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Globo Aposta em Remakes Internacionais com ‘Avenida Brasil’

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A Globo aposta em remakes internacionais como um novo e promissor caminho para a expansão global de suas produções. Essa estratégia, evidenciada pelo sucesso da versão turca de “Avenida Brasil”, demonstra a capacidade da emissora em adaptar suas narrativas para diferentes mercados, alcançando públicos que antes não eram plenamente explorados. A venda de direitos de adaptação local representa uma fronteira estratégica na internacionalização do conteúdo brasileiro, redefinindo a forma como as novelas são consumidas e valorizadas ao redor do mundo.

O conceito por trás da trama soa bastante familiar aos espectadores brasileiros: uma enteada, Leyla, é abandonada em um lixão pela madrasta, Nur, após a morte de seu pai. Anos mais tarde, a jovem retorna para se infiltrar na vida da vilã e de seu marido, o ex-jogador de futebol Tufan, com o objetivo de arquitetar sua vingança. Essa é a sinopse de “Leyla”, a adaptação turca da aclamada novela “Avenida Brasil”, de João Emanuel Carneiro. Produzida pela Ay Yapim, a versão turca estreou no ano passado e está disponível na plataforma Globoplay desde novembro, com a atriz Gonca Vuslateri interpretando Nur, a equivalente à Carminha original.

Globo Aposta em Remakes Internacionais com ‘Avenida Brasil’

Originalmente indicada ao Emmy em 2013, “Avenida Brasil” já se destacava como a novela mais exportada pela Globo, alcançando 140 países e sendo dublada em 19 idiomas. No entanto, sua versão turca simboliza uma virada de chave para a emissora. Angela Colla, líder de negócios internacionais da Globo, ressalta a dificuldade de muitos canais globais em produzir 100% de sua grade, e como o conteúdo importado raramente ocupava o horário nobre. Com a novela de João Emanuel Carneiro, esse cenário se transformou, possibilitando à Globo conquistar os principais horários em mercados produtores de novelas, algo inédito anteriormente. De acordo com dados e análises publicadas por veículos de imprensa renomados, como a Folha de S.Paulo, a estratégia de adaptações locais tem se mostrado um caminho promissor para o conglomerado de mídia.

A consolidação das novelas brasileiras como produto de exportação tem raízes profundas, coincidindo com o período em que o Brasil vivenciava o auge do Cinema Novo, movimento cinematográfico aclamado em diversos festivais internacionais, com diretores como Glauber Rocha e Nelson Pereira dos Santos. Em 1962, o filme “O Pagador de Promessas”, de Anselmo Duarte, conquistou a Palma de Ouro no Festival de Cannes, elevando a cultura brasileira ao cenário mundial. A década de 1970, subsequente a esse movimento, também viu o sucesso de produções como “Bye Bye, Brasil”, de Cacá Diegues. Contudo, fora do circuito do cinema autoral, o prefeito corrupto Odorico Paraguaçu, de Sucupira, já estava ganhando o mundo. “O Bem-Amado”, de Dias Gomes, foi a primeira novela da Globo a ser exportada, em 1976, para o Uruguai, marcando o início de uma trajetória de sucesso internacional.

Desde então, em quase cinco décadas, a Globo estima ter vendido 277 novelas para 190 territórios, com conteúdos traduzidos para aproximadamente 70 idiomas. Dentre os grandes sucessos de exportação, destacam-se títulos como “Totalmente Demais”, presente em 135 países; “A Vida da Gente”, vendida para 132 nações; e “Caminho das Índias”, que alcançou 117 países, demonstrando a vasta aceitação das produções brasileiras no exterior.

O mercado latino-americano ainda representa o principal destino para as novelas da Globo, com mais de 65 parceiros e um total de 110 novelas vendidas. Entretanto, a emissora tem explorado formatos inovadores para penetrar em novos mercados. Nos países da antiga União Soviética, por exemplo, a morte da icônica Odete Roitman, de “Vale Tudo”, foi exibida quase que simultaneamente com o Brasil, evidenciando uma nova dinâmica de consumo. Colla explica que esse é um “mercado muito importante” onde os fãs das novelas brasileiras realizam dublagens rápidas, ou, mais precisamente, voice-overs, permitindo a exibição do conteúdo em apenas dois dias após a produção.

“Avenida Brasil”, embora não seja a pioneira nos remakes, solidificou-se como um emblema dessa nova abordagem estratégica. Isso se deve, em grande parte, ao fato de sua adaptação ter sido realizada na Turquia, um país que, junto com a Coreia do Sul, emergiu como um forte concorrente global no gênero de folhetins latino-americanos. Não à toa, a própria plataforma Globoplay já incorporou novelas turcas em seu catálogo, reconhecendo a força desse mercado. Angela Colla enfatiza que a emissora “rentabilizou muito Avenida Brasil” e, mais de uma década após seu lançamento original, a estratégia foi repensar como dar “uma nova vida” à novela, escolhendo cuidadosamente o parceiro e a produtora turca para o projeto.

Enquanto debates sobre a adaptação das produções brasileiras a um estilo internacional persistem, as novelas se mantêm, há décadas, como um exemplo de conteúdo genuinamente brasileiro que, ainda assim, consegue transitar bem por diversas culturas. O apelo universal reside em elementos narrativos presentes em todos os remakes internacionais: o melodrama, as tramas de vingança, as histórias de superação e os amores impossíveis, que ressoam com públicos de diferentes origens.

Globo Aposta em Remakes Internacionais com ‘Avenida Brasil’ - Imagem do artigo original

Imagem: www1.folha.uol.com.br

Outros exemplos de adaptações de sucesso incluem “O Clone”, de Glória Perez, que se tornou “El Clon” pela Telemundo em 2010, produzida para o público hispânico nos Estados Unidos. Mesmo em um período em que a clonagem não era mais um tema tão discutido e a caracterização de atores ocidentais como árabes poderia ser questionável, a narrativa de um amor que transcende culturas provou ser atrativa para espectadores fora do Brasil. Similarmente, “Fina Estampa”, de Aguinaldo Silva, com sua trama de uma mulher empoderada e independente, foi transformada em “Marido en Alquiler” pela mesma Telemundo, com o personagem Clô, interpretado por Marcelo Serrado na versão original, virando Rosario Flores, ou Ro, na atuação de Ariel Texidó.

Além de licenciar as tramas, a Globo oferece consultoria artística aos seus parceiros internacionais. Essa assistência é crucial, pois adaptações locais muitas vezes são necessárias; a versão turca de “Avenida Brasil”, por exemplo, era exibida semanalmente, com episódios de até duas horas de duração. A emissora também disponibiliza consultoria de negócios, exportando suas estratégias de rentabilização dos folhetins durante sua exibição, um diferencial valioso para o sucesso das adaptações.

Essas iniciativas representam um esforço contínuo para prosperar em um mercado de entretenimento cada vez mais competitivo. A concorrência não vem apenas da ascensão dos folhetins turcos e sul-coreanos, mas também da disputa acirrada pela atenção do espectador, que hoje dispõe de uma vasta gama de opções de conteúdo. Angela Colla conclui que, “com o objetivo de chegar a novos mercados, a gente se abriu para novos modelos de negócios, inclusive o de formatos”. Embora a Globo não venda a novela pronta para a Turquia, “todo mercado produtor precisa de ideias. E o ‘remake’ é uma história que já foi testada e teve sucesso comprovado”, justificando a aposta e o futuro dos remakes internacionais.

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Em suma, a estratégia de remakes internacionais, simbolizada pelo êxito da “Avenida Brasil” turca, redefine a abordagem da Globo no mercado global, demonstrando um caminho inovador para a monetização e perpetuação de suas histórias. Ao adaptar conteúdos testados e aprovados, a emissora não só expande sua presença em novos territórios, mas também reforça o apelo universal das narrativas brasileiras. Continue acompanhando a seção de Análises para mais insights sobre as tendências do mercado de entretenimento e a internacionalização da cultura brasileira.

Crédito da imagem: Divulgação