Investir em diversidade transcendeu a esfera do debate social para se consolidar como uma imperativa estratégia de negócio nas organizações modernas. Embora a agenda de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) ainda enfrente obstáculos em algumas estruturas corporativas, especialmente na ausência de retornos financeiros imediatos, o 5º Fórum Melhor RH Diversidade e Inclusão demonstrou que a incorporação da DEI como pilar estratégico reconfigura a tomada de decisões, impulsiona o desenvolvimento de lideranças e fortalece os laços com a comunidade.
A percepção de que a diversidade é mais do que uma questão de responsabilidade social, transformando-se em um vetor de inovação e competitividade, tem levado empresas a repensarem suas abordagens. Este movimento não apenas otimiza o ambiente interno, mas também projeta uma imagem corporativa alinhada aos valores de um mercado e uma sociedade em constante evolução. Os desafios persistem, mas o caminho para uma cultura organizacional mais inclusiva começa a ser pavimentado com ações concretas e métricas claras, visando um impacto duradouro nos resultados e na reputação.
Investir em Diversidade: Uma Estratégia de Negócio Essencial
Para Andressa Borba, diretora de Impacto Positivo e Comunicação Corporativa da Leroy Merlin Brasil, a virada de chave estratégica ocorreu quando uma análise aprofundada de dados revelou uma incoerência estrutural notável. A empresa, que contava com quase 50% de mulheres em sua força de trabalho operacional, observava que a representatividade feminina na liderança era de apenas 9%. Esta disparidade crítica serviu como catalisador para a criação de um comitê de diversidade. A partir dessa iniciativa, foram estabelecidas metas internas ambiciosas, inicialmente focadas em aumentar a participação de mulheres e pessoas com deficiência (PcD) em posições de destaque. Com o tempo, a agenda de inclusão da Leroy Merlin se expandiu, abrangendo outros marcadores sociais e demográficos, reconhecendo a complexidade e a riqueza da diversidade humana.
Andressa Borba enfatiza a multidimensionalidade da diversidade, afirmando que “Diversidade é olhar dados, olhar o mercado e olhar para as nossas pessoas”. Ela reconhece que, apesar dos “grandes passos” dados, a jornada rumo à inclusão plena ainda é longa e repleta de desafios, mas a clareza nas metas e o compromisso estratégico têm sido cruciais para o progresso contínuo. A capacidade de analisar e agir com base em dados concretos permite às organizações identificar lacunas, medir avanços e ajustar suas estratégias de forma mais eficaz, transformando intenções em resultados tangíveis e promovendo um ambiente de trabalho mais equitativo e produtivo.
Metas Claras: O Catalisador da Mudança e Inclusão
Andreia Nunes, especialista em diversidade e inclusão, reforça a premissa de que a adoção de metas explícitas e mensuráveis é um fator comum entre as organizações que alcançaram progresso significativo. Na Leroy Merlin, por exemplo, as metas internas de diversidade não apenas impulsionaram mudanças locais, mas também se tornaram uma referência global para a corporação. Atualmente, a empresa se aproxima da paridade de gênero na liderança, com quase 50% de mulheres em cargos de gestão, e supera as cotas legais para pessoas com deficiência, estabelecendo objetivos internos ambiciosos para uma expansão contínua e consciente de seus quadros.
Nunes sublinha a intrínseca relação entre medição e comportamento: “O comportamento muda quando você mede”. Essa máxima impulsionou a estruturação de programas robustos de desenvolvimento, tanto feminino quanto racial, garantindo que as metas de diversidade não fossem meramente numéricas. O objetivo era assegurar o preparo e a prontidão reais das pessoas para assumirem novas responsabilidades e desafios. “Não basta abrir a vaga. É preciso garantir prontidão”, ela pontua, destacando a importância de investir em capacitação e suporte contínuos para os talentos diversos, a fim de que possam prosperar em suas carreiras e contribuir plenamente para o sucesso da organização.
O investimento em programas de desenvolvimento estruturados surge como uma resposta direta às desigualdades históricas de acesso e oportunidades. Um exemplo notável é o Grupo Casas Bahia, onde mais de 900 mulheres participaram de um programa de desenvolvimento exclusivamente focado em liderança feminina. O êxito dessa iniciativa foi amplamente atribuído ao patrocínio ativo da alta liderança da companhia, que forneceu o apoio e os recursos necessários. A presença de um vice-presidente como mentor ou patrocinador, segundo Andreia, “muda tudo”, pois valida a importância da pauta e mobiliza recursos e apoio essenciais para a concretização dos objetivos de diversidade.
Além disso, o envolvimento masculino nesses processos é fundamental para desmistificar a ideia de que a diversidade é uma questão restrita a grupos minorizados. Andreia Nunes enfatiza que a diversidade é “uma responsabilidade coletiva”, requerendo o engajamento de todos os níveis hierárquicos e gêneros para que a transformação seja verdadeiramente abrangente e sustentável. Ao fomentar a participação de todos, as organizações constroem uma cultura de inclusão que transcende as barreiras de gênero e outras características, tornando-se intrínseca ao DNA corporativo.
Ampliando o Impacto: Diversidade Além dos Muros Corporativos
A filosofia de inclusão da Leroy Merlin, conforme detalhado por Andressa Borba, estende-se para além dos limites físicos da empresa. Programas específicos foram desenvolvidos para atender a pessoas com deficiência, jovens em situação de vulnerabilidade social e mulheres prestadoras de serviço. A visão é clara: “A inclusão precisa acontecer dentro e fora da empresa”. Para Borba, esta abordagem amplifica o impacto social das ações, que, por sua vez, reverberam positivamente no próprio negócio, criando um ciclo virtuoso de desenvolvimento e engajamento com a comunidade.
A expansão da diversidade para o ambiente externo da corporação representa um diferencial estratégico significativo. Iniciativas como programas de inclusão produtiva, formação de jovens aprendizes e capacitação de mulheres empreendedoras são exemplos tangíveis de como a agenda de DEI pode gerar uma transformação econômica concreta e duradoura. Ao investir na capacitação e no empoderamento de indivíduos e comunidades, as empresas não apenas cumprem um papel social, mas também contribuem para a formação de um ecossistema de mercado mais robusto e equitativo, ampliando suas próprias redes de talentos e consumidores.

Imagem: melhorrh.com.br
Andressa Borba complementa essa visão ao salientar o impacto multiplicador: “Quando você forma pessoas, transforma famílias, comunidades e o próprio mercado”. Ela argumenta que a diversidade, nesse contexto, transcende a mera representatividade numérica para se tornar um catalisador de desenvolvimento social e econômico genuíno. Este investimento estratégico não só fortalece a marca empregadora, mas também gera valor compartilhado, beneficiando a empresa e a sociedade como um todo. A relevância dessa abordagem é reconhecida em diversos estudos, como os destacados pela Deloitte, que frequentemente aborda o tema diversidade e inclusão como um imperativo de negócios, sublinhando sua importância estratégica.
Dados Concretos: O Pilar da Diversidade Genuína
Fernando Sollak, uma das lideranças em recursos humanos participantes do fórum, enfatiza a importância crucial dos dados para a efetivação da diversidade. Ele adverte que “Diversidade sem dados vira discurso”, ou seja, sem métricas e análises concretas, as iniciativas de DEI correm o risco de se tornarem superficiais e ineficazes. Em sua perspectiva, a diversidade deve ser tratada como um componente central da estratégia de gestão de pessoas, com processos contínuos de escuta, indicadores de desempenho claros e relatórios públicos que garantam transparência e prestação de contas, essenciais para a credibilidade das ações.
Sollak ressalta que, ao conseguir “provar a correlação entre diversidade, inovação e resultado”, o tema ganha a tração necessária no C-level, ou seja, entre a alta direção da empresa. Esta validação por meio de resultados tangíveis é o que converte a diversidade de uma pauta secundária em uma prioridade estratégica com investimento e apoio consistentes, garantindo sua sustentabilidade. Além do mais, Sollak destaca a diversidade como uma ferramenta essencial de gestão de risco. Ignorar essa agenda pode acarretar “impactos éticos, reputacionais e de negócio” severos, o que justifica a implementação de políticas claras, canais de escuta ativos e treinamentos obrigatórios como elementos integrantes da governança corporativa, protegendo a empresa contra vulnerabilidades e fortalecendo sua imagem no mercado.
Mais do que a simples implementação de programas isolados, as lideranças de RH, incluindo Sollak, reiteram que a diversidade só se sustenta e prospera quando se integra profundamente à cultura organizacional. Isso implica na consolidação de rituais, políticas e práticas consistentes, na capacitação contínua de lideranças e na manutenção da coerência nas decisões, mesmo diante de cenários adversos ou desafios imprevistos. A cultura de inclusão deve ser construída e nutrida diariamente, refletindo-se em todas as interações e processos da empresa, desde o recrutamento até a retenção de talentos, e permeando todos os níveis hierárquicos.
Na opinião unânime dos três debatedores – Andressa Borba, Andreia Nunes e Fernando Sollak –, a mensagem é clara e contundente: investir em diversidade não se trata de uma moda passageira ou de um custo operacional, mas sim de uma estratégia de longo prazo, que exige persistência, coerência e um compromisso inabalável. É um “trabalho de longo prazo, feito de pequenas vitórias”, como resume Sollak, onde o objetivo primordial é assegurar que a organização avance “mais passos para frente do que para trás” na sua jornada de inclusão, construindo um futuro corporativo mais justo e produtivo para todos.
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Em suma, o 5º Fórum Melhor RH Diversidade e Inclusão cristalizou a compreensão de que a diversidade, equidade e inclusão são pilares indispensáveis para a sustentabilidade e o sucesso empresarial. As experiências e insights compartilhados demonstram que, ao adotar uma abordagem estratégica baseada em dados, metas claras e um comprometimento cultural, as organizações podem não apenas impulsionar seus resultados, mas também promover uma transformação social significativa. Para aprofundar a compreensão sobre tendências de mercado e gestão, convidamos você a explorar outras análises em nossa editoria de análises.
Crédito da imagem: Portal Melhor RH







