A posição do Brasil na OEA sobre o sequestro de Nicolás Maduro foi categorizada como uma “afronta gravíssima” aos princípios basilares da soberania e do multilateralismo. Em uma reunião extraordinária do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), ocorrida na terça-feira, 6 de janeiro de 2026, o embaixador brasileiro junto à entidade, Benoni Belli, expressou profunda preocupação com a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela e a consequente detenção do presidente venezuelano.
A ação militar, que envolveu bombardeios em território venezuelano e a remoção forçada de seu líder, foi classificada por Brasília como uma transgressão inaceitável. Para o representante brasileiro na OEA, tais atos constituem uma violação severa da soberania da Venezuela e estabelecem um precedente perigoso para a comunidade internacional, evocando tempos considerados já superados na história da América Latina e do Caribe. Este cenário remete a épocas de intervenções diretas e unilateralismo que a região, por meio de esforços diplomáticos e institucionais, buscou arduamente deixar para trás. A reemergência de tais práticas ameaça a estabilidade regional e a confiança nas estruturas de segurança coletiva.
Brasil na OEA: Sequestro de Maduro é ‘Afronta Gravíssima’
A delegação brasileira enfatizou que agressões militares desse porte promovem um ambiente onde a força bruta se sobrepõe ao diálogo e à cooperação multilateral. “Não podemos admitir o argumento de que os fins justificam os meios”, declarou Belli. Ele criticou veementemente a lógica que, segundo o diplomata, deslegitima o direito internacional e confere aos mais fortes o poder de definir o que é justo ou injusto, ignorando a autonomia dos países mais frágeis. A defesa irrestrita do direito internacional e a valorização do multilateralismo, através de organismos como a OEA e a ONU, são pilares da política externa brasileira. Para o governo, esses mecanismos são os únicos capazes de garantir um equilíbrio entre as nações, protegendo a autodeterminação dos povos e prevenindo a escalada de conflitos. A ação contra Maduro é percebida como um ataque direto a essa ordem estabelecida, fundamental para a coexistência pacífica e o desenvolvimento, conforme preconizado pelos princípios da Carta da OEA, que enfatiza o respeito à soberania e não intervenção.
A Posição do Brasil na ONU e o Contexto da Ação Americana
A postura firme do Brasil não se limitou ao fórum da OEA. Um dia antes, na segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, durante uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), o embaixador brasileiro Sérgio Danese já havia manifestado a recusa do país em aceitar que os propósitos justificassem as intervenções armadas dos Estados Unidos em território venezuelano. Essa coordenação na diplomacia brasileira reforça a consistência e a seriedade da sua objeção global.
A intervenção militar, que teve lugar no sábado, 3 de janeiro de 2026, envolveu a retirada forçada do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, da Venezuela por militares americanos. A operação, conforme relatado, resultou na morte de integrantes das forças de segurança venezuelanas e causou explosões em Caracas, a capital do país. Após a ação, Maduro foi transportado para Nova York, onde, segundo o governo dos Estados Unidos, responderá a acusações relacionadas a uma suposta conexão com o tráfico internacional de drogas. O governo norte-americano justifica a operação com base nessas alegações, visando processá-lo em solo americano. Contudo, essa justificativa não altera a percepção do Brasil de que a forma de intervenção é inaceitável e perigosa para a paz e segurança globais.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
Maduro Nega Acusações em Nova York
Na mesma segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, Maduro e Flores compareceram ao Tribunal Federal em Nova York para uma audiência de custódia na Justiça norte-americana. O presidente venezuelano refutou categoricamente as acusações de envolvimento com narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e uso de armamento pesado, declarando-se inocente de todas as imputações. Maduro descreveu-se publicamente como um “prisioneiro de guerra” e um “homem decente”, buscando descredibilizar a legitimidade de sua prisão. Atualmente, o casal encontra-se detido em um presídio federal localizado no bairro do Brooklyn, também em Nova York, aguardando os desdobramentos legais.
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A posição firme do Brasil na OEA e na ONU destaca a importância do direito internacional e do multilateralismo diante de intervenções unilaterais. Este episódio ressalta a complexidade das relações internacionais e a busca por soluções diplomáticas em um cenário de crescentes tensões. Continue acompanhando as últimas notícias sobre política internacional e seus desdobramentos em nossa editoria de Política.
Crédito da imagem: Agência Brasil







