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Mariana Salomão Carrara Vence Prêmio SP de Literatura 2025

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A escritora Mariana Salomão Carrara alcançou uma notável vitória ao ser laureada com o Prêmio São Paulo de Literatura 2025. Sua obra, intitulada “A Árvore Mais Sozinha do Mundo”, foi reconhecida na categoria de Melhor Romance do Ano, destacando-se por sua profundidade e abordagem de temas sociais cruciais. Esta é a segunda vez que a autora é agraciada com a honraria, consolidando sua posição no cenário literário nacional.

A conquista surpreendeu a própria Mariana, que expressou sua incredulidade diante do novo reconhecimento. “Confesso que fui imaginando que pô, dessa vez não vai dar. Eu tinha acabado de ganhar”, afirmou a escritora, remetendo à sua vitória anterior na edição de 2023, quando foi premiada pela obra “Não Fossem as Sílabas do Sábado”. Tal histórico ressalta o talento e a originalidade de sua produção literária.

Mariana Salomão Carrara Vence Prêmio SP de Literatura 2025

O romance “A Árvore Mais Sozinha do Mundo” emerge de uma profunda investigação sobre a questão da saúde mental no Rio Grande do Sul, um estado que, historicamente, enfrenta altos índices de depressão e suicídio, conforme boletim da Secretaria de Saúde local publicado em 2023. Essa realidade alarmante serviu de inspiração para a narrativa de Carrara, que mergulha em uma trama intensa e reveladora.

A Obra Premiada e Suas Camadas Sociais

No centro da história, a escritora explora a vida de uma família de baixa renda engajada na plantação de tabaco, um dos setores econômicos mais relevantes da região Sul do Brasil. Os personagens enfrentam um cotidiano marcado por dificuldades financeiras, com dívidas crescentes, e os perigos da intoxicação decorrente do uso de agrotóxicos na lavoura. A narrativa de Mariana Salomão Carrara humaniza essas lutas, expondo as vulnerabilidades e resiliências de quem vive à margem.

Um aspecto inovador da construção narrativa é a forma como a autora utiliza objetos inanimados como “câmeras” que testemunham a vida dessa família. Uma grande árvore, uma caminhonete envelhecida, um espelho colonial e uma roupa de segurança tornam-se elementos centrais, proporcionando uma visão íntima e cotidiana dos acontecimentos. Essa escolha cria uma perspectiva única, permitindo ao leitor observar os dramas sem a mediação direta da consciência dos personagens.

Mariana explicou sua escolha de focar nos objetos como catalisadores da narrativa, visando gerar uma incerteza sobre o que é de fato narrado e, simultaneamente, alienar a família do contexto opressor em que estão inseridos. “Escolhi para não dar voz e consciência a essa família sobre o que está acontecendo. Uma ideia de que os objetos vão percebendo aos poucos e a família não necessariamente”, declarou. A técnica visa criar uma história onde “ninguém tem certeza do que faz”, um reflexo da complexidade e da falta de controle que muitas vezes permeia as vidas dos personagens.

O Processo de Criação e a Imersão em uma Realidade Distante

A gênese de “A Árvore Mais Sozinha do Mundo” remonta a 2019, quando Mariana Salomão Carrara se deparou com uma reportagem sobre as epidemias de suicídio no Rio Grande do Sul. A pesquisa revelou que a tragédia estava intrinsecamente ligada aos agrotóxicos utilizados no cultivo de tabaco, substâncias capazes de induzir quadros graves de depressão. Soma-se a isso o endividamento das famílias, presas em um ciclo vicioso de juros compostos que intensificam suas dívidas.

“Isso me chamou muito a atenção como ser humano, mas logo me pareceu um ótimo material literário. Eu estava com muita vontade de mergulhar em um ofício, então veio a calhar”, detalhou a escritora. No entanto, o projeto sofreu um hiato durante a pandemia de COVID-19. Mariana considerou desafiador prosseguir com a escrita, que para ela representava um exercício de imaginação e fuga da própria vida, algo que se tornou inviável durante o isolamento social.

Mariana Salomão Carrara Vence Prêmio SP de Literatura 2025 - Imagem do artigo original

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br

Após a conclusão de “Não Fossem as Sílabas do Sábado” em 2022, a autora retomou o projeto. O novo romance exigiu uma abordagem inédita em sua carreira. Acostumada a viver em grandes metrópoles, Mariana confessou que o conceito da obra a distanciava de seu conhecimento prévio. Pela primeira vez, empreendeu uma vasta pesquisa para desenvolver o livro. “Foi um mergulho muito grande numa realidade distante da minha”, descreveu. Diferentemente de seus trabalhos anteriores, que envolviam uma pesquisa mais introspectiva e sentimental, desta vez foi necessário consultar mestrados, analisar reportagens, realizar entrevistas e até mesmo assistir a vídeos de adolescentes no TikTok, resultando em uma investigação abrangente que se estendeu por vários anos para enriquecer a narrativa sobre as condições de saúde mental no país, um tema crucial para a população, conforme dados do Ministério da Saúde.

Reconhecimento e Impacto do Prêmio São Paulo de Literatura

O Prêmio São Paulo de Literatura é uma iniciativa da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativa do Governo do Estado de São Paulo, que visa fomentar a produção literária nacional e valorizar os talentos brasileiros. Além de Mariana Salomão Carrara, o escritor Marcílio França Castro também foi premiado na categoria de Melhor Romance de Estreia do Ano de 2024, com seu ensaio “O Último dos Copistas”.

Os dois laureados receberão um valor de R$ 200 mil cada, além de um convite para participar da programação da 40ª Feira Internacional do Livro de Guadalajara, no México, agendada para 2026. Este reconhecimento não apenas celebra a excelência literária, mas também projeta os autores brasileiros em um palco internacional, ampliando o alcance de suas obras e do debate sobre temas relevantes para a sociedade.

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A vitória de Mariana Salomão Carrara no Prêmio São Paulo de Literatura 2025 com “A Árvore Mais Sozinha do Mundo” é um testemunho do poder da literatura em abordar complexas questões sociais, como a saúde mental e as agruras da vida no campo. Sua capacidade de construir narrativas envolventes e de relevância social a consagra como uma das vozes mais importantes da literatura contemporânea brasileira. Continue acompanhando nossas análises aprofundadas sobre literatura e sociedade para mais informações sobre o cenário cultural e seus impactos. Não perca as próximas publicações sobre temas atuais e enriquecedores.

Crédito da imagem: Nilton Fukuda/Secretaria da Cultura