A Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo solicitou formalmente a apuração minuciosa da morte de Thawanna Salmázio, ocorrida no último dia 3, na zona leste da capital paulista, após ser baleada por um disparo efetuado pela policial militar Yasmin Ferreira. Além da investigação sobre o fatal incidente, o órgão também requereu uma averiguação sobre a possível omissão de socorro por parte dos policiais que estiveram presentes na cena do ocorrido.
A fatalidade, que chocou a comunidade e gerou intenso debate sobre a atuação policial, é agora alvo de uma série de procedimentos investigativos em diversas esferas. A transparência e o rigor na elucidação dos fatos são os pilares da requisição apresentada pela Ouvidoria, visando garantir que todas as circunstâncias sejam devidamente esclarecidas.
Ouvidoria da Polícia Pede Apuração de Morte Thawanna Salmázio
Em entrevista concedida à TV Brasil, o ouvidor da polícia, Mauro Caseri, detalhou as ações do órgão. “Nós aqui da Ouvidoria, para além de pedir toda a apuração com relação ao disparo e à morte ocorrida, estamos encaminhando ofício para a Corregedoria da Polícia Militar para que ela abra um procedimento disciplinar para apurar se houve omissão de socorro por parte daqueles policiais que de alguma maneira estiveram na cena”, afirmou Caseri. A iniciativa reforça o compromisso da Ouvidoria com a fiscalização e a defesa dos direitos dos cidadãos em relação à conduta das forças de segurança.
Detalhes do Incidente na Zona Leste
O relato do companheiro da vítima, Luciano Gonçalves Santos, fornece uma perspectiva crucial sobre os acontecimentos. Segundo ele, Thawanna e ele caminhavam pela rua quando uma viatura policial colidiu o retrovisor em seu braço. Este incidente inicial escalou para uma discussão acalorada entre o casal e os agentes. Os policiais, por sua vez, alegaram ter necessitado usar a força para conter Thawanna e Luciano. No decorrer dessa intervenção, Thawanna foi atingida pelo disparo fatal.
A policial Yasmin Ferreira, autora do disparo, defende-se alegando ter sido agredida pela vítima. Contudo, a versão apresentada por Caseri, com base em depoimentos de testemunhas, diverge dessa narrativa. “Mas o que houve foi uma conversa mais áspera entre elas, a policial se afasta um pouco e dispara o tiro. É isso que as testemunhas falam”, declarou o ouvidor, indicando que a dinâmica do confronto pode ter sido diferente da inicialmente reportada pela agente envolvida.
Omissão de Socorro e a Intervenção Policial
Um dos pontos mais críticos da investigação diz respeito à tentativa de socorro à vítima e a suposta omissão por parte dos policiais. Mauro Caseri relatou que, após Thawanna ser baleada, seu companheiro, Luciano, tentou prestar socorro, mas foi impedido pelos próprios agentes. “O companheiro dela tenta fazer o socorro e ele é impedido pelos policiais de fazer o socorro. Outro erro [além do disparo da arma de fogo], porque o familiar pode socorrer. Eles não deveriam ter impedido jamais essa pessoa de ser socorrida pelo seu companheiro”, enfatizou o ouvidor, ressaltando que tal impedimento pode ter agravado a situação da vítima.
A chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) ao local também é um fator sob análise. O socorro demorou mais de 30 minutos para chegar após o incidente, um tempo considerado excessivo em situações de emergência grave. Após a chegada, Thawanna foi transportada para o hospital em aproximadamente 3 minutos. Para Caseri, essa demora no atendimento pode ter sido determinante. “Se o tempo para ela ser socorrida fosse 10, 15, 20 minutos, talvez ela tivesse sobrevivido. Coisa que tiraram dela, além de disparar um tiro letal, ainda tiram dos seus familiares a possibilidade de socorrer”, lamentou o ouvidor, apontando a gravidade da situação.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
Investigações em Múltiplas Esferas
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) de São Paulo emitiu uma nota oficial confirmando que todas as circunstâncias do caso estão sendo investigadas com máxima prioridade. O Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) e um Inquérito Policial Militar (IPM) estão à frente das apurações, com o acompanhamento atento das corregedorias das instituições envolvidas. Esta abordagem integrada busca garantir que a investigação seja abrangente e imparcial, considerando todas as perspectivas do ocorrido.
Como medida preventiva e parte do protocolo investigativo, os dois policiais diretamente envolvidos nos eventos foram afastados de suas atividades operacionais. As imagens capturadas pelas câmeras corporais dos agentes foram anexadas aos inquéritos e encontram-se sob análise da autoridade policial, constituindo uma peça fundamental no conjunto probatório do caso. A SSP reiterou que todas as provas, incluindo as imagens, laudos periciais e depoimentos, estão sendo analisadas com o mais rigoroso critério para determinar a verdade dos fatos. Além disso, o Corpo de Bombeiros também está conduzindo uma apuração interna para verificar o tempo de resposta e a eficácia do socorro prestado à vítima, adicionando mais uma camada de fiscalização ao processo.
Reforçando a seriedade do incidente, o Ministério Público de São Paulo anunciou, na semana anterior, que também irá apurar as circunstâncias que levaram à morte de Thawanna Salmázio. A atuação conjunta de diferentes órgãos de controle demonstra a complexidade e a relevância deste caso para a segurança pública e a justiça. Para mais informações sobre a segurança pública e o trabalho policial, consulte fontes oficiais como a Secretaria Nacional de Segurança Pública.
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A morte de Thawanna Salmázio e as investigações subsequentes mobilizam diversas instituições em São Paulo, buscando esclarecer as responsabilidades tanto pelo disparo quanto pela suposta omissão de socorro. Este caso sublinha a importância da transparência e do rigor na apuração de incidentes envolvendo forças policiais. Para ficar por dentro de outros desdobramentos importantes e notícias sobre a atuação policial e questões urbanas, continue acompanhando nossa editoria de Cidades.
Crédito da imagem: Paulo Pinto/Agência Brasil







