O desempenho dos fundos de ações em 2025 surpreendeu, registrando valorizações expressivas que superaram tanto o rendimento dos juros quanto o próprio Índice Bovespa, que acumulou cerca de 30% no ano. Levantamentos recentes indicam que algumas das carteiras mais rentáveis alcançaram ganhos superiores a 80%, consolidando um período de alta para a renda variável e gerando grande expectativa para o cenário de 2026.
A valorização foi especialmente notável entre os fundos com patrimônio superior a R$ 500 milhões. Até 10 de dezembro de 2025, 19 dessas carteiras apresentavam rentabilidades acima de 40% no período. Essa performance robusta, detalhada por um levantamento do InfoMoney com dados da Economática, destaca a capacidade do mercado acionário de oferecer retornos significativos em um ambiente econômico dinâmico.
Fundos de Ações: Ganhos em 2025 e Cenário para 2026
A liderança nesses ganhos foi observada na categoria “Livre”, que concede maior autonomia aos gestores para a implementação de estratégias específicas e a concentração de investimentos em setores ou empresas promissoras. Um exemplo emblemático é o Infrad, da Radar Investimentos, focado em infraestrutura, que alcançou um retorno impressionante de 81,36%. Outros destaques incluem o Alaska Black Fundo Inv, da Alaska Investimentos, com 77,14%, e o Radar Master, também da Radar Gestora, com 67,04%. Além dos fundos “Livre”, houve bons resultados em outras categorias, como o fundo de dividendos da Bradesco Asset e um fundo de Ibovespa ativo da Itaú Asset, que busca superar o desempenho do índice de referência.
Apesar do cenário positivo, um dado contrasta com o otimismo: a saída líquida de recursos dos fundos de ações atingiu R$ 52,8 bilhões em 2025, o maior valor desde o início da série histórica em 2006, conforme dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Rachel de Sá, estrategista de Investimentos no Research da XP Investimentos, durante o evento “Onde Investir 2026”, ressaltou a importância da diversificação. Segundo ela, muitos investidores perderam a oportunidade de capturar esses ganhos expressivos, demonstrando que uma carteira equilibrada é fundamental para obter bons retornos, mesmo em contextos de incerteza e instabilidade econômica.
Analisando os fundos com maior patrimônio, observa-se que, mesmo entre os gigantes, houve performances notáveis. O SPX Falcon Master, por exemplo, entregou 58,52% de retorno, enquanto o Absoluto Partners Master obteve 61,39%. Essas rentabilidades evidenciam que grandes fundos também conseguiram se beneficiar da alta da bolsa, confirmando a amplitude do movimento de valorização.
Perspectivas para 2026: Juros, Eleições e Volatilidade
A grande questão que se impõe agora é a sustentabilidade desse desempenho para 2026. A expectativa geral é positiva, ao menos para o início do ano, impulsionada pela perspectiva de cortes nas taxas de juros pelo Banco Central. Antonio Sanches, analista do Research da Rico Investimentos, explica que os juros exercem um peso considerável no mercado de ações, tanto pela desaceleração econômica que provocam quanto pelo impacto nos resultados corporativos, especialmente em empresas endividadas. A queda da Selic e dos juros reais, decorrente de uma inflação mais controlada, tende a valorizar as companhias e, por consequência, o mercado de ações como um todo.
Além disso, juros menores podem incentivar a captação de recursos por fundos de renda variável. Sanches observa que o investidor, ao perceber retornos reduzidos em fundos de renda fixa e os ganhos expressivos em ações, tende a direcionar seu capital para ativos de maior risco, o que é um fator positivo para os fundos de ações e multimercados. Ele enfatiza, contudo, a necessidade de manter uma carteira diversificada, equilibrando investimentos entre diferentes classes de ativos para mitigar riscos.
O cenário para 2026, no entanto, será marcado por elementos de incerteza, como as eleições presidenciais no Brasil e a possível troca da presidência do Federal Reserve nos Estados Unidos. Raphael Rafi Figueiredo, estrategista de ações no Research da XP Investimentos, projeta alta volatilidade nos mercados. Em sua apresentação no “Onde Investir 2026”, Rafi destacou o impacto positivo do cenário global para o mercado brasileiro, embora as discussões fiscais em nível nacional, especialmente durante o período eleitoral, serão acompanhadas com seriedade pelos investidores. A volatilidade pré-eleitoral, embora não seja inerentemente negativa, exige atenção e estratégias de proteção.

Imagem: REUTERS via infomoney.com.br
Cenários para o Ibovespa e Estratégias de Investimento
A discussão fiscal do próximo governo é um ponto crucial que pode influenciar os juros reais de longo prazo e, consequentemente, o Índice Bovespa. Rafi Figueiredo delineou três cenários para o Ibovespa em 2026 com base na trajetória dos juros reais:
- **Cenário Mais Provável:** Com juro real de 7,1% (patamar atual) e um ajuste fiscal moderado, o Ibovespa poderia alcançar 185.453 pontos.
- **Cenário Pessimista:** Em caso de deterioração contínua das contas públicas, o juro real subiria para 8,5% ao ano, levando o Ibovespa a 144.499 pontos.
- **Cenário Otimista:** Um ajuste fiscal mais rigoroso poderia reduzir o juro real para 5,5%, impulsionando o Ibovespa para 223.908 pontos.
Diante da incerteza eleitoral, a recomendação de diversificação para o investidor é reforçada. A lição de 2025 é que a alocação estratégica de recursos é indispensável, e não que a renda variável terá um percurso linear de ganhos contínuos.
Rodrigo Santoro, head de Ações da Bradesco Asset, acredita que dados econômicos corroboram uma tese mais favorável para as ações, projetando espaço para a bolsa avançar. O primeiro trimestre de 2026 será decisivo, impulsionado pela diversificação do mercado americano após o corte de juros do Fed, o início dos cortes de juros no Brasil e uma maior clareza sobre os candidatos eleitorais. Ele prevê um trimestre bastante positivo para a bolsa brasileira. No entanto, o segundo semestre pode trazer maior “neblina” devido à corrida eleitoral, com uma definição mais clara apenas no último trimestre. Essa indefinição tende a impactar mais os investidores locais, que podem adotar uma postura de espera.
Santoro demonstra preferência por carteiras com gestão ativa focada em valor, capazes de selecionar ações de forma mais eficaz em momentos de maior volatilidade. Ele também mantém otimismo com a tese de dividendos, considerando que essas empresas combinam os benefícios da queda de juros com flexibilidade em cenários voláteis. Setores como Utilities (serviços e concessões rodoviárias) e imobiliário de baixa renda são vistos como promissores, oferecendo bom retorno e pagamentos consistentes de dividendos. O setor financeiro também se mantém como uma exposição relevante.
Matheus Tarzia, gestor de ações da Neo Investimentos, observa que, apesar do potencial de crescimento da bolsa, como indicam múltiplos atraentes e movimentos corporativos como recompras e fechamentos de capital, o investidor precisa ter uma perspectiva de longo prazo e não ser refém de calendários. Ele espera um ano “animado e interessante”, com as preocupações eleitorais em pauta. Tarzia sugere que até uma continuidade do governo atual poderia gerar menos apreensão se houvesse uma percepção de menor necessidade de instrumentos fiscais populistas. Para aprofundar a compreensão sobre o impacto das políticas monetárias, veja informações sobre as taxas de juros no site do Banco Central do Brasil.
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Em suma, os fundos de ações apresentaram um 2025 espetacular, com retornos que superaram as expectativas e o desempenho de outros investimentos. As perspectivas para 2026 são promissoras, especialmente no início do ano, impulsionadas pela expectativa de queda de juros. Contudo, o cenário eleitoral e a volatilidade exigem que o investidor mantenha uma estratégia de diversificação e uma análise cuidadosa dos ativos. Continue acompanhando nossa editoria de Economia para se manter atualizado sobre as tendências do mercado e tomar decisões de investimento informadas.
Crédito da imagem: Economática/InfoMoney






