A estratégia de Trump na Venezuela para o futuro da nação sul-americana gerou incerteza global após o presidente Donald Trump anunciar que os Estados Unidos planejavam governar o país. A declaração, que surpreendeu o cenário internacional, ocorreu um dia depois da suposta captura do então presidente venezuelano, Nicolás Maduro, que, indiciado, estaria em um voo com destino a Nova York.
Enquanto Maduro estaria sob custódia americana em Manhattan na noite de sábado, segundo uma fonte anônima familiarizada com o assunto, sua vice-presidente, Delcy Rodríguez, reagiu com veemência. Ela classificou a intervenção como bárbara e um sequestro, apesar de Trump ter sugerido que ela poderia trabalhar em parceria com Washington para “tornar a Venezuela grande novamente”. A Casa Branca, por sua vez, ofereceu poucos detalhes sobre como seria governar uma nação produtora de petróleo com aproximadamente 30 milhões de habitantes, intensificando a confusão sobre os próximos passos.
Estratégia de Trump na Venezuela: O Futuro Pós-Maduro
Um funcionário americano mencionou que o secretário de Estado, Marco Rubio, conhecido por suas críticas a Maduro e Hugo Chávez, assumiria um papel de destaque no governo. Contudo, não havia um plano concreto para a presença de tropas ou administradores americanos em solo venezuelano. A prioridade de Trump parecia estar diretamente ligada aos vastos recursos petrolíferos do país, com a afirmação de que os EUA teriam uma presença “no que diz respeito ao petróleo”. Essa perspectiva poderia significar um papel ampliado para empresas como a Chevron Corp., que mantém operações na Venezuela sob isenções de sanções, e outras grandes companhias petrolíferas americanas.
O Cenário Político e a Abordagem de Washington
A relutância de Trump em posicionar tropas no solo venezuelano, combinada com sua visão da líder da oposição, Maria Corina Machado – a quem ele descreveu como uma “boa moça que não está pronta para assumir o poder” –, indicou uma abordagem diferente. Em vez de uma completa mudança de regime, o presidente americano optou por dar a Rodríguez e outros aliados de Maduro uma segunda chance. Matthew Kroenig, vice-presidente e diretor sênior do Centro Scowcroft para Estratégia e Segurança do Atlantic Council, interpretou a tática como uma tentativa de “controlar a vice-presidente e as pessoas ao seu redor por meio de incentivos e punições para obter os resultados que os Estados Unidos desejam”. Ele questionou a eficácia a longo prazo dessa estratégia.
Trump corroborou essa linha de pensamento em declarações ao New York Post, no mesmo dia, ao afirmar que as tropas americanas não seriam necessárias em solo venezuelano “desde que Rodríguez faça o que queremos”. Essa abordagem representava uma aposta arriscada para um presidente que prometeu, em sua campanha de 2016, pôr fim às “guerras intermináveis” dos Estados Unidos, mas que, desde então, empregou forças armadas em ataques no Irã, Iêmen, Nigéria e no Mar do Caribe. A Venezuela já enfrentava décadas de má gestão, resultando na deterioração de sua infraestrutura petrolífera, períodos prolongados de hiperinflação e a fuga de milhões de migrantes econômicos e políticos para nações vizinhas e os EUA. Um colapso governamental total, provocado por uma intervenção militar, poderia agravar ainda mais a turbulência.
Foco no Petróleo Venezuelano e Implicações Econômicas
Delcy Rodríguez, amplamente considerada a figura mais poderosa do país após Maduro, emitiu mensagens ambíguas em seus pronunciamentos públicos. Ela pediu o retorno do presidente deposto, mas também mencionou a possibilidade de relações respeitosas com os EUA, sugerindo um caminho para a distensão caso consiga consolidar o poder e haja cooperação bilateral. Trump, por sua vez, alertou para uma possível segunda onda de ataques americanos caso a cooperação esperada não se concretize. Ele enfatizou que todas as figuras políticas e militares venezuelanas deveriam compreender que “o que aconteceu com Maduro pode acontecer com elas, e acontecerá, se não forem justas com o povo venezuelano”.
No curto prazo, e desde que a governança não colapse, a medida do governo americano poderia abrir uma porta para a revitalização da indústria petrolífera da Venezuela, um ponto de foco evidente para Trump ao anunciar a captura de Maduro. O presidente americano expressou a intenção de que “nossas gigantescas companhias petrolíferas americanas, as maiores do mundo, entrem, gastem bilhões de dólares, consertem a infraestrutura em péssimo estado, a infraestrutura petrolífera, e comecem a gerar lucro para o país”. Ele acrescentou: “Vamos garantir que esse país seja administrado corretamente”.
Uma recuperação plurianual na produção de petróleo venezuelana poderia potencialmente levar a uma queda de 4% nos preços globais do petróleo ao longo do tempo, conforme análise da Bloomberg Economics. Este cenário poderia aliviar as preocupações dos eleitores americanos em relação aos custos, embora analistas de energia alertem que a indústria petrolífera venezuelana, fragilizada por má gestão, corrupção e sanções, levaria anos para se reerguer. Jimena Zuniga, analista da Bloomberg Economics, destacou que tanto os cenários otimistas quanto os pessimistas teriam “implicações significativas para as perspectivas da Venezuela, os mercados de dívida, a oferta global de petróleo e a posição dos EUA na região e no mundo”.

Imagem: infomoney.com.br
Perspectivas e Desafios Futuros
Após a coletiva de imprensa de Trump, um funcionário americano detalhou algumas prioridades para os dias seguintes. Autoridades governamentais se engajariam diplomaticamente com os membros remanescentes do governo venezuelano, além de executivos do setor petrolífero, para discutir a expansão da produção. Foi afirmado que as forças armadas americanas permaneceriam em prontidão e que o embargo ao petróleo continuaria em vigor, assim como os ataques a embarcações suspeitas de tráfico de drogas. No entanto, a incerteza sobre o futuro imediato pairava sobre Caracas, que iniciava sua primeira noite sem Maduro em mais de uma década, com muitos apoiadores leais ao regime ainda no país.
Essa realidade, juntamente com o longo histórico de Delcy Rodríguez com Maduro, gera ceticismo sobre a viabilidade da estratégia a longo prazo, conforme observou Ryan Berg, diretor do Programa das Américas e chefe da Iniciativa Futuro da Venezuela no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) em Washington. A população venezuelana, por sua vez, formava filas em supermercados e postos de gasolina, evidenciando a apreensão com o futuro da nação. Matt Terrill, sócio-gerente da Firehouse Strategies, expressou uma preocupação ainda maior: “tudo isso desmoronasse, que não houvesse um esforço para garantir uma transição bem-sucedida”.
Apesar do otimismo projetado por Trump, a manobra militar evocava lembranças de tentativas passadas dos EUA de mudança de regime, que produziram resultados mistos. Sob a administração de George W. Bush, os EUA invadiram o Afeganistão e o Iraque, resultando em conflitos prolongados e custosas ocupações. A frustração com esses destacamentos, incluindo a conturbada retirada do Afeganistão, foi um fator que impulsionou Trump à presidência por duas vezes. Agora, esse legado é algo que ele – e possivelmente Rubio, um potencial candidato à presidência em 2028 – corre o risco de assumir. Berg, do CSIS, sintetizou a situação: “Isto é, parafraseando Winston Churchill, não o começo do fim, mas o fim do começo. A Venezuela entrará em uma longa transição com uma participação ainda maior dos EUA na formação do governo que virá”. Para aprofundar a compreensão sobre os desafios geopolíticos e econômicos na região, confira a análise de especialistas em segurança internacional do Atlantic Council.
Confira também: Investir em Imóveis na Região dos Lagos
A complexa dinâmica entre os Estados Unidos e a Venezuela, marcada pela recente estratégia de Trump, revela um cenário de incertezas e potencial para profundas transformações políticas e econômicas. Para continuar acompanhando as análises e desdobramentos sobre a política internacional e seus impactos globais, explore nossa editoria de Política e mantenha-se informado sobre os principais acontecimentos.
Crédito da imagem: Bloomberg L.P.







