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Remédios falsos Mounjaro Ozempic: PF e entidades alertam riscos

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Uma operação da Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (27) desarticulou um grupo criminoso especializado na produção e comercialização clandestina de remédios falsos Mounjaro Ozempic e outros injetáveis destinados ao emagrecimento. A ação resultou na apreensão de bens de luxo, incluindo jatinhos, veículos e relógios, evidenciando o alto lucro da atividade ilegal.

Os agentes da PF cumpriram um total de 24 mandados de busca e apreensão. As diligências ocorreram em quatro estados — São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco —, atingindo clínicas, laboratórios, estabelecimentos comerciais e residências de indivíduos suspeitos. O foco da investigação recai sobre a fabricação e distribuição do princípio ativo tirzepatida, componente essencial do medicamento Mounjaro, indicado para o tratamento da obesidade e diabetes tipo 2.

Remédios falsos Mounjaro Ozempic: PF e entidades alertam riscos

A gravidade do comércio de versões manipuladas ou falsificadas de medicamentos para emagrecer não se restringe apenas ao aspecto ilegal; ela representa um risco substancial à saúde pública. Em fevereiro deste ano, um alerta conjunto foi emitido por importantes entidades médicas: a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso). A nota enfatizou os perigos inerentes ao uso desses produtos ilegais, que carecem de comprovação científica e regulatória.

Esses medicamentos, popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”, são análogos do GLP-1 e GIP. Exemplos notáveis incluem a semaglutida, presente em produtos como Ozempic e Wegovy da Novo Nordisk, e a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, da Eli Lilly. Os compostos originais são fruto de avançada tecnologia e possuem a devida aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No entanto, as versões injetáveis de origem duvidosa ou manipuladas clandestinamente podem acarretar sérias consequências para a saúde dos usuários.

A nota conjunta das sociedades médicas detalha que “Medicamentos biológicos, como a semaglutida e a tirzepatida, exigem processos rigorosos de fabricação para assegurar que o organismo utilize e metabolize a substância de forma eficaz e segura. Essas moléculas são administradas por injeções subcutâneas, o que demanda padrões rigorosos de esterilidade e estabilidade térmica.” A complexidade e a precisão necessárias na produção desses fármacos sublinham os perigos de alternativas não regulamentadas.

Ainda segundo o comunicado, “O uso de versões alternativas ou manipuladas dessas moléculas tem se tornado uma prática crescente, preocupante e perigosa, carecendo de bases científicas e regulatórias que garantam a eficácia, segurança, pureza e estabilidade do produto, expondo os usuários a sérios riscos à saúde, pois não passam pelos testes de bioequivalência necessários, tornando impossível prever seus efeitos no corpo humano.” A ausência de testes de bioequivalência é um ponto crítico, pois impede a verificação de que o medicamento manipulado terá o mesmo efeito e segurança que o produto original.

Alertas Internacionais e Riscos Diretos aos Consumidores

A preocupação com os medicamentos falsificados é global. A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, já registrou diversos problemas graves relacionados à administração de versões alternativas ou manipuladas de análogos do Ozempic, Wegovy e Mounjaro. Entre as irregularidades documentadas, destacam-se a presença de doses inadequadas (superiores ou inferiores às recomendadas), contaminação por substâncias estranhas ou a substituição do princípio ativo por outros compostos, colocando em risco a vida dos pacientes.

As entidades médicas também rechaçam a ideia de que “A semaglutida e a tirzepatida alternativas ou manipuladas são frequentemente divulgadas como opções mais acessíveis e igualmente eficazes, o que é uma falsa promessa.” Elas alertam ainda que “A comercialização direta dessas medicações alternativas ou manipuladas por profissionais de saúde em consultórios configura uma prática contrária ao Código de Ética Médica, ferindo a confiança da relação médico-paciente.” Essa prática, além de ilegal, mina a integridade da relação terapêutica.

Adicionalmente, versões desses medicamentos vendidas por meio de sites, redes sociais e aplicativos de mensagens, como o WhatsApp, amplificam consideravelmente os riscos de adulteração, contaminação e ineficácia. A instabilidade térmica durante o transporte e armazenamento sem controle adequado pode desestabilizar os compostos, tornando-os ineficazes ou até mesmo perigosos para o consumo.

Recomendações e Posicionamento das Farmacêuticas

Diante do cenário alarmante, a nota conjunta recomenda veementemente que pacientes rejeitem qualquer tratamento que envolva versões alternativas ou manipuladas de semaglutida e tirzepatida. Sugere-se que busquem sempre alternativas aprovadas e regulamentadas pela Anvisa. Para os profissionais de saúde, a orientação é clara: não prescrever semaglutida ou tirzepatida alternativas ou manipuladas, utilizando apenas medicamentos com fabricação industrial certificada e vendidos em farmácias devidamente autorizadas por agências reguladoras.

Remédios falsos Mounjaro Ozempic: PF e entidades alertam riscos - Imagem do artigo original

Imagem: Getty via cnnbrasil.com.br

As empresas detentoras das patentes também se pronunciaram. Procurada pela CNN Brasil, a Eli Lilly endossou a nota conjunta e reforçou sua preocupação, apesar de o Mounjaro ainda não estar disponível oficialmente no Brasil. A farmacêutica esclareceu que “a Lilly é a única fornecedora legal de medicamentos à base de tirzepatida aprovados pela Anvisa e agências regulatórias em todo o mundo. Não fornecemos tirzepatida, que é o ingrediente ativo do Mounjaro, para farmácias de manipulação, clínicas médicas, centros de bem-estar, varejistas online ou qualquer outro fabricante. Portanto, qualquer produto que não seja da Lilly e que afirme conter tirzepatida não foi validado pela Lilly ou por agências regulatórias.”

A Novo Nordisk, fabricante do Ozempic e Wegovy, também se manifestou, reiterando que “não fornece e não autoriza o fornecimento de semaglutida a farmácias de manipulação ou outros fabricantes, sendo a única detentora dos registros devidamente aprovada pela Anvisa para comercializar semaglutida no Brasil.” A empresa salientou ainda que “o princípio ativo semaglutida não foi desenvolvido, em nenhum lugar do mundo, para uso em formato injetável em frascos, em cápsulas orais, pellets absorvíveis, fitas, chip ou implantes de hormônios. Em contraste, os medicamentos da Novo Nordisk que têm como princípio ativo a semaglutida foram devidamente testados e aprovados para o tratamento seguro de populações e patologias específicas.”

Histórico de Alertas e Riscos à Saúde

A questão dos medicamentos falsificados não é recente. Em novembro de 2024, a Anvisa já havia emitido um alerta específico sobre a falsificação do medicamento Ozempic. Naquela ocasião, a endocrinologista Maria Fernanda Barca, em entrevista, enfatizou os severos riscos à saúde associados ao uso desses produtos ilegais, afirmando que “Podem ter substâncias que são poluentes, que fazem mal à saúde, que podem levar a insuficiência cardíaca e insuficiência hepática”.

O Mounjaro, similarmente, tem sido alvo de falsificações. Em agosto de 2024, a farmacêutica Eli Lilly and Company divulgou um alerta sobre as versões manipuladas e falsificadas do medicamento. Em uma carta aberta, a Lilly expressou profunda preocupação com a disseminação de produtos falsificados que imitam suas medicações legítimas, frequentemente anunciados e comercializados de forma virtual, principalmente através de mídias sociais.

A reincidência desses alertas por parte das agências reguladoras e das próprias fabricantes sublinha a persistência do problema e a necessidade de vigilância constante por parte dos consumidores e profissionais de saúde. A busca por alternativas mais baratas não deve comprometer a segurança e a eficácia do tratamento, que só podem ser garantidas por medicamentos aprovados e fiscalizados.

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Em suma, a recente operação da Polícia Federal e os contínuos alertas de entidades médicas e farmacêuticas evidenciam a seriedade dos riscos associados aos remédios falsos Mounjaro Ozempic e outras “canetas emagrecedoras” manipuladas. É crucial que a população esteja ciente dos perigos de produtos sem validação regulatória, buscando sempre tratamentos seguros e aprovados pela Anvisa para proteger sua saúde. Continue acompanhando as notícias em nossa editoria de Análises para se manter informado sobre saúde e segurança pública.

Crédito da imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil