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Irã Adverte EUA sobre Retaliação; Mortos em Protestos Aumentam

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O Irã Adverte EUA sobre Retaliação; Mortos em Protestos Aumentam em um cenário de crescentes tensões no Oriente Médio. Teerã emitiu um aviso contundente aos Estados Unidos neste domingo, 11 de janeiro, declarando que qualquer ofensiva americana contra seu território resultaria em um contra-ataque imediato, visando Israel e as bases militares norte-americanas na região como alvos legítimos. O alerta foi feito por Mohammad Baqer Qalibaf, presidente do Parlamento iraniano.

A declaração, proferida por Qalibaf, ex-comandante da Guarda Revolucionária, ecoa a posição do regime em meio a uma onda de manifestações internas que têm desafiado o governo. Ele foi enfático: “Sejamos claros: no caso de um ataque ao Irã, os territórios ocupados (Israel), bem como todas as bases e navios dos EUA, serão nosso alvo legítimo.” Paralelamente, o número de vítimas fatais nos distúrbios civis registrou um aumento significativo, intensificando a crise no país.

Irã Adverte EUA sobre Retaliação; Mortos em Protestos Aumentam

Conforme relatórios da ONG Hrana, com sede nos EUA, os óbitos relacionados aos protestos que se espalharam por cidades iranianas atingiram pelo menos 116 pessoas desde o início dos atos em 28 de dezembro. Dentre estas, 37 seriam integrantes das forças de segurança, e aproximadamente 2.300 indivíduos foram detidos. Outra organização, a Iran Human Rights, baseada na Noruega, estimou em 192 o mínimo de mortos até este domingo, ressaltando a dificuldade de obter dados precisos devido às severas restrições de comunicação impostas dentro do país. As autoridades iranianas, até o momento, não divulgaram números oficiais sobre as vítimas.

Ameaças e Reações Internacionais

O cenário de escalada de tensões levou Israel a um estado de alerta máximo. Três autoridades israelenses, falando sob condição de anonimato, indicaram a possibilidade de uma intervenção em apoio aos manifestantes no Irã. O presidente americano, Donald Trump, havia declarado no sábado, 10 de janeiro, que os Estados Unidos estão “prontos para ajudar” os manifestantes, adicionando outras ameaças de interferência nas questões internas iranianas.

No mesmo dia, o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, teve uma conversa telefônica com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, onde a possibilidade de intervenção foi um dos tópicos discutidos, segundo um funcionário israelense presente na reunião. Uma autoridade do governo americano confirmou o diálogo, mas não detalhou os assuntos abordados.

A rivalidade entre Irã e Israel já culminou em conflitos diretos. Em junho do ano passado, os dois países travaram uma guerra de 12 dias, na qual os EUA se aliaram a Tel Aviv, conduzindo ataques aéreos contra instalações nucleares do regime iraniano. Em resposta, Teerã retaliou, disparando mísseis contra uma base aérea americana localizada no Qatar. Acompanhe as últimas notícias e análises sobre a complexa geopolítica do Irã e suas relações internacionais através de fontes como a Reuters.

Crescimento dos Protestos e Repressão Interna

As autoridades iranianas intensificaram os esforços para conter os distúrbios que se alastraram pelo Irã desde 28 de dezembro. Os protestos, inicialmente impulsionados pela inflação crescente e dificuldades econômicas, rapidamente se voltaram contra o establishment clerical que governa o país desde a Revolução Islâmica de 1979. O regime tem acusado os EUA e Israel de fomentarem os atos de insurgência.

O fluxo de informações do Irã foi severamente prejudicado por um apagão de internet imposto pelas autoridades desde quinta-feira, 8 de janeiro. O observatório de monitoramento da internet Netblocks informou que os níveis de conectividade nacional permaneceram em aproximadamente 1% do normal, dificultando a comunicação interna e a divulgação de informações para o exterior.

Vídeos que circularam nas redes sociais no sábado, 10 de janeiro, mostravam grandes aglomerações no bairro de Punak, em Teerã, durante a noite, com manifestantes batendo ritmicamente em corrimãos de pontes ou outros objetos metálicos, em um claro sinal de protesto. A mídia estatal iraniana, por sua vez, transmitiu procissões fúnebres em cidades do oeste iraniano, como Gachsaran e Yasuj, de membros das forças de segurança mortos nos confrontos.

Irã Adverte EUA sobre Retaliação; Mortos em Protestos Aumentam - Imagem do artigo original

Imagem: www1.folha.uol.com.br

A TV estatal também noticiou que 30 membros das forças de segurança seriam sepultados na cidade central de Isfahan, e que seis membros das forças de segurança foram mortos em Kermanshah, no oeste do país. Além disso, a mídia oficial reportou que uma mesquita foi incendiada por manifestantes em Mashhad, no nordeste, na noite de sábado. A Guarda Revolucionária acusou explicitamente “terroristas” de atacarem instalações de segurança.

O Irã possui um histórico de reprimir ondas de protestos, sendo a mais recente em 2022, motivada pela morte sob custódia de Mahsa Amini, que foi acusada de violar os códigos de vestimenta do país.

Cenário Político e Perspectivas Futuras

Neste domingo, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, concederá uma entrevista à TV estatal para detalhar os planos do regime diante das demandas populares, incluindo a reforma do sistema monetário. Uma alta autoridade de inteligência dos Estados Unidos descreveu a situação no Irã como um “jogo de resistência”, onde a oposição tenta manter a pressão até que figuras-chave do regime desertem ou mudem de lado, enquanto as autoridades tentam instilar medo suficiente para dispersar os manifestantes sem dar aos EUA justificativa para intervir.

Israel, por sua vez, não sinalizou um desejo de atuar diretamente na crise, mas as tensões entre os dois arqui-inimigos permanecem elevadas devido às preocupações de Tel Aviv com os programas nuclear e de mísseis balísticos do Irã. Em uma entrevista à revista The Economist, publicada na sexta-feira, 9 de janeiro, Netanyahu alertou sobre “consequências horríveis” para o Irã caso atacasse Israel, e, ao aludir aos protestos, afirmou: “Quanto a todo o resto, acho que devemos ver o que está acontecendo dentro do Irã.”

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Este cenário complexo, que une avisos de retaliação internacional a um aumento alarmante de mortes em protestos domésticos, ressalta a instabilidade profunda que permeia o Irã e suas relações com as potências ocidentais. Para se manter informado sobre os desenvolvimentos políticos e as análises aprofundadas sobre o Oriente Médio, continue acompanhando nossa editoria de Política.

Crédito da imagem: Tom Brenner/Reuters

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