O cenário dos pagamentos digitais no Brasil está prestes a receber uma inovação significativa. A dLocal: CEO Pedro Arnt Traz Pix por Biometria ao Brasil como uma das principais apostas da fintech uruguaia para aprimorar a experiência de consumidores e empresas. Pedro Arnt, co-CEO da dLocal e ex-CFO do Mercado Livre por mais de uma década, lidera essa iniciativa, visando simplificar transações com reconhecimento facial ou impressão digital.
Em entrevista exclusiva ao CNN Money, o executivo detalhou a implementação da nova modalidade, que chega em um período de otimismo para a dLocal. A startup, especializada em processamento de pagamentos em mercados emergentes, vem consolidando sua trajetória de crescimento, incluindo a primeira aquisição fora da América Latina e um plano de expansão robusto.
Essa expansão ocorre após a empresa superar um período de instabilidade em 2022, quando suas ações na Wall Street sofreram um impacto com a publicação de um relatório pela Muddy Waters Research. Embora Arnt não fizesse parte da companhia na época, ele assegurou que a crise de desconfiança foi completamente superada, abrindo caminho para novas estratégias. A chegada do
dLocal: CEO Pedro Arnt Traz Pix por Biometria ao Brasil
reforça o compromisso da empresa com a inovação e a segurança, beneficiando uma vasta carteira de clientes, que inclui gigantes como Netflix, Spotify, Amazon, Google e Shein.
A Revolução do Pix por Biometria e a Autorização do Banco Central
A principal promessa do Pix por biometria é simplificar drasticamente o processo de pagamento. Segundo Pedro Arnt, a experiência atual do Pix para o consumidor brasileiro pode ser complexa, exigindo múltiplos redirecionamentos, preenchimento de campos e ações de copiar e colar, o que gera “fricção” e resulta em uma “perda enorme de transações”. Com a nova funcionalidade, os usuários poderão autenticar pagamentos instantâneos utilizando apenas reconhecimento facial ou impressão digital, eliminando a necessidade de abrir o aplicativo do banco.
Para viabilizar essa ferramenta inovadora, a dLocal obteve uma conquista crucial em 2025: a autorização do Banco Central do Brasil para operar como instituição de pagamentos. Essa licença permite que a fintech atue como participante direta do Pix e ITP (Iniciador de Transação de Pagamento), habilitando-a a oferecer toda a gama de serviços Pix, incluindo Pix Automático, Pix Recorrente e, agora, o Pix com Biometria. Arnt enfatiza a importância dessa regulação:
“Para poder fazer tudo isso, ter a licença do Banco Central é importante, não só pela confiança que gera aos nossos grandes clientes globais, mas também para garantir que nós estamos operando dentro do marco regulatório do Brasil.”
A dLocal, que se estabelece como uma infraestrutura tecnológica e regulatória para grandes corporações globais, permite que plataformas como Spotify, Google e Netflix ofereçam diversas opções de pagamento a seus usuários. A obtenção da licença do Banco Central não só solidifica a operação da empresa no país, mas também reafirma seu compromisso com a conformidade e a segurança no ambiente financeiro brasileiro, um passo fundamental para o avanço da digitalização de pagamentos, como detalhado pelo Banco Central do Brasil em sua página oficial sobre o Pix.
Crescimento Global e a Estratégia dos “Made in China”
Com sede em Montevidéu, Uruguai, e uma equipe de mais de 1.500 funcionários, a dLocal ostenta uma presença global, operando em mais de 40 países. Em 2021, a empresa alcançou um marco significativo ao ser listada na bolsa de valores americana Nasdaq, focada em mercados emergentes, arrecadando expressivos US$ 617,65 milhões em sua Oferta Pública Inicial (IPO). O ano fiscal de 2024 consolidou seu sucesso, registrando um Volume Total de Pagamentos (TPV) de US$ 25,6 bilhões.
Entre os principais clientes da dLocal estão gigantes do e-commerce e streaming, como Netflix, Amazon e, notavelmente, a chinesa Shein. A empresa de processamento de pagamentos destaca que as companhias chinesas, que fornecem ao consumidor brasileiro uma vasta gama de produtos a preços acessíveis, representam uma tendência de crescimento para toda a América Latina. Pedro Arnt atribui essa procura crescente à influência das redes sociais, como o TikTok.

Imagem: REUTERS via cnnbrasil.com.br
O CEO da dLocal também observou uma mudança estratégica por parte das empresas chinesas, que têm voltado seu foco para mercados fora dos Estados Unidos devido a tensões geopolíticas. “As empresas chinesas começam a ver mercados como o americano um pouco mais fechados a eles. O resto do mundo, e particularmente o resto do mundo emergente, América Latina, África e Ásia, se tornam um foco de maior relevância para eles,” explicou Arnt, salientando o papel crucial da dLocal em facilitar essas transações transfronteiriças.
Fintechs e a Nova Taxação: Posicionamento da dLocal
Recentemente, o setor de fintechs no Brasil foi impactado pela aprovação, em 17 de abril, de um projeto na Câmara dos Deputados que eleva as alíquotas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Este aumento será progressivo, iniciando em 17,5% até o final de 2027 e atingindo 20% a partir de 1º de janeiro de 2028, com um impacto fiscal estimado em R$ 1,6 bilhão.
Apesar da medida, Pedro Arnt não teceu críticas, reconhecendo a existência de políticas de inovação no Brasil, incluindo o próprio Pix. Ele destacou o impacto positivo da inclusão financeira no país ao longo da última década, resultado direto da atuação de startups e da inovação tecnológica.
Arnt sugeriu a necessidade de “dar o benefício da dúvida” ao governo, que tem permitido o florescimento das fintechs, e encontrar um equilíbrio que garanta um tratamento adequado para essas empresas. Ele ressaltou que “muitas dessas fintechs já têm uma escala e já têm um tamanho onde elas já não precisam necessariamente de ser tratadas como pequenas startups,” indicando que o amadurecimento do setor pode justificar uma revisão de sua classificação regulatória e tributária.
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Em suma, a introdução do Pix por biometria pela dLocal, liderada por Pedro Arnt, representa um passo fundamental para a simplificação e segurança dos pagamentos digitais no Brasil. Com a autorização do Banco Central e uma estratégia de expansão global focada em mercados emergentes e na crescente demanda por produtos chineses, a fintech uruguaia reafirma sua posição como player chave na infraestrutura de pagamentos internacionais. Para mais insights sobre o panorama econômico e as inovações que moldam o mercado, continue acompanhando a editoria de Economia no Hora de Começar.
Crédito da imagem: CNN Brasil






