A prisão de Alexandre Ramagem nos EUA, fruto de cooperação policial internacional entre a Polícia Federal do Brasil e as autoridades dos Estados Unidos, foi oficialmente comunicada em nota pela PF. O ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e ex-delegado da Polícia Federal estava foragido da Justiça brasileira após ser condenado por crimes contra o Estado Democrático de Direito.
A detenção de Ramagem, um dos nomes de alto perfil envolvidos em investigações sobre a tentativa de golpe de Estado no Brasil, ocorreu na cidade de Orlando, Flórida. As informações oficiais indicam que ele se encontrava “sob custódia do ICE”, o Serviço de Imigração e Alfândegas dos Estados Unidos, conforme registros do Departamento de Segurança Interna norte-americano.
Esta operação conjunta, que culminou na captura de um indivíduo de grande relevância no cenário político e jurídico brasileiro, reforça o compromisso mútuo entre as nações no combate ao crime organizado transnacional. A comunicação oficial da PF reiterou que a ação demonstra a efetividade dos laços entre os órgãos de segurança.
Prisão de Alexandre Ramagem nos EUA Fruto de Cooperação
A cooperação entre o Brasil e os Estados Unidos se mostra um elemento crucial para que foragidos da justiça respondam por seus atos, independentemente de onde tentem se ocultar.
A Condenação e a Fuga do Ex-Diretor da Abin
A história que levou à detenção de Alexandre Ramagem remonta a setembro de 2025, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) o condenou a uma pena de 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão. As acusações incluíam crimes gravíssimos como tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Tais condenações o transformaram em um dos principais alvos da Justiça brasileira.
Apesar de estar proibido de deixar o território nacional, Ramagem conseguiu evadir-se do Brasil. Sua fuga, ocorrida logo após a condenação, se deu pela fronteira com a Guiana, de onde teria embarcado para os Estados Unidos. O detalhe que chamou a atenção foi o uso de um passaporte diplomático, que, à época, não havia sido apreendido pelas autoridades.
Desde então, o nome de Alexandre Ramagem figurava na lista de foragidos procurados pela Interpol, a Organização Internacional de Polícia Criminal, o que amplificava a busca por ele em nível global. O governo brasileiro, por intermédio de sua Embaixada em Washington, formalizou um pedido de extradição aos Estados Unidos. Este pedido foi entregue ao Departamento de Estado norte-americano no final de dezembro de 2025, indicando a firme intenção do Brasil em trazê-lo de volta para cumprir sua pena.
Antecedentes e Implicações Legais
Antes de sua condenação e fuga, Alexandre Ramagem ocupou cargos de destaque na administração pública. Ele foi diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante todo o período do governo de Jair Bolsonaro (2019-2022). Sua trajetória incluía também a carreira de delegado da Polícia Federal, função da qual foi demitido após a condenação proferida pelo STF, em conformidade com as normas disciplinares da corporação.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
A perda do mandato parlamentar de Ramagem, que era deputado, ocorreu em dezembro de 2025, por ato da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, em razão da condenação transitada em julgado pelo Supremo. Esse desdobramento legal permitiu que a ação penal da trama golpista, que havia sido suspensa, retomasse seu trâmite normal no STF.
Em fevereiro de 2026, mesmo como foragido internacional, Ramagem participou de um depoimento. A oitiva ocorreu por videoconferência diretamente ao STF, dentro do contexto da ação penal sobre a trama golpista. Este depoimento foi um passo importante na continuidade do processo judicial, demonstrando a persistência da Justiça em seguir os procedimentos mesmo diante da sua situação de foragido.
O Papel da Cooperação Policial Internacional
A Polícia Federal brasileira tem mantido uma intensa e estratégica rede de cooperação com diversas agências de segurança internacionais. A prisão de Alexandre Ramagem nos EUA é um exemplo categórico da eficácia dessa colaboração. A cooperação policial internacional vai além do simples intercâmbio de informações; ela envolve ações coordenadas, como operações conjuntas e o apoio mútuo na localização e captura de criminosos que tentam se esquivar da justiça em outros países. Para mais detalhes sobre as ações da instituição, é possível consultar o site oficial da Polícia Federal.
Esta operação reafirma a mensagem de que não há refúgio seguro para indivíduos condenados por crimes graves, especialmente aqueles que ameaçam a ordem democrática. O trabalho conjunto entre Brasil e Estados Unidos envia um sinal claro de que as fronteiras não são barreiras intransponíveis para a aplicação da lei, reforçando a importância da união global contra o crime organizado e a impunidade.
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A detenção de Alexandre Ramagem nos EUA, resultado direto de uma sólida cooperação internacional, marca um capítulo significativo na busca pela justiça brasileira. Sua captura, após condenação por crimes contra o Estado Democrático de Direito e fuga do país, demonstra o alcance das autoridades brasileiras e o compromisso global com a responsabilização. Continue acompanhando nossa editoria de Política para se manter atualizado sobre este e outros desdobramentos importantes.
Crédito da imagem: Lula Marques/Agência Brasil







