A captura de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, e os ataques dos Estados Unidos ao país sul-americano neste sábado (3) provocaram uma onda de reações polarizadas no cenário político brasileiro. Enquanto integrantes da oposição no Congresso Nacional comemoraram efusivamente os desdobramentos, parlamentares da base governista expressaram severas críticas à intervenção norte-americana, classificando-a como uma ação de “grave” proporção.
O anúncio da operação, que se desenrolou em “grande escala”, foi feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, através de suas redes sociais. Segundo Trump, o líder venezuelano foi detido e levado para fora do país. Maiores detalhes sobre a operação são aguardados para uma coletiva de imprensa programada para as 13h (horário de Brasília), a ser realizada no resort de Mar-a-Lago, na Flórida.
Captura de Maduro: Reações Divergentes no Congresso Brasileiro
A notícia reverberou rapidamente entre os políticos brasileiros, gerando uma clara divisão. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) utilizou as redes sociais para declarar que a investida americana ultrapassou uma “linha inaceitável”. Em resposta à situação, o governo federal convocou uma reunião de emergência em Brasília para debater o tema ainda neste sábado. O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), endossou a posição de Lula, enfatizando que a comunidade internacional “precisa responder de forma firme e responsável”. Wagner classificou os ataques à Venezuela como uma “grave violação à soberania do país e ao direito internacional”, defendendo que conflitos entre Estados soberanos devem ser resolvidos por “diálogo, diplomacia e negociação, jamais pelo uso da força, da violência ou da guerra”, conforme publicou em sua conta no X (antigo Twitter) em 3 de janeiro de 2026.
Do lado da oposição, o deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), líder da oposição na Câmara, classificou a data como um “dia decisivo”, que marca o fim do “ciclo do regime de terror da esquerda” na Venezuela. Ele afirmou categoricamente: “O ditador cai. O narcotraficante sanguinário Nicolás Maduro cai do poder que vinha esmagando o povo venezuelano”, disse o parlamentar em suas redes sociais, em 3 de janeiro de 2026. Em um gesto de apoio a Donald Trump, o presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, deputado Filipe Barros (PL-PR), anunciou que protocolaria um “ofício de congratulações ao governo dos EUA pela ação bem-sucedida contra o regime de Maduro”. Barros, em publicação no X no mesmo dia, declarou que o “narcoregime de terror que Maduro vem plantando há anos colhe hoje a reação necessária (e louvável) de @realDonaldTrump”, vislumbrando um “novo dia da independência para o povo da Venezuela”.
Críticas da Base Governista e da Esquerda
No Senado, o presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), expressou sua defesa pela interrupção do recesso parlamentar, caso necessário, para debater o ataque dos Estados Unidos à Venezuela. Trad alertou para “consequências de curto, médio e longo prazos”. Embora criticasse o regime venezuelano, ele ressaltou em nota que a “defesa da democracia e o enfrentamento ao narcotráfico não autorizam a banalização do uso da força contra a soberania de um país”.
Parlamentares do PSOL e do PT condenaram veementemente a ação dos EUA, criticando a violação do direito internacional. O deputado José Guimarães (CE), vice-presidente do PT e líder do governo, afirmou que “defender a soberania da Venezuela é defender o direito internacional, a paz regional e a estabilidade da América Latina”, conforme postagem em 3 de janeiro de 2026. O líder da bancada do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), repudiou a ação americana com “veemência”, defendendo o diálogo e soluções negociadas por organismos internacionais, e clamando por “forças democráticas para defender a soberania dos povos latino-americanos”.
O ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos, avaliou o ataque como uma “ação imperialista” e conclamou à “unidade latino-americana em apoio total ao povo da Venezuela e em rechaço ao governo criminoso de Donald Trump”. Em suas palavras no X, em 3 de janeiro de 2026, ele destacou que “Trump quer petróleo” e usa a Venezuela como “precedente para uma nova Doutrina Monroe que ameaça toda a América Latina”. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, expressou preocupação com o “impacto múltiplo” dos ataques no Brasil, alertando que “guerra mata civis, destrói serviços de saúde”, e que a pasta já preparou a Força Nacional do SUS e equipes de Saúde Indígena para mitigar os efeitos do conflito.
Líder do PSOL na Câmara, a deputada Talíria Petrone (RJ) classificou o ataque como “inaceitável à soberania do povo venezuelano e de toda a América Latina”, reiterando que Trump busca as reservas de petróleo da Venezuela. O senador Rogério Carvalho (PT-SE) reforçou que os ataques dos EUA visam a “interesses econômicos, sobretudo no petróleo” e representam uma “ameaça à própria América Latina”. O deputado e ex-ministro Paulo Pimenta (PT-RS) prestou solidariedade à população venezuelana, defendendo que a ação americana busca “assumir o controle do petróleo e das riquezas minerais do país vizinho”.
O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) declarou que, sob a gestão Trump, os Estados Unidos “revivem sua sanha imperialista”, invadindo e interferindo diretamente na soberania dos povos. A vice-líder da federação governista (PT, PV, PC do B) na Câmara, deputada Maria do Rosário (PT-RS), descreveu a situação como uma “agressão militar gravíssima e inaceitável”, direcionada ao controle político regional e do petróleo. Fernanda Melchionna (PSOL-RS) reiterou que a ofensiva é uma “agressão militar criminosa”, que atinge a população civil de Caracas, sendo uma “grave violação do direito internacional”. Por sua vez, o deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) defendeu que o Brasil atue para que os Estados Unidos recuem do que ele chamou de “sequestro” de Maduro.
Em nota oficial, o Partido dos Trabalhadores condenou a “agressão militar” e o “sequestro” de Maduro, defendendo que a América Latina preserve seu status de zona de paz. A sigla expressou “séria preocupação para o Brasil” devido à extensa fronteira compartilhada de aproximadamente dois mil quilômetros com a Venezuela. O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), manifestou “profunda preocupação com a escalada de tensão”, embora condenando o regime de Maduro, afirmou que “os princípios diplomáticos devem prevalecer”, priorizando “diálogo e respeito à soberania das nações para resolver conflitos”.

Imagem: Reuters via cnnbrasil.com.br
Celebração e Apoio da Direita Brasileira
Em contraponto às críticas, a direita brasileira celebrou a notícia da captura. O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante, considerou a prisão de Maduro um “fato político” e um “marco histórico”, reiterando que “a história é implacável com tiranos” e que o “poder sem legitimidade cobra seu preço mais cedo ou mais tarde”, conforme publicou no X em 3 de janeiro de 2026. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), manifestou desejo de que 3 de janeiro seja lembrado como o “dia da libertação do povo venezuelano, oprimido há mais de 20 anos pela narcoditadura chavista”, almejando que a “democracia, a liberdade e a prosperidade se instalem no país”, conforme sua publicação em 3 de janeiro de 2026.
O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), criticou o regime autoritário de Maduro e a “tragédia humanitária” na Venezuela, afirmando que “nenhuma ditadura é eterna” e que “a liberdade sempre encontra seu caminho”. Em nota, o deputado Zucco (PL-RS), ex-líder da oposição na Câmara, avaliou que o momento é “verdadeiramente histórico” para a América Latina, concedendo à Venezuela “a chance de renascer” e avançar. Zucco descreveu a captura de Maduro como “o fim de um ciclo de opressão e o início de uma nova etapa”, vislumbrando a oportunidade de “reconstruir suas instituições, restabelecer o Estado de Direito, garantir eleições livres e devolver dignidade ao seu povo”.
O senador e ex-ministro da Justiça Sergio Moro (União-PR) foi conciso em sua reação, afirmando que a captura representa “o fim de Maduro, o tirano de Caracas”, o que seria “melhor para Venezuela e para o mundo”, conforme sua publicação no X em 3 de janeiro de 2026. O agora ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) declarou que, com a captura de Maduro, integrante do Foro de São Paulo, outros líderes como Lula e Petro teriam “dias terríveis”, conforme sua postagem em 3 de janeiro de 2026. O deputado Mauricio Marcon (PL-RS) celebrou em vídeo a queda do “regime esquerdista” e o “fim do regime ditatorial na Venezuela”.
Contexto e Reação Venezuelana
Em resposta aos ataques e à anunciada captura do seu líder, o governo venezuelano declarou emergência nacional e mobilizou planos de defesa. O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, prometeu resistência ativa à presença de tropas estrangeiras em seu território. A ação militar levantou debates acalorados sobre a soberania nacional e o direito internacional, preceitos fundamentais da Carta das Nações Unidas, que estabelece princípios de não intervenção e respeito à igualdade soberana dos Estados.
A tensão entre os Estados Unidos e a Venezuela tem se intensificado nos últimos meses. O Pentágono já havia deslocado um considerável contingente militar e realizado ataques a embarcações no Caribe, sob a justificativa de combate ao narcotráfico, culminando nos eventos deste sábado.
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Os eventos recentes na Venezuela e as reações políticas no Brasil evidenciam a complexidade e a polarização que permeiam as relações internacionais e a política regional. Para continuar acompanhando os desdobramentos deste e de outros temas relevantes, explore mais conteúdos em nossa editoria de Política.
Crédito da imagem: CNN Brasil







