A Polícia Civil de São Paulo apresentou à Justiça o relatório conclusivo da Operação Vectura Corrupta, que investiga a penetração do crime organizado no sistema de ônibus da capital paulista e de outros municípios do estado. Neste contexto, o ex-presidente da Câmara Municipal paulistana, Milton Leite e outros 12 são indiciados por suspeita de organização criminosa e promoção do PCC. O documento, entregue na sexta-feira (6), solicita a prisão preventiva, sem prazo definido, para todos os 13 nomes envolvidos nas acusações. A solicitação ainda não foi submetida à avaliação judicial.
Desde a deflagração das ações da operação, o ex-vereador Milton Leite tem enfaticamente rechaçado qualquer vínculo com facções criminosas ou com a empresa Transwolff. A defesa do político foi procurada na tarde do sábado (7), por telefone e por aplicativo de mensagem, mas não houve retorno até a publicação desta matéria.
Milton Leite e 12 indiciados por ligação com PCC no transporte
A investigação detalhada aponta indícios de que companhias de ônibus, responsáveis pela prestação de serviços em diversas cidades paulistas, teriam passado a ser controladas por membros da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) após a obtenção de processos licitatórios. Além disso, há suspeitas de envolvimento em práticas de corrupção de servidores públicos e de financiamento ilícito de campanhas eleitorais para prefeitos e vereadores, visando as eleições de 2024. O relatório produzido pelas autoridades indica a existência de evidências suficientes para sustentar que todos os indiciados integraram ou favoreceram os interesses do PCC. Se condenados, as penas previstas para tais crimes podem variar entre três e oito anos de reclusão. A Polícia optou por formalizar a denúncia relativa a esses delitos, enquanto prossegue com as apurações sobre suspeitas de lavagem de dinheiro.
Os investigadores sustentam que Milton Leite seria o verdadeiro proprietário da Transwolff, uma companhia que, durante anos, administrou diversas linhas de ônibus na cidade de São Paulo. O contrato dessa empresa foi rescindido pela gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) após o surgimento de suspeitas de sua conexão com a facção criminosa. Milton Leite encontra-se detido desde 18 de setembro, quando se apresentou à Dise (Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes) de Mogi das Cruzes, na região metropolitana de São Paulo. As acusações contra o ex-vereador se fundamentam em duas situações nas quais seu nome foi citado por terceiros: em um áudio extraído de um aparelho celular apreendido e em depoimentos de policiais prestados à Corregedoria da Polícia Militar. Ambas as menções a Milton Leite referem-se a supostas ligações dele com as empresas que foram alvo da Operação Fim da Linha, lançada em abril de 2024, que também visa combater a infiltração do PCC no sistema de transporte coletivo por ônibus da capital paulista.
Entre os outros indiciados na Operação Vectura Corrupta, figuram nomes como Carla de Paula Muller e Paulo Korek, ambos empresários atuantes no setor de transportes. A equipe de reportagem buscou contato com os defensores legais de ambos para obter um posicionamento. A defesa de Carla Muller declarou ter “absoluta convicção na inocência de sua cliente, fato que será devidamente comprovado ao longo das apurações”, além de afirmar que ela já prestou “todos os esclarecimentos necessários à autoridade policial” e que “acredita que nem sequer haverá denúncia contra a cliente”. A defesa de Paulo Korek, por sua vez, não respondeu ao contato da reportagem.
O inquérito policial detalha que o indiciado, identificado como Granada, transmitia ordens a sócios de empresas do ramo por intermédio de sua esposa. Carla, por sua vez, teria recebido valores de um sócio de uma empresa que operava em Cubatão, no litoral paulista, e esteve envolvida em negociações referentes à aquisição de veículos. Além disso, ela possuía participação acionária em uma companhia anteriormente acusada de pertencer ao PCC. Advogados do casal já haviam declarado que “são inverídicas as acusações veiculadas” contra Carla e que “as suspeitas de que seria interlocutora entre o mundo externo e o seu marido são totalmente infundadas”.

Imagem: Yuri Salvador via valor.globo.com
Outro nome que integra a lista de indiciados é José Daniel Satilite, conhecido como Alemão, cuja quebra de sigilo de seu telefone celular foi a principal fonte para a investigação em curso. A Polícia Civil o aponta como subordinado de Carla. Satilite está foragido, e não foi possível localizar seus representantes legais. Há suspeitas de que Paulo Korek tenha realizado uma venda fictícia de sua antiga empresa, a Translider, para Satilite. Registros de conversas telefônicas indicam a existência de pagamentos mensais de R$ 10 mil a Satilite, efetuados por um funcionário de Korek. Em setembro, a defesa de Korek já havia manifestado que não havia provas consistentes para corroborar essa acusação, afirmando que as alegações se baseavam unicamente em depoimentos de terceiros. Para mais informações sobre a atuação do Ministério Público em casos de crime organizado, consulte o Ministério Público do Estado de São Paulo.
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Este indiciamento de Milton Leite e outros 12 suspeitos representa um marco significativo na luta contra a infiltração do crime organizado em setores essenciais da infraestrutura urbana. A Operação Vectura Corrupta segue com desdobramentos importantes que prometem revelar mais detalhes sobre as conexões entre política, empresariado e facções criminosas em São Paulo. Continue acompanhando as atualizações sobre este e outros temas relevantes em nossa editoria de Cidades.
Crédito da imagem: Yuri Salvador/Rede Câmara







