O ex-presidente Jair Bolsonaro relatou em depoimento judicial uma “certa paranoia” relacionada à sua tornozeleira eletrônica. Essa condição teria o levado a intervir no equipamento, conforme ele próprio detalhou durante a audiência de custódia realizada nesta quarta-feira, 24 de julho de 2025, que culminou na manutenção de sua prisão pela Justiça brasileira.
Durante a sessão, Bolsonaro foi questionado sobre o incidente envolvendo o dispositivo de monitoramento eletrônico. Ele explicou que, na transição de sexta para sábado, experimentou um estado de “paranoia” atribuído à interação de medicamentos que vinha utilizando. Segundo o ex-mandatário, foram prescrições de médicos distintos, cujas substâncias, Pregabalina e Sertralina, teriam reagido de forma inadequada em seu organismo.
Depoimento: Bolsonaro Relata ‘Paranoia’ com Tornozeleira
Ainda em sua explanação, Jair Bolsonaro detalhou que seu sono estava “picado” e que não conseguia dormir adequadamente. Foi nesse contexto que ele tomou a decisão de manipular a tornozeleira utilizando um ferro de soldar, justificando a ação pelo fato de possuir conhecimento técnico em operação de equipamentos semelhantes. A intervenção no dispositivo teria ocorrido por volta da meia-noite. O ex-presidente afirmou que, posteriormente, “caiu em si” e cessou o uso da solda, comunicando então os agentes responsáveis por sua custódia.
Bolsonaro também informou à Justiça que, no momento do ocorrido, estava em sua residência acompanhado de sua filha, seu irmão mais velho e um assessor. Contudo, nenhum deles testemunhou a ação do ex-presidente com a tornozeleira, uma vez que estavam dormindo quando ele começou a mexer no equipamento, tarde da noite, parando por volta da meia-noite. Ele reforçou que ninguém percebeu qualquer movimentação sua em relação ao dispositivo.
O ex-presidente relatou ter tido uma “alucinação” de que a tornozeleira eletrônica continha algum tipo de escuta, o que o impulsionou a tentar abrir a tampa do aparelho. Bolsonaro assegurou que não se recorda de ter experimentado um surto de natureza similar em qualquer outra ocasião anterior. Ele revelou, ainda, que havia começado a tomar um dos medicamentos, especificamente a Sertralina, aproximadamente quatro dias antes dos fatos que culminaram em sua prisão.
Detalhes da Audiência e Questionamentos
A Procuradoria-Geral da República (PGR), representada pelo Dr. Joaquim Cabral, manifestou-se na audiência. Diante da declaração de Jair Messias Bolsonaro a respeito da integridade do comportamento dos policiais que executaram o mandado de prisão, a PGR avaliou que a custódia cautelar transcorreu dentro da regularidade nesse aspecto específico.
A Juíza Auxiliar, ao conceder a palavra aos advogados constituídos do custodiado, indagou Bolsonaro se ele tinha a intenção de remover a tornozeleira para empreender fuga. O ex-presidente negou veementemente qualquer intenção de escapar, afirmando também que não houve rompimento da cinta do equipamento durante o incidente recente.
Entretanto, Bolsonaro admitiu que, em uma ocasião anterior, a cinta do monitoramento havia se rompido quando ele necessitou realizar uma tomografia. Sobre a vigília convocada por seu filho, o ex-deputado federal explicou que o local do evento popular está a setecentos metros de sua residência, descartando qualquer possibilidade de que pudesse gerar tumulto facilitador de uma hipotética fuga.

Imagem: noticias.uol.com.br
A Juíza Auxiliar também questionou quais médicos seriam responsáveis pelas prescrições dos medicamentos que, segundo Bolsonaro, interagiram e provocaram a “paranoia”. O ex-presidente informou os nomes de Cláudio Birolini, Leandro Chenique e Marina Graziottin Pasolini. Esta última, segundo ele, prescreveu a Sertralina sem comunicação prévia com os outros profissionais de saúde envolvidos em seu tratamento.
Em outro momento do interrogatório, a Juíza Auxiliar indagou se o equipamento de solda já estava em sua residência ou se fora providenciado por terceiros. Bolsonaro confirmou que possuía o ferro de soldar em casa, reiterando a posse do instrumento.
Decisão Judicial e Encaminhamentos
Ao final da audiência de custódia, a Juíza Auxiliar deliberou sobre os procedimentos. Considerando todos os elementos apresentados e a inexistência de requerimentos que exigissem decisão imediata de sua parte, bem como os relatos do custodiado Jair Messias Bolsonaro, que não apontou abusos ou irregularidades por parte dos policiais que cumpriram o Mandado de Prisão expedido nos autos da Petição 14.129/DF, a magistrada decidiu homologar o cumprimento do Mandado de Prisão. A decisão levou em conta o cumprimento das formalidades legais e regulamentares, com destaque para os termos da Resolução CNJ nº 213, de 15 de dezembro de 2015.
A análise das questões relacionadas ao mérito da causa foi relegada à Sua Excelência, o Ministro Relator do processo. Após os encaminhamentos, a Juíza Auxiliar declarou encerrada a audiência de custódia, e o presente termo foi lavrado, registrando os detalhes do processo e as declarações do ex-presidente. Os fatos levantados durante a audiência adicionam novas camadas à compreensão dos eventos que levaram à prisão do ex-presidente e à manutenção de sua custódia.
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O depoimento de Jair Bolsonaro trouxe à tona detalhes sobre sua condição de saúde e as circunstâncias que o levaram a intervir na tornozeleira eletrônica. A Justiça, por sua vez, homologou a prisão e encaminhará o mérito da questão para as instâncias superiores. Para ficar por dentro de todas as atualizações sobre este e outros temas da política nacional, continue acompanhando a nossa editoria de Política.
Crédito da imagem: Jorge Silva – 24.jul.2025/Reuters







