O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, reforçou nesta segunda-feira (1º) a necessidade de um basta definitivo ao crime organizado no Brasil. A declaração foi proferida durante um evento que marcou a despedida de Guilherme Derrite (PP) da Secretaria da Segurança Pública (SSP) do estado, posto que será ocupado pelo delegado Osvaldo Nico Gonçalves a partir de terça-feira (2). O mandatário republicano enfatizou que São Paulo já está dando um “basta” a essa problemática, em um discurso de celebração e balanço da gestão que se encerra.
A solenidade, que celebrou os 134 anos do 1º Batalhão de Choque Tobias de Aguiar, serviu de palco para o anúncio oficial da saída de Derrite, que retorna à Câmara dos Deputados. A transição ocorre exatamente três anos após sua apresentação à Polícia Militar como secretário indicado por Tarcísio de Freitas, então recém-eleito governador. A mudança de comando na pasta da segurança estadual abre um novo capítulo na administração paulista.
Tarcísio fala em basta ao crime organizado na despedida de Derrite
Em seu pronunciamento, o governador Tarcísio de Freitas relembrou o início da jornada de Derrite na segurança pública paulista. “Em 1º de dezembro de 2022 ele se dirigiu pela primeira vez à tropa com uma série de projetos em mente, querendo, de fato, fazer a diferença, construir uma sociedade mais segura”, destacou Tarcísio. O governador ressaltou que, após três anos, há muitos avanços a serem celebrados, atribuindo a Derrite a responsabilidade pela queda de importantes indicadores criminais, como roubos, furtos e homicídios. Segundo o chefe do executivo estadual, esses resultados são fruto de um trabalho profissional, de planejamento e da equipe qualificada formada pelo então secretário.
Apesar das melhorias em alguns índices criminais em São Paulo, a gestão de Derrite também foi pautada por controvérsias. Conforme reportagens da Folha, houve uma regressão no combate à letalidade policial, e a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) demonstrou avanço durante seu período. No entanto, Tarcísio de Freitas celebrou marcos como o investimento de mais de R$ 1 bilhão em infraestrutura, incluindo reformas e construções de delegacias, além da aquisição de 2.600 viaturas, 17 mil armas e 39 mil coletes, que, segundo ele, culminaram nos menores indicadores criminais da história do estado.
O evento também prestou homenagem a 63 autoridades, entre elas o governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro (PL), e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Tarcísio de Freitas elogiou a Operação Contenção, conduzida no Rio de Janeiro, que mobilizou 2.000 policiais nos complexos do Alemão e da Penha para cumprir mandados contra integrantes do Comando Vermelho. Ao se dirigir a Castro, o governador paulista afirmou que a iniciativa representa um “resgate da esperança”, apesar de ter sido considerada a operação mais letal do país, com 122 mortes registradas. “As forças do Rio mostraram que não haverá território onde o Estado não entre. A gente não vai mais admitir aquele circo onde a partir daquele momento o criminoso é que manda”, declarou Tarcísio, em alusão às barricadas que delimitam territórios em comunidades.
Momentos antes, o governador carioca, Claudio Castro, elogiou Tarcísio, descrevendo-o como “um homem de bem, um homem honrado e uma das cabeças mais preparadas para governar nesse Brasil”, e referiu-se a Derrite como “um dos melhores especialistas em segurança pública do país”. Tarcísio afirmou que a Operação Contenção teve repercussão nacional, influenciando o Congresso Nacional e abrindo caminho para a aprovação do projeto de lei Antifacção, que busca combater facções criminosas. Ele atribuiu a aprovação na Câmara à “coragem do presidente da Câmara, Hugo Motta”, responsável por indicar Derrite como relator da proposta.
Em seu discurso de despedida, Guilherme Derrite afirmou ter realizado um “trabalho histórico” à frente da SSP. O ex-secretário declarou que, “para o desespero daqueles que veem bandidos como vítimas da sociedade, identificamos, prendemos e, quando necessário, neutralizamos centenas de líderes dessas organizações criminosas”. Embora não tenha citado nomes específicos durante o discurso ou na coletiva de imprensa, Derrite mencionou que, no final de semana anterior, uma “importante liderança do PCC, o Ferrugem, foi neutralizado”.

Imagem: www1.folha.uol.com.br
Derrite detalhou que sua gestão priorizou agentes com experiência operacional em postos de comando e que, em conjunto, foi implementado um “plano estratégico técnico e ousado de combate ao crime”. Essa iniciativa, segundo ele, baseia-se em três pilares: identificação, busca e captura de criminosos. O ex-secretário também alegou ter “acabado com a cracolândia na cidade de São Paulo”, e destacou a disponibilidade inédita de indicadores criminais em portal de transparência. No entanto, uma reportagem da Folha de novembro indicou que usuários de drogas persistiram na região da cracolândia, chegando a ocupar áreas como o Memorial da América Latina.
Ainda em sua fala, Derrite mencionou ter atuado na asfixia financeira do crime organizado, elogiando o Ministério Público de São Paulo pelo papel “fundamental” em casos dessa natureza. Ele informou que mais de R$ 70 milhões, recuperados de novembro do ano anterior até o momento, serão revertidos para fundos estaduais de segurança, beneficiando as polícias estaduais e o Ministério Público. Essas ações são parte de um esforço mais amplo para enfraquecer financeiramente as redes criminosas que atuam no estado, impactando diretamente a capacidade operacional das facções. Para mais informações sobre o enfrentamento do crime organizado em nível nacional, é possível consultar os dados e ações do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que constantemente atualiza suas estratégias de segurança pública.
Derrite concluiu seus comentários sobre a relatoria do projeto Antifacção, descrevendo o texto como um “presente às famílias brasileiras que não aguentam mais viver subjugada pelo crime”. A proposta legislativa visa fortalecer os instrumentos legais para desmantelar as organizações criminosas, oferecendo um arcabouço jurídico mais robusto para as forças de segurança e justiça.
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A despedida de Guilherme Derrite da SSP de São Paulo e a chegada de Osvaldo Nico Gonçalves marcam um momento de transição na política de segurança do estado, com o governador Tarcísio de Freitas reiterando seu compromisso com o combate ao crime organizado. Para acompanhar as futuras ações e desdobramentos na segurança pública paulista e brasileira, continue lendo nossa editoria de Política.
Danilo Verpa/Folhapress







