapso de 774 edifícios em diversas localidades do país. Deste total, 189 estruturas foram completamente destruídas, enquanto 585 sofreram danos parciais, mas significativos. Em resposta à crise habitacional e de infraestrutura, as autoridades anunciaram, também no domingo, a formação de uma comissão especializada. O objetivo é realizar uma avaliação minuciosa das condições de infraestrutura e habitação nas regiões afetadas, com foco na identificação de riscos remanescentes.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
A expectativa é que a comissão técnica implemente um sistema de classificação visual para edificações, pontes e rodovias, utilizando um código de cores para indicar o nível de risco. As estruturas identificadas com a cor vermelha serão consideradas de alto risco de desabamento; as amarelas, de risco médio; e as verdes, sem qualquer risco iminente, garantindo maior clareza e agilidade nas ações de mitigação e reconstrução.
Os terremotos na Venezuela resultaram em um cenário de catástrofe humanitária com números impactantes. A última atualização oficial aponta para 1,9 mil mortos e 10,5 mil feridos. No entanto, há uma preocupante expectativa de que esses números possam aumentar, uma vez que as Nações Unidas (ONU) estimam que quase 50 mil pessoas estejam atualmente desaparecidas no país, reforçando a urgência das operações de busca e resgate.
Os abalos sísmicos, que atingiram magnitudes de 7,2 e 7,5 na escala Richter, ocorreram na quarta-feira passada, causando devastação generalizada. A destruição e os desabamentos foram registrados tanto na movimentada capital Caracas quanto em diversas outras cidades, com a província de La Guaira sendo uma das áreas mais gravemente afetadas, com infraestruturas comprometidas e milhares de desabrigados.
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Em suma, a análise de satélites da Nasa, detalhada por pesquisadores da Universidade Estadual de Oregon, oferece uma perspectiva crucial sobre os danos estruturais causados pelos recentes terremotos na Venezuela, estimando quase 59 mil prédios afetados. Estes dados complementam os registros oficiais do governo e os alarmantes números de vítimas e desaparecidos. Para mais informações sobre o impacto de desastres naturais em ambientes urbanos e a resiliência das cidades, continue acompanhando as análises e reportagens em nossa editoria de Cidades.
Crédito da imagem: Reuters/Handout/Proibida reprodução







