O governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, intensifica a pressão sobre o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, para que aceite um plano de paz formulado em conjunto com a Rússia. O objetivo central é pôr fim ao conflito deflagrado pela invasão russa em 24 de fevereiro de 2022, marcando um ponto de inflexão na diplomacia global em relação à guerra na Ucrânia.
Informações vazadas da Casa Branca para veículos de comunicação ocidentais, incluindo a agência de notícias Reuters, indicam que o republicano exige que os 28 pontos do acordo sejam ratificados por Zelenski até a próxima quinta-feira, 27 de novembro. Essa exigência sublinha a urgência imposta pela administração americana para uma resolução do embate.
EUA Pressionam Zelenski por Acordo de Paz e Ajuda Militar
Autoridades americanas alertam que, caso a Ucrânia não cumpra o prazo estabelecido, o país poderá sofrer o corte imediato no fornecimento de informações de inteligência consideradas vitais para seus esforços de guerra. Entre os recursos ameaçados estão imagens de satélite que rastreiam movimentações de tropas e o monitoramento de lançamentos de mísseis e drones, elementos cruciais para a defesa ucraniana. Além disso, o suprimento de armas, que atualmente chega a Kiev através de compras reduzidas realizadas por nações europeias de equipamentos dos EUA, também seria vetado. Na prática, tais medidas têm o potencial de comprometer drasticamente a capacidade de defesa da Ucrânia, já sob severa pressão em múltiplos pontos de sua linha de frente de mil quilômetros.
Diante desse cenário de cerco e pressão, o presidente Zelenski buscou apoio junto aos seus aliados europeus. A iniciativa surge em um contexto onde as nações da Europa foram deliberadamente excluídas por Trump das negociações com a Rússia para encerrar o confronto, que representa o mais sangrento em solo europeu desde o término da Segunda Guerra Mundial, em 1945. Zelenski participou de uma conversa telefônica estratégica com o presidente francês, Emmanuel Macron, e os primeiros-ministros Keir Starmer, do Reino Unido, e Friedrich Merz, da Alemanha. Segundo informações da chancelaria em Berlim, houve consenso entre os líderes de que a Ucrânia deve preservar sua soberania e manter sua capacidade de defesa intacta.
Por sua vez, Zelenski reiterou seu compromisso em garantir que os “princípios da Ucrânia” sejam plenamente respeitados no acordo. Contudo, o plano proposto é amplamente favorável ao Kremlin, com a única concessão significativa de Vladimir Putin sendo a liberação de um terço dos US$ 300 bilhões em reservas externas russas congeladas para a reconstrução da nação invadida. As demais condições impostas implicam que a Ucrânia perderia aproximadamente um quinto de seu território e teria suas Forças Armadas limitadas a 600 mil soldados, o que representa uma redução de 40% em relação ao contingente atualmente em combate. Adicionalmente, o país ficaria proibido de ingressar na OTAN e de abrigar militares da aliança ocidental ou aeronaves de combate em seu território.
Após a videoconferência, o presidente Macron enfatizou que os líderes concordaram que qualquer negociação futura deve obrigatoriamente contar com a participação da Ucrânia, da União Europeia e da OTAN. A presença desses atores é considerada fundamental, uma vez que o futuro do continente europeu está intrinsecamente ligado ao arranjo de paz mais abrangente delineado no acordo proposto. Apesar de muitos termos do acordo serem vagos, existe, contudo, espaço para discussões e refinamentos. O site americano Axios, por exemplo, sugere que as garantias de segurança, que não são detalhadas na proposta inicial, poderiam incluir uma cláusula de defesa para a Ucrânia similar ao mecanismo de assistência mútua em caso de ataque, presente nos estatutos da OTAN. Para aprofundar a compreensão sobre dinâmicas internacionais, veja notícias relevantes no arquivo de mundo da Reuters: notícias mundiais.

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A situação do governo ucraniano, de toda forma, é extremamente delicada. Zelenski enfrenta forte pressão interna após a descoberta de um desvio de US$ 100 milhões no setor de energia do país. Este escândalo já resultou na queda de dois ministros, abalando a confiança pública. No front de batalha, a situação também é desafiadora: as forças russas conquistaram a estratégica Kupiansk, na região de Kharkiv, e avançaram em cinco vilarejos em Donetsk. Na região sul de Zaporíjia, os avanços das tropas de Putin têm sido rápidos, impulsionados pelo enfraquecimento da defesa de Kiev, que foi compelida a redirecionar reforços para o leste do país.
O Kremlin, por sua vez, tem mantido uma postura de distanciamento do debate público. O porta-voz Dmitri Peskov declarou que a Rússia ainda não foi informada oficialmente sobre os 28 tópicos do acordo, uma afirmação que é vista como um movimento de diversão. Peskov também indicou que o país não fará comentários para evitar perturbar as negociações, que foram conduzidas pelo lado russo pelo chefe do fundo soberano do país, Kirill Dmitriev.
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Em suma, a pressão dos EUA sobre Zelenski para aceitar um acordo de paz com a Rússia, acompanhada pela ameaça de cortar auxílios cruciais, coloca a Ucrânia em uma posição vulnerável. A reação da Europa, buscando garantir a soberania ucraniana, adiciona complexidade a este cenário geopolítico. Continue acompanhando as últimas notícias e análises sobre o cenário político internacional em nossa editoria de Política para se manter informado sobre os desdobramentos deste e de outros conflitos globais.
Crédito da imagem: Serviço de Imprensa da Presidência da Ucrânia/Reuters







