A potencial ascensão de Tarcísio de Freitas ao Planalto tem sido um tema central nas discussões políticas recentes. Inicialmente visto como um forte candidato à Presidência da República por setores da centro-direita, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), passou por uma mudança de status, sendo agora considerado um plano B dentro da família Bolsonaro para o pleito de 2026.
Em um período de menor popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dirigentes de diversas legendas de centro-direita manifestaram grande otimismo em relação à candidatura de Tarcísio. Este entusiasmo foi notório, com o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, fazendo comentários sugestivos em evento para empresários em agosto, onde Tarcísio e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), participavam. A fala de Nogueira, que gerou risadas e burburinho, questionava o auditório sobre a busca por um candidato capaz de liderar o país, sinalizando a esperança depositada no governador paulista.
Tarcísio de Freitas: De Favorito do Centrão a Plano B do Planalto
Ao longo do ano passado, as ações do governador foram interpretadas como movimentos com claro viés presidencial. Tarcísio defendeu abertamente a necessidade de “trocar o CEO do país”, articulou com lideranças partidárias para priorizar no Congresso um projeto de anistia que se transformou em redução de penas, e teceu críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante um ato na Avenida Paulista, em paralelo ao julgamento de Jair Bolsonaro na Corte. Essas manifestações indicavam uma postura combativa e alinhada a uma agenda nacional.
Declínio do Entusiasmo e Fogo Amigo
Contudo, a confiança em Tarcísio como candidato principal ao Planalto diminuiu no final do ano. Pesquisas de opinião mostraram uma recuperação na popularidade de Lula, influenciada por eventos como o “tarifaço” imposto por Donald Trump – posteriormente revertido por vias diplomáticas. Paralelamente, o ex-presidente Jair Bolsonaro optou por impulsionar a candidatura de seu filho, Flávio Bolsonaro, uma decisão que contrariou tanto o Centrão quanto setores antipetistas mais moderados, que viam em Tarcísio uma alternativa de maior consenso.
Nesse período, Tarcísio de Freitas também enfrentou críticas internas de parte do bolsonarismo, que questionava seu alinhamento irrestrito aos princípios conservadores defendidos pelo movimento. Apesar desses desafios, o governador demonstrou cautela e habilidade política para gerenciar as tensões dentro do estado de São Paulo, priorizando a pavimentação de sua campanha à reeleição.
Estratégias de Consolidação em São Paulo
Para mitigar a insatisfação de prefeitos com o ritmo dos repasses estaduais em áreas como saúde, pequenas obras e turismo, Tarcísio adotou uma estratégia de caravanas pelo interior paulista, intensificando o contato direto com os gestores municipais. Ele também passou a convocar esses prefeitos para eventos frequentes no Palácio dos Bandeirantes, onde utilizou a oportunidade para tirar centenas de *selfies*, buscando expandir sua influência e apoio.
Embora negue publicamente preocupação com a projeção nacional e reforce seu desejo por um novo mandato em São Paulo, Tarcísio tem investido em programas estaduais que se contrapõem a iniciativas federais. Entre eles, destaca-se a bonificação extra na tabela do SUS, visando estimular atendimentos e cirurgias em instituições privadas. Outra iniciativa é o programa Superação, que oferece transferência de renda a famílias já cadastradas no Bolsa Família, complementada por cursos profissionalizantes de curta duração, geridos pelo Fundo Social sob a responsabilidade da primeira-dama, Cristiane Freitas.

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A gestão do governador também tem priorizado a conclusão de obras de infraestrutura que se arrastavam por anos. Em 22 de dezembro, foi inaugurado um trecho de 26 quilômetros de extensão do Rodoanel Norte. Este complexo viário teve seu primeiro canteiro de obras iniciado em 1995, durante o governo Mário Covas. O trecho norte, especificamente, começou a ser construído em 2013, na gestão de Geraldo Alckmin, atualmente vice-presidente da República. A entrega dessas obras consolida a imagem de Tarcísio como um gestor focado em resultados tangíveis para o estado.
Cenário Político e Perspectivas para 2026
Dirigentes de partidos aliados ainda não descartaram por completo um projeto presidencial para Tarcísio de Freitas, embora reconheçam que seu potencial esteve mais em alta em momentos anteriores. Atualmente, o governador é visto como um plano B da família Bolsonaro, uma alternativa que pode ser acionada dependendo do cenário político. A decisão final deverá ser tomada até abril de 2026, prazo limite para que Tarcísio deixe o Executivo paulista caso opte por concorrer à presidência contra Lula.
No âmbito estadual, a corrida para o governo de São Paulo em 2026 promete ser desafiadora. Tarcísio poderá enfrentar adversários de peso, como Geraldo Alckmin, Fernando Haddad (PT), ministro da Fazenda, ou Márcio França (PSB), ministro do Empreendedorismo. Para saber mais sobre o cenário político nacional e as movimentações para as próximas eleições, você pode consultar fontes como o PoderData, que realiza pesquisas sobre o panorama eleitoral brasileiro.
Em seus três primeiros anos de mandato, Tarcísio conseguiu consolidar uma base de apoio robusta na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Um levantamento recente mostrou que, dos 94 parlamentares em exercício, 48 compareceram às sessões e votaram alinhados com as propostas do governador em pelo menos 80% das ocasiões. Um segundo grupo, composto por 17 deputados, demonstrou apoio entre 60% e 73% nas votações de matérias relevantes. Além disso, o governo conta com um aliado na presidência da Alesp, André do Prado (PL), cujo nome já é ventilado como uma possível alternativa para a chapa de 2026, reforçando a estratégia de alianças e governabilidade de Tarcísio de Freitas.
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A trajetória de Tarcísio de Freitas ilustra a dinâmica complexa da política brasileira, onde alianças, popularidade e estratégias de governabilidade se entrelaçam na busca pelo poder. Acompanhe a editoria de Política para se manter atualizado sobre as próximas movimentações e desdobramentos que moldarão o cenário eleitoral de 2026.
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