O reajuste do piso do magistério para o ano de 2026 foi motivo de comemoração para a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), que classificou a medida provisória (MP) assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como uma vitória significativa da categoria. Contudo, a decisão gerou forte contestação por parte de prefeitos e entidades municipalistas, que veem com preocupação o impacto financeiro nas administrações locais.
Para o corrente ano, o valor mínimo salarial dos profissionais da rede pública de educação básica, com jornada de 40 horas semanais, será elevado em 5,4%. Esse aumento fará com que o piso passe de R$ 4.867,77 para R$ 5.130,63. O percentual concedido representa um ganho real de 1,5% acima da inflação, calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de 2025, que registrou 3,9%.
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) vê neste movimento um passo crucial para a valorização profissional. No entanto, a repercussão da medida evidencia a complexidade do cenário educacional brasileiro, onde a busca por salários dignos esbarra nas limitações orçamentárias dos municípios. O debate sobre o tema ganha evidência e contornos específicos em diferentes esferas.
Piso do Magistério 2026: Reajuste Diverge Prefeitos e CNTE
Celebração da CNTE e o Contexto da Remuneração
A presidente da CNTE, Fátima Silva, enfatizou a importância de celebrar esta conquista, que considera um avanço substancial. Ela ressaltou que, apesar do reajuste, o Brasil ainda figura entre os países que pior remuneram seus professores, conforme dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), um organismo internacional que promove políticas para melhorar o bem-estar econômico e social das pessoas em todo o mundo. “Mesmo assim, a conquista de um piso com ganho real representa um avanço importante, fruto da mobilização da categoria e da luta permanente pela valorização da educação pública”, declarou Silva em comunicado oficial da entidade.
A confederação também salientou que o critério de reajuste foi amplamente discutido no Fórum Permanente do Piso, pautado nos princípios de previsibilidade e sustentabilidade orçamentária. De acordo com a CNTE, as organizações que representam os secretários estaduais e municipais de educação manifestaram concordância com a proposta, o que, para a entidade, “reforça o caráter pactuado, responsável e federativo da decisão”.
Entenda a Legislação do Piso Salarial do Magistério
O piso salarial representa o valor mínimo a ser pago aos professores em território nacional, e sua atualização anual é uma determinação legal. A norma estabelece que o reajuste deve ser calculado com base na soma do INPC do ano anterior e de 50% da média da variação percentual da receita real — também com base no INPC — referente à contribuição de estados, Distrito Federal e municípios ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), calculada nos cinco anos que antecedem a atualização. A legislação garante ainda que o percentual definido jamais poderá ser inferior à inflação do ano anterior, conforme medido pelo INPC.
Reação dos Prefeitos e o Impacto Financeiro Municipal
Em contrapartida à celebração da CNTE, os prefeitos, responsáveis diretos pelo pagamento dos salários no âmbito municipal, expressaram forte descontentamento com o montante do reajuste. Paulo Ziulkoski, presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), manifestou inconformidade, estimando um impacto de até R$ 8 bilhões aos cofres municipais.
Ziulkoski criticou a postura do governo federal, apontando uma suposta incoerência. “É inaceitável que, após anos de silêncio diante de reajustes elevados e ilegais — como os de 33,24% em 2022, e de 14,95% em 2023 —, agora, quando o índice sinaliza 0,37%, o governo federal se mobilize para editar uma MP sob o argumento de ‘injustiça’ no cálculo”, afirmou. Para ele, essa atitude “fere a lógica da gestão pública responsável e evidencia o uso político de um instrumento que deveria ser técnico e estável”.
A CNM, que atende a municípios de pequeno porte, defende que os aumentos reais nos vencimentos dos professores deveriam ser negociados diretamente entre o governo de cada município e sua respectiva equipe do magistério. A justificativa para essa posição reside na dependência das condições fiscais e orçamentárias de cada ente local, além da necessidade de se respeitar os limites de despesas com pessoal impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
Frente Nacional dos Prefeitos Alerta para Equilíbrio Fiscal
A preocupação não se restringe apenas à CNM. Na semana anterior à publicação da MP, a Frente Nacional dos Prefeitos (FNP), que congrega cerca de 400 municípios com mais de 80 mil habitantes, já havia manifestado apreensão quanto ao reajuste. A manifestação ocorreu após um encontro entre os ministros da Educação, Camilo Santana, e das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, com o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que preside a FNP.
Antes dessa reunião, a FNP havia encaminhado um ofício ao ministro da Educação, expressando suas inquietações sobre a iminente edição da Medida Provisória. No documento, assinado por Pedro Almeida, prefeito de Passo Fundo (RS) e presidente da Comissão Permanente de Educação da entidade, a FNP reafirmou seu comprometimento com a valorização dos profissionais da educação. Contudo, a entidade enfatizou que qualquer alteração no piso deve obrigatoriamente levar em consideração a capacidade fiscal dos municípios e ser acompanhada de responsabilidade orçamentária.
A federação também reiterou a indispensável necessidade de que a União preveja e realize aportes de recursos para cobrir eventuais aumentos que excedam os parâmetros legais vigentes. A FNP alertou que, sem essa complementação, o reajuste do piso poderia comprometer severamente o equilíbrio fiscal dos entes locais, gerando um desequilíbrio nas contas públicas municipais e estaduais.
Validade Imediata e Próximos Passos no Congresso
Os pagamentos dos salários dos profissionais da educação básica são efetivados por prefeituras e estados, utilizando recursos provenientes do Fundeb, além de complementações da União, quando necessárias. Por ser uma Medida Provisória, a determinação do reajuste possui validade imediata, garantindo que o novo valor já seja aplicado. No entanto, para se tornar lei em caráter definitivo, a MP precisará ser analisada e confirmada pelo Congresso Nacional, o que abre espaço para debates e possíveis modificações futuras.
A publicação oficial da Medida Provisória ocorreu na próxima edição do Diário Oficial da União (DOU), na quinta-feira, dia 22 de janeiro de 2026.
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Em suma, o reajuste do piso do magistério para 2026 representa um avanço salarial para a categoria, celebrada pela CNTE como resultado da mobilização contínua. Contudo, a decisão gera grande apreensão entre os municípios, representados pela CNM e FNP, que apontam para um significativo impacto orçamentário e questionam a metodologia de cálculo. A validade imediata da MP já garante o novo valor, mas o desfecho final depende da aprovação do Congresso Nacional, prometendo mais debates e articulações políticas nos próximos meses. Para aprofundar a compreensão sobre temas relevantes para a administração pública e o cenário nacional, continue acompanhando nossa editoria de Política.
Crédito da imagem: Bruno Peres/Agência Brasil







