A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma argumentação detalhada sobre o incidente envolvendo a tornozeleira eletrônica, alegando que o equipamento não foi retirado, mas sim danificado em um episódio de “confusão mental”. Este quadro, segundo os advogados, foi provocado por uma interação medicamentosa. A justificativa foi submetida em resposta ao ministro Alexandre de Moraes, culminando em um novo pedido de prisão domiciliar humanitária para o ex-mandatário.
O posicionamento da defesa ocorre após o ministro Alexandre de Moraes ter concedido um prazo de 24 horas para que fossem apresentados esclarecimentos sobre a queima do dispositivo. A medida veio na sequência da decisão de Moraes que decretou a prisão preventiva de Bolsonaro no último sábado, 22 de junho, devido a um suposto risco de fuga. Os advogados do ex-presidente, Celso Vilardi, Paulo Amador da Cunha Bueno e Daniel Tesser, contestam veementemente qualquer intenção de fuga.
Bolsonaro: Defesa explica tornozeleira; cita confusão mental.
Em suas alegações, os representantes legais de Jair Bolsonaro sustentam que não houve uma tentativa consciente de desativar o equipamento de monitoramento. Documentos produzidos pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP) não descrevem qualquer ação que indique fuga ou desligamento intencional da tornozeleira eletrônica. Pelo contrário, a defesa ressalta um “comportamento ilógico” que, de acordo com eles, encontra explicação no provável estado de confusão mental que teria afetado o ex-presidente, agravado por medicamentos, idade avançada e o intenso estresse vivenciado.
O quadro de confusão mental do ex-presidente Jair Bolsonaro, conforme boletim médico divulgado e citado pela defesa, seria resultado de uma interação indevida entre diferentes medicações que ele estava utilizando. Esta condição teria gerado pensamentos persecutórios e uma percepção distorcida da realidade. A equipe médica que acompanha Bolsonaro, composta pelo cardiologista Leandro Echenique e o cirurgião geral Claudio Birolini, corroborou parte dessas informações em um documento enviado ao STF.
Os médicos realizaram uma visita ao ex-presidente na Superintendência da Polícia Federal em Brasília na manhã de domingo, 23 de junho. Relataram que, no momento da avaliação, Bolsonaro estava estável e não apresentou problemas de saúde durante a noite. No entanto, o próprio ex-presidente informou aos profissionais que na sexta-feira, 21 de junho, experimentou um episódio de confusão mental e alucinações.
Segundo Echenique e Birolini, esses sintomas foram “possivelmente induzidos pelo uso do medicamento Pregabalina”, o qual havia sido receitado por outra médica. A intenção da nova prescrição era otimizar o tratamento de outras condições de saúde de Bolsonaro. Contudo, os médicos enfatizaram que este medicamento foi introduzido sem o conhecimento dos demais membros da equipe que já o acompanhavam.
No documento encaminhado ao Supremo, os cardiologista e cirurgião apontaram que a Pregabalina possui uma “importante interação” com os remédios que o ex-presidente Jair Bolsonaro já utilizava regularmente para tratar suas crises. Eles detalharam que a Pregabalina é conhecida por apresentar efeitos colaterais significativos, incluindo alterações no estado mental, possibilidade de confusão mental, desorientação, coordenação anormal, sedação, transtornos de equilíbrio, alucinações e distúrbios cognitivos. A interação com outros medicamentos para crises poderia ter intensificado esses efeitos, culminando no episódio que afetou a tornozeleira eletrônica.

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Diante do cenário e da compreensão dos potenciais riscos, a equipe médica que acompanha Bolsonaro decidiu pela “suspensão imediata” da Pregabalina. Conforme informado, desde então, o ex-presidente não apresenta mais os sintomas relatados, graças aos ajustes realizados em sua medicação. Os profissionais de saúde afirmaram que continuarão monitorando a evolução clínica do ex-presidente, garantindo reavaliações periódicas de seu estado de saúde.
A partir dessas justificativas, a defesa de Jair Bolsonaro formalizou o pedido para que o ministro Alexandre de Moraes reconsidere sua decisão de prisão preventiva. A solicitação visa a anulação da prisão em caráter preventivo e a concessão de prisão domiciliar humanitária, fundamentada no quadro de saúde e na idade avançada do ex-presidente, além do estresse a que ele estaria submetido. A argumentação dos advogados busca descaracterizar a intenção de fuga e focar na vulnerabilidade do ex-presidente diante das circunstâncias.
A interação medicamentosa, como a alegada no caso da Pregabalina com outros fármacos de uso contínuo, é um tema de constante atenção na área da saúde. Entender os riscos e efeitos colaterais de diferentes substâncias é fundamental para a segurança do paciente, um aspecto amplamente estudado e regulado por órgãos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
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Em suma, a defesa de Jair Bolsonaro busca reverter a prisão preventiva alegando que a danificação da tornozeleira eletrônica foi um ato involuntário decorrente de confusão mental, e não uma tentativa de fuga. Este caso ressalta a complexidade das questões jurídicas e de saúde que envolvem figuras públicas. Para continuar acompanhando as atualizações sobre este e outros temas relevantes da política nacional, visite nossa editoria de Política.
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